00:00:00
13 May

Por que o novo Marco Legal dos Seguros está impulsionando a demanda pelo resseguro facultativo?

11 de maio de 2026
119 Visualizações

O mercado segurador brasileiro vive um momento de transição estratégica na forma como as companhias buscam distribuir e amenizar exposições a grandes riscos. Historicamente a composição de cosseguro (quando duas ou mais seguradoras dividem a responsabilidade direta sobre uma mesma apólice) e resseguro facultativo (quando uma seguradora cede, de forma individualizada e “sob medida”, parte de um risco específico ao mercado ressegurador) sempre foram ferramentas coexistentes. Porém, com a promulgação do Marco Legal dos Seguros (Lei nº 15.040/2024), o cenário aponta para uma tendência favorável ao resseguro facultativo.

Essa legislação trouxe um forte viés protecionista em relação ao segurado, importando lógicas do direito do consumidor e estipulando regras rígidas para a formação e execução dos contratos. Embora a lei tenha estabelecido normas para pacificar o cosseguro, reafirmando a ausência de solidariedade entre as cosseguradoras e determinando que a Seguradora Líder atue na administração e representação, a gestão prática dessas operações tornou-se mais complexa.

O Marco Legal dos Seguros impõe prazos categóricos (como 30 dias para liquidação de sinistros normais e 120 dias para riscos grandes ou complexos), além de prever multas e punições severas em caso de atraso na indenização. Nesse arranjo, o cosseguro pode ser um gargalo porque a necessidade de alinhamento constante entre múltiplas seguradoras para a aprovação da regulação e de pagamentos, eleva o risco de descumprimento de prazos. Qualquer divergência entre as cosseguradoras pode expor a operação a litígios e desgastes diretos com o segurado.

Diante do aumento do rigor regulatório, é possível que as seguradoras assumam postura mais centralizadora, responsabilizando-se por 100% da apólice, para manter o controle do processo de regulação de sinistros.

Essa via do facultativo oferece dupla vantagem. Primeiro, o resseguro permite ofertar uma proteção desenhada para aquele risco específico, proporcionando alívio de capital sem a necessidade de dividir a titularidade da apólice. Em segundo lugar, como a relação da seguradora com a resseguradora é estritamente empresarial (B2B), a Nova Lei de Seguros acaba por preservar a independência estrutural do resseguro. Ou seja, o segurado não possui ação direta contra o ressegurador, e a seguradora não pode justificar atrasos ao cliente baseando-se em pendências do seu resseguro.

Dessa forma, ao optar pelo resseguro facultativo em vez do cosseguro, a seguradora garante fluidez no atendimento ao cliente — mitigando o risco de descumprimento dos novos prazos legais, enquanto acessa capacidades robustas de absorção de risco globais ou locais.

Finalizando, o Marco Legal dos Seguros pode impulsionar o mercado a buscar eficiência operacional e segurança jurídica. A migração da preferência do cosseguro para o resseguro facultativo reflete uma sofisticação na gestão de riscos. As companhias preferem blindar seus balanços de forma privada, a ter que compartilhar o protagonismo e as pesadas responsabilidades legais do atendimento ao cliente num ambiente regulatório cada vez mais rigoroso.

Agência Pauta VIP

*Por Fábio Tulmann, Head de Property da XS Global

You may be interested

AIDA e IAP realizam o “VIII Simpósio de Processo Civil e Seguro”
AIDA
55 Vizualizações
AIDA
55 Vizualizações

AIDA e IAP realizam o “VIII Simpósio de Processo Civil e Seguro”

Publicação - 13 de maio de 2026

A seção Brasil da AIDA - Associação Internacional de Direito de Seguro – e o Instituto dos Advogados do Paraná irão realizar, dia 19 de maio (terça-feira),…

Bradesco Seguros divulga Relatório Integrado de Sustentabilidade
Bradesco Seguros
72 Vizualizações
Bradesco Seguros
72 Vizualizações

Bradesco Seguros divulga Relatório Integrado de Sustentabilidade

Publicação - 13 de maio de 2026

O Grupo Bradesco Seguros apresenta seu Relatório Integrado de Sustentabilidade 2025, que consolida as principais ações, indicadores e resultados relacionados à incorporação de critérios ambientais, sociais e…

Dia Continental do Seguro: proteger patrimônios e preservar futuros
Sindsegnne
81 Vizualizações
Sindsegnne
81 Vizualizações

Dia Continental do Seguro: proteger patrimônios e preservar futuros

Publicação - 13 de maio de 2026

O seguro costuma ser lembrado apenas nos momentos de dificuldade. Após um acidente, uma enchente, um incêndio, um roubo ou qualquer situação inesperada que gera prejuízo, ele…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin