O seguro de carga é um dos principais instrumentos de proteção financeira no transporte de mercadorias no Brasil, especialmente em um cenário marcado pelo aumento dos roubos de carga e de outros sinistros logísticos. Diante desse contexto, compreender quanto custa o seguro de carga, como ele é calculado e quais fatores influenciam o valor da apólice tornou-se essencial para empresas que dependem da cadeia logística para manter suas operações e resultados financeiros.
Segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), entre janeiro e setembro de 2025, as indenizações pagas pelas seguradoras somaram R$ 417,9 milhões, o que representa um crescimento de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço é reflexo direto do aumento dos sinistros, sobretudo, aqueles relacionados aos roubos de carga, que seguem pressionando o mercado segurador. Quanto maior o volume de indenizações pagas, maior tende a ser o valor do seguro, já que as seguradoras ajustam os preços para equilibrar o aumento do risco.
Para João Paulo Barbosa, especialista em seguro de cargas e sócio-diretor da Mundo Seguro, os dados refletem uma mudança no dia a dia das empresas que transportam mercadorias no país. “O aumento dos riscos deixou de ser algo pontual e passou a fazer parte da operação, o que obriga as empresas a reverem como lidam com prejuízos e imprevistos. Ou seja, o seguro de carga passa a funcionar menos como exigência contratual e mais como um instrumento para manter o negócio de pé quando algo dá errado”, resume.
Nesse cenário, entender como o seguro de carga é estruturado, e por que ele custa o que custa, se torna parte importante.
Como o seguro de carga é calculado
Ao contrário do que muitos empresários ainda acreditam, o seguro de carga não segue uma tabela fixa. Cada apólice nasce de uma leitura detalhada do risco da operação logística, que muda conforme o tipo de mercadoria, a rota e a forma como o transporte é conduzido no dia a dia.
Entram nessa conta fatores como o valor da carga, se o produto é mais visado para roubo, o modal utilizado, o histórico de sinistros da empresa ou da transportadora e até os trechos percorridos. Pequenas decisões operacionais, como mudar uma rota ou terceirizar um transporte, podem alterar significativamente o custo do seguro.
Segundo o CEO da Mundo Seguro, o prêmio reflete exatamente o nível de exposição ao risco. Operações pouco organizadas, sem controle de rota ou histórico de perdas, acabam pagando mais porque oferecem menos previsibilidade às seguradoras. “O seguro não encarece do nada. Ele fica caro quando a operação é uma caixa-preta, sem dados, sem padrão e sem gestão”, explica.
Ainda para o especialista, entender como esse cálculo funciona vai além de economizar no valor da apólice. É uma forma de enxergar fragilidades da própria operação logística. “Quando a empresa entende por que o seguro custa aquele valor, ela começa a perceber onde está se expondo mais do que deveria. Muitas vezes, ajustar o processo, rota ou parceiro logístico reduz o risco, e o seguro acompanha essa melhora”, conclui João Paulo Barbosa.
Publika.aí Comunicação
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