Com a Selic mantida em seu maior patamar em quase duas décadas, os fundos de pensão devem seguir priorizando alocações em renda fixa, avalia a BB Previdência, uma das principais entidades de previdência complementar fechada do país.
Para Ricardo Serone, Diretor Financeiro e de Investimentos da entidade, “os ativos indexados ao CDI seguem atrativos no curto prazo, enquanto investimentos de risco mais elevado, como ações e fundos imobiliários, continuam pressionados e com prêmio de risco ainda alto, mas menos vantajosos em relação aos títulos públicos federais, que possuem risco soberano“.
Serone destaca que, desde a implementação da Resolução 61 do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), aprovada em dezembro de 2024, e com o atual patamar de taxa, os títulos públicos federais passaram a oferecer retorno acima da meta atuarial com menor volatilidade. Isso se deve à possibilidade de marcação desses papéis pela curva, ou seja, pelo valor de vencimento, o que proporciona maior previsibilidade nos resultados.
Apesar dos dados recentes da economia brasileira refletirem os efeitos da política monetária restritiva iniciada pelo Banco Central (BC) em setembro de 2024, a BB Previdência entende que ainda não há espaço para cortes na Selic em 2025. A instituição mantém sua previsão da taxa em 15% ao final deste ano, com base em indicadores que apontam para uma inflação persistente e acima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo BC.
Mesmo com a deflação registrada em agosto, a inflação acumulada em 12 meses segue acima de 5%, e as projeções do Boletim Focus indicam que esta deve fechar o ano em 4,85%. A desaceleração do PIB brasileiro, que apresentou crescimento de apenas 0,4% no segundo trimestre frente a 1,4% no anterior, também não deve ser suficiente para motivar uma revisão da Selic no curto prazo, principalmente em razão de o mercado de trabalho permanecer aquecido. Esses dados reforçam a necessidade de cautela, mostrando que o processo de estabilização ainda não está consolidado, afirma Serone.
“A manutenção da Selic reflete a necessidade de controlar a inflação, que ainda permanece alta mesmo em um contexto de desaceleração gradual da atividade econômica. O Banco Central também leva em consideração as pressões fiscais e busca preservar a credibilidade da política econômica, mantendo a taxa básica de juros elevada até que haja sinais claros de estabilização da inflação“, observa Serone.
Impactos da política tarifária dos EUA
No cenário internacional, a política tarifária dos Estados Unidos continua afetando o comércio global e pressionando preços. Apesar dos juros mais baixos nos EUA definidos hoje pelo Federal Reserve (o banco central norte-americano), o que deve valorizar ainda mais a moeda brasileira, os riscos externos permanecem relevantes e podem impactar tanto o câmbio quanto a inflação doméstica.
“Os fatores externos são potencializados por tensões geopolíticas e pressões inflacionárias globais, com destaque para a guerra comercial dos EUA. No curto prazo, parte dos efeitos dessa taxação pode ser mitigada pela linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinada às empresas afetadas pelo ‘tarifaço’. Ainda assim, caso não se revertam com medidas de longo prazo, esses fatores externos podem pressionar a inflação e o câmbio no Brasil, influenciando indiretamente o cenário para a taxa Selic“, ressalta o Diretor da BB Previdência, empresa do conglomerado Banco do Brasil.
A BB Previdência permanece atenta às oportunidades que surgem no cenário macroeconômico, buscando potencializar os investimentos sob sua gestão por meio de estratégias de alocação voltadas ao longo prazo, característica intrínseca ao setor de previdência complementar.
“Todo esse processo é realizado com rigoroso alinhamento às Políticas de Investimento e considerando as condições econômicas, com o objetivo de mitigar riscos e maximizar os retornos para os participantes“, enfatiza Serone.
Tamer Comunicação
Foto: Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil
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