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10 Jan

Temor crescente à criminalidade empurra investimentos no país

5 de janeiro de 2026
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Uma pesquisa realizada em novembro passado pela Quaest, consultoria especializada em inteligência de dados, apontou que a violência é a maior preocupação para 38% dos brasileiros. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos e ocorrido entre os dias 6 e 9 de novembro, contou com a participação de 2.004 pessoas, de 16 anos ou mais, e ainda indicou que 73% dos entrevistados são a favor de classificar organizações criminosas como terroristas. Essa amostragem evidencia o temor crescente da população à criminalidade e acaba se refletindo no aumento dos investimentos em proteção privada, que também são fruto da falta de confiança nas autoridades no combate à bandidagem e de perspectiva de mudança do preocupante quadro atual.

Marco Barbosa, diretor da unidade brasileira da Came, líder mundial em produtos de controle de acesso em seu setor de atuação, revela que a empresa registrou um aumento de mais de 60% nas vendas de equipamentos de alta segurança no ano passado em comparação com 2024. “Antes mesmo do fim de 2025, já podemos considerar esse índice de crescimento por causa de todos os projetos fechados até o término deste último ano, que garantem essa expressiva expansão em relação ao volume de negócios que tivemos com produtos deste tipo no período anterior de 12 meses. Clientes de empresas, centros logísticos, comércios e até de condomínios residenciais estão adquirindo equipamentos
nossos que, no exterior, são mais usados como obstáculos contra o terrorismo. Esse fato é uma consequência clara da grande preocupação dos brasileiros com a violência urbana”, analisa o comandante da filial nacional da companhia de origem italiana.

Após dobrar de tamanho no Brasil nos últimos quatro anos, a Came começou a operar no segundo semestre em 2025 em uma nova sede em Indaiatuba (SP), onde conta com uma fábrica bem maior do que a unidade fabril que possuía anteriormente. Desta forma, aumentou sua capacidade produtiva e logística para poder atender às demandas crescentes do mercado. No subsegmento de alta segurança, disponibiliza em seu portfólio equipamentos como bollards e road blockers, dois diferentes tipos de barreiras super-resistentes com acionamento remoto, garras de tigre (dilaceradores de pneus fixados no solo), além de diversos modelos de cancelas e portas capazes de absorver fortes impactos.

E este aumento expressivo de procura recebida pela Came por produtos de alta proteção ocorre em meio a importantes questões em pauta no Congresso Nacional que impactam o cenário da segurança pública no país. Em uma delas, Alessandro Vieira (MDB), relator do Projeto de Lei Antifacção no Senado, apresentou no último dia 3 de dezembro o seu parecer em relação a esse PL na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e rejeitou a proposta de equiparar facções criminosas a terroristas. Ele justificou o seu posicionamento alegando que unificar essa qualificação geraria conflitos com a atual Lei Anterrorismo, que
prevê penas semelhantes para crimes cometidos por facções e milícias, mesmo se ocorrerem sem motivação política. O parlamentar propôs a criação de tipificações penais específicas para “facção criminosa” e “milícia privada”.

Em seu relatório, Viera não acolheu, por exemplo, a sugestão apresentada pelo senador Sergio Moro (União Brasil), que defendia a execução de sentenças logo após a condenação em primeira instância, e também preferiu manter dispositivos legais que criminalizam o uso de barricadas por organizações criminosas, endurecem os regimes penais nas penitenciárias e exigem a ida obrigatória de líderes de facções para presídios de segurança máxima. O texto do senador ainda prevê a aplicação de penas mais rígidas a organizações criminosas. Em seguida, no dia 16 de dezembro, a proposta de emenda à Constituição que inclui as polícias científicas entre os órgãos de segurança pública (PEC 76/2019) foi aprovada no Senado. Foram 65 votos favoráveis e apenas uma abstenção em primeiro turno. No segundo turno desta votação, o texto proposto obteve 64 votos a favor. Após esta nova fase deste processo, a matéria seguiu para a análise da Câmara dos Deputados.

Nesta outra frente , na Câmara, o deputado Mendonça Filho (União/PE), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, anunciou, no dia 12 de dezembro, a retirada dos dispositivos que visavam mormatizar o Sistema Nacional de Inteligência, uma decisão tomada após conversa com o ministro da Justiça e Segurança Púbica, Ricardo Lewandowski.

Quando foi inicialmente elaborado, o texto da PEC se baseou em três reivindicações fundamentais: constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), hoje amparado pela Lei ordinária 13.675/18; ampliar as competências de órgãos de segurança, como a Polícia Federal, e fortalecer a União no planejamento e na coordenação da segurança pública no país.

Apesar dessas movimentações nas esferas do governo, Marco Barbosa é cético ao projetar o panorama da segurança pública no país. “Quando foi apresentada pelo presidente Lula a governadores e outros representantes de estados brasileiros, em outubro de 2024, a PEC tinha entre as suas propostas a criação de um Sistema Único de Segurança, com o objetivo de integrar as forças policiais e aumentar a participação e as responsabilidades da União nas políticas de combate ao crime no país. Porém, eu não vejo perspectiva de melhora nem a médio nem a longo prazo porque tudo que seria feito agora vai dar resultado só daqui a muitos anos e, no meu entender, há muita coisa ainda a fazer, que já foi proposta, não foi aprovada e deveria ter sido feita antes de entrarmos nesse debate de unificar ou não as polícias”, enfatiza o diretor da Came.

Preocupação com a segurança é crescente no Brasil

Antes desta última realizada em novembro, a pesquisa anterior promovida pela Quaest, em outubro, também apontou a violência como a maior preocupação dos brasileiros. Naquela ocasião, entretanto, 30% dos entrevistados indicaram esse assunto como o mais relevante, enquanto, no mês seguinte, o índice subiu para 38%. E vale destacar que esse tema lidera, desde maio, o ranking de preocupações dos participantes nos levantamentos feitos pela consultoria.

Ao comentar essa questão, o diretor da Came destaca que a violência fora de controle cria um cenário de insegurança e motiva uma busca cada vez maior por proteção privada. “Reforço o fato de que, no Brasil, lamentavelmente, empresas, centros logísticos e comércios precisem procurar por alguns equipamentos que, no exterior, são comprados por quem os adquire apenas como obstáculos preventivos contra possíveis atos terroristas. Isso é uma consequência inevitável em um país onde a população não conta com o respaldo suficiente da segurança pública para se sentir protegida contra a criminalidade”, analisa Barbosa.

Referência como líder mundial em controle de acesso no setor de segurança, a Came disponibiliza hoje uma extensa carteira de equipamentos em seu portfólio para satisfazer às necessidades do mercado brasileiro. Além dos vários produtos de sua gama de alta segurança, oferece catracas, cancelas, automatizadores de portões e portas automáticas e com detectores de metais em sua linha de controle de acesso, assim como tem o Came Key, o Came Connect e o Came QBE como opções de acessórios remotos para operar dispositivos à distância.

WGO Comunicação

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