A Mapfre, companhia global de seguros e serviços financeiros, iniciou em Mogi das Cruzes (SP) a oferta de um seguro agrícola anual voltado exclusivamente para a produção de hortaliças. A operação começa em formato piloto e busca ajustar a lógica tradicional do mercado segurador à realidade de quem trabalha com culturas de ciclo curto, em que plantio e colheita acontecem várias vezes ao longo do ano.
O produto foi desenvolvido a partir de demandas de produtores da região, em parceria com o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura. A principal diferença em relação ao seguro convencional é que, em vez de contratar uma nova apólice a cada safra, o agricultor passa a ter cobertura contínua por 12 meses sobre a mesma área cultivada, independentemente da quantidade de plantios realizados.
Em propriedades voltadas à hortaliças, o plantio e a colheita ocorrem de forma quase diária, o que torna o seguro por ciclo operacionalmente complexo e, muitas vezes, financeiramente pouco atrativo. “Adaptamos o formato para reduzir a burocracia e ampliar a viabilidade do instrumento para pequenos e médios agricultores da região. A intenção é transformar o seguro em uma ferramenta de gestão de risco contínua, e não em uma decisão pontual a cada safra.“, explica o diretor comercial São Paulo da Mapfre, Leonardo Marins.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Minoru Mori, a criação de um seguro anual para hortaliças era uma demanda antiga do setor, mas que nunca havia saído do papel. “Esse modelo é discutido há cerca de 15 anos entre os produtores, mas nunca tinha avançado de forma concreta com nenhuma seguradora. Com a iniciativa da Mapfre, finalmente temos um projeto estruturado“, afirma.
Potencial de alcance
Com a iniciativa, a Mapfre quer ganhar relevância em um segmento historicamente pouco atendido pelo mercado segurador, mas com potencial de escala, sobretudo em cinturões verdes próximos a grandes centros consumidores. A produção de hortaliças é mais sensível ao clima, tem margens menores e ciclos rápidos, o que sempre dificultou a criação de seguros padronizados.
Mogi das Cruzes foi escolhida para o piloto por sua importância na produção agrícola. O município reúne cerca de 6 mil hectares dedicados ao cultivo de hortaliças e responde por aproximadamente 5% da produção paulista, sendo o principal pólo da bacia do Alto Tietê e com forte participação no abastecimento da Grande São Paulo. Eventos climáticos, como granizo, podem gerar prejuízos importantes para os produtores locais.
A estimativa da Mapfre é que aproximadamente 1,4 mil produtores possam ser beneficiados diretamente pela nova modalidade. Entre as culturas mais suscetíveis a perdas por granizo na região estão alface, couve, escarola e repolho, itens de alto giro comercial e baixa tolerância a intempéries. A cobertura prevê indenização para danos parciais e totais provocados por esse tipo de evento climático.
Outro ponto que pode estimular a adesão é o incentivo municipal já existente. Mogi das Cruzes está entre os poucos municípios do país que oferecem subsídio para a contratação de seguro rural, o que ajuda a reduzir o custo final para o produtor.
Para Fabio Damasceno, diretor de seguro rural da Mapfre, o projeto também serve como base para o desenvolvimento de soluções semelhantes em outras regiões. “O mercado de hortaliças sempre apresentou desafios técnicos, mas também tem grande potencial. Nosso objetivo é criar um modelo viável que possa ser replicado em outros polos produtores, respeitando as particularidades de cada região“, afirma.
InPress Porter Novelli
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