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08 Oct

A COP30 e o papel estratégico do seguro na construção de um Brasil resiliente

19 de novembro de 2025
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Vivenciar a Casa do Seguro, nossa “Embaixada do Seguro” durante a COP30, organizada pela Confederação Nacional das Seguradoras, reforçou a convicção de que não existe agenda climática eficaz sem reconhecer o papel estratégico do setor de seguros na proteção de pessoas, na resiliência econômica e na mobilização de investimentos sustentáveis.

Em um ano em que o mundo registrou US$ 368 bilhões em perdas decorrentes de desastres naturais, com apenas 40% segurados, a urgência de ampliar a proteção ficou explícita. No Brasil, as perdas acumuladas entre 2014 e 2024 chegaram a R$ 327,4 bilhões no setor privado, afetando a agricultura, pecuária, comércio, indústria e serviços. Só em 2024, foram 1.690 desastres naturais — mais de quatro por dia — incluindo incêndios florestais que afetaram 15,4 milhões de pessoas e chuvas extremas no Rio Grande do Sul que causaram prejuízos próximos a R$ 100 bilhões, dos quais apenas 6% estavam segurados.

Esses números revelam uma fragilidade estrutural. O seguro não pode ser visto apenas como indenização, mas como ferramenta de política pública, redução de vulnerabilidades e incentivo à adaptação climática. Com R$ 2,3 trilhões em ativos financeiros, equivalentes a 26% da dívida pública, o setor tem capacidade real de impulsionar investimentos em infraestrutura resiliente, agricultura sustentável, soluções baseadas na natureza e tecnologias de baixo carbono.

Na Casa do Seguro, ficou evidente que o mercado brasileiro está preparado para oferecer respostas e ações estratégicas. Mas também é preciso encarar um outro grande desafio: o Brasil ainda é um país subprotegido. Apenas 17% das residências têm seguro, 16,6% da frota automotiva é segurada e menos de 8% da área agrícola possui cobertura.

Essa realidade amplia as desigualdades, compromete a capacidade de reconstrução e aumenta a dependência de ações emergenciais do Estado. A COP30 evidenciou que nenhum país será capaz de enfrentar o clima extremo sem instrumentos financeiros que amparem sua população e permitam retomada rápida após eventos severos.

No Pará, ouvindo povos originários, pesquisadores e empresários, ficou evidente que a transição climática é tão social quanto ambiental. E o seguro pode — e deve — ser um dos motores dessa transformação, ajudando a proteger vidas, garantir continuidade produtiva e direcionar capital para atividades sustentáveis.

Minha convicção após a COP30 é clara: o seguro não é consequência do desenvolvimento sustentável. Ele é condição para que ele aconteça. A Casa do Seguro mostrou a maturidade do setor e seu compromisso com essa agenda. Agora, precisamos transformar essa convergência em políticas permanentes e ampliar o acesso à proteção. O clima não espera. E o Brasil tem a oportunidade de liderar, desde que compreenda que resiliência começa pela capacidade de se proteger.

VOZ Comunicação

*Por Edmir Ribeiro, presidente do Sindsegnne

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