Com a proximidade da janela de plantio do ‘milho safrinha’, que se abre logo após a colheita da soja em boa parte do Centro-Oeste e do Paraná, a seguradora MAPFRE já registra um movimento antecipado de contratações para a segunda safra. Desde o final de novembro, a seguradora iniciou oficialmente o período de comercialização das apólices e observa uma maior procura por parte dos produtores, que buscam proteção diante de um cenário climático ainda imprevisível.
Nos últimos anos, a safrinha deixou de ser uma “segunda” safra para se tornar a mais importante na produção de milho no país, respondendo por cerca de 70% da oferta nacional. Essa relevância ampliou também a exposição dos agricultores aos riscos climáticos. Como o plantio ocorre após a soja, qualquer atraso na colheita da oleaginosa empurra a semeadura do milho para fora da janela ideal, aumentando o risco de perdas por estiagem, veranico ou geadas tardias. A alternância entre El Niño, La Niña e neutralidade nos últimos ciclos reforçou esse quadro de incertezas.
Segundo o diretor técnico de seguro rural da MAPFRE, Fabio Damasceno, esse contexto tem levado o produtor a se programar mais cedo. “A contratação antecipada permite adequar a cobertura ao zoneamento climático e ao planejamento de cada propriedade, além de garantir condições mais estáveis diante da oscilação dos custos de produção”, explica o executivo. A busca ocorre principalmente nos estados do Sudeste, Centro Oeste e Paraná, região que concentra boa parte da produção brasileira de milho safrinha.
Proteção antecipada
A preocupação é reforçada pela incerteza no regime de chuvas. Embora algumas regiões tenham registrado volumes regulares no início da safra de verão, monitoramento climático da MAPFRE alerta para possíveis irregularidades na segunda metade do ciclo, especialmente nos estágios de germinação e enchimento de grãos, considerados decisivos para o rendimento final das lavouras.
No portfólio da MAPFRE, a cobertura multirisco segue como a mais demandada. O produto contempla perdas causadas por seca, excesso de chuva, granizo, geada e ventos fortes. A seguradora também destaca o crescimento de apólices personalizadas, que combinam diferentes níveis de proteção para atender às particularidades regionais e oferecer garantias alinhadas à realidade do produtor rural.
Outro fator que impulsiona a antecipação é a busca pelo subsídio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Como o orçamento federal costuma se esgotar rapidamente, produtores que contratam o seguro mais cedo têm maior chance de acessar o recurso previsto para o ano de 2026.
Na avaliação da MAPFRE, o avanço das contratações no início da janela da safrinha confirma uma mudança de comportamento no campo. “O seguro rural passou a ser tratado como parte da gestão estratégica, e não apenas como custo adicional“, explica Damasceno. Em um ambiente marcado por eventos climáticos mais frequentes e severos, a proteção da lavoura se tornou ferramenta essencial para garantir previsibilidade numa das safras mais relevantes do agronegócio brasileiro.
InPress Porter Novelli
Foto: Fabio Damasceno, diretor de seguro rural da MAPFRE
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