A escolha entre proteger o carro com um seguro ou arcar apenas com a manutenção preventiva/corretiva tem um claro vencedor no cenário econômico brasileiro, ou seja, o seguro auto. Diante da instabilidade e da fragilidade da infraestrutura viária nacional, o custo de uma apólice deixa de ser uma despesa e se consolida como uma medida inadiável de sobrevivência financeira.
Gustavo Bentes, presidente do Sincor-MG, reforça que o seguro é a transferência do risco de perda total, um custo que a manutenção não consegue absorver. “A visão deve ser de investimento em proteção, e não apenas custo”, propõe.
No Brasil, o seguro auto, em suas diversas modalidades, deixa de ser um luxo para se tornar uma necessidade inadiável. O custo médio anual de uma apólice pode variar significativamente, ficando, em 2024, na faixa de R$ 1.800 a R$ 3.500 para modelos populares, mas a ausência dele pode significar a perda integral do veículo em caso de sinistro grave (como roubo/furto ou perda total por colisão), um prejuízo que a manutenção preventiva jamais cobriria.
Segundo explicações de Bentes, as modalidades de seguro, desde o compreensivo (cobertura total contra colisão, incêndio, roubo/furto e danos a terceiros) até as opções mais simplificadas, como as de furto e roubo, permitem ao consumidor modular a proteção de acordo com seu poder aquisitivo. “A importância reside na transferência do risco. O seguro não é apenas uma garantia de indenização, é a tranquilidade de saber que, no pior cenário, seu patrimônio não será consumido”, afirma.
Desafio da infraestrutura
Em contrapartida, a manutenção é um gasto contínuo e essencial. A manutenção preventiva de um carro popular pode consumir em média R$ 1.200 a R$ 1.700 por ano, mas a manutenção corretiva, decorrente de falhas negligenciadas ou acidentes, pode escalar rapidamente para milhares de reais.
Um fator crucial que amplifica o custo de manutenção no Brasil é a qualidade deficiente da infraestrutura viária. Estradas e ruas esburacadas, sem sinalização adequada ou com pavimentação irregular forçam o desgaste prematuro de pneus, suspensão, rodas e demais componentes do veículo.
“A má condição das nossas estradas e ruas é um custo embutido no carro do brasileiro”, pontua o presidente do Sincor-MG. “O motorista acaba pagando por uma manutenção corretiva constante, uma despesa não planejada que corrói o orçamento, e que muitas vezes, se não tiver a cobertura adequada, tem que ser arcada totalmente pelo proprietário”.
“Diferente do seguro (que tem um prêmio anual fixo), as despesas com manutenção corretiva devido a problemas de infraestrutura são imprevisíveis e podem surgir a qualquer momento, desestabilizando o orçamento doméstico”, observa Bentes.
Equilíbrio financeiro
Apesar de a manutenção ter um impacto recorrente e previsível no orçamento (IPVA, licenciamento, revisões etc.), o seguro auto, embora pareça um gasto maior anualmente, tem um papel de segurança financeira insubstituível. O custo de um sinistro sem cobertura, como um roubo ou uma colisão com perda total, pode ser 10 a 20 vezes maior que o valor da apólice anual.
Bentes acentua que a principal mensagem é que não se trata de uma competição, mas de uma complementaridade estratégica. “O investimento em seguro deve ser priorizado como proteção de capital contra catástrofes, enquanto a manutenção é o zelo operacional que reduz a frequência de acidentes e falhas mecânicas”. Bentes pontua que ambos são essenciais, mas em termos de potencial de perda financeira abrupta e total, “o seguro auto é o que mais alivia o peso no bolso do brasileiro, transformando um risco colossal em um custo administrável”.
Komunic
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