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08 Oct

Estudo mostra que metade dos prejuízos climáticos não tem cobertura de seguros

17 de novembro de 2025
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O avanço das mudanças climáticas está provocando prejuízos cada vez maiores e pressionando o mercado global de seguros. É o que conclui um estudo da MAPFRE Economics, que será apresentado nesta terça-feira (18/11) na ‘Casa do Seguro’, durante a programação da COP30 em Belém (PA). O levantamento  mostra que menos da metade das perdas econômicas causadas por desastres naturais no mundo têm cobertura de seguro.

Segundo o relatório, intitulado “Mudanças Climáticas,Riscos Extraordinários e Políticas Públicas”, apenas 48% dos prejuízos globais registrados durante o ano de 2024 foram devidamente indenizados. O restante, que equivale a cerca de 191 bilhões de dólares, ficou descoberto, causando prejuízos a pessoas físicas e jurídicas.

“Os desastres estão se tornando mais intensos e frequentes e, em alguns casos, de dimensão sistêmica“, afirma a diretora de sustentabilidade da MAPFRE, Fátima Lima. “Nenhum governo ou empresa pode lidar com isso sozinho. Fechar essa brecha é um desafio de política pública“, alerta a executiva.

O relatório aponta ainda que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média 1,6°C acima dos níveis pré-industriais. O fenômeno El Niño, em intensidade recorde, provocou secas na Amazônia, redução do nível do Canal do Panamá e chuvas extremas em todo o continente americano.

Esses episódios, somados a ondas de calor, incêndios e tempestades cada vez mais violentas, elevaram o custo dos seguros e aumentaram a incerteza sobre os riscos futuros. “O impacto climático já não é só ambiental, é econômico“, afirma a diretora da MAPFRE.

De acordo com o estudo, as perdas globais por desastres naturais chegaram a 368 bilhões de dólares em 2024, número semelhante ao de 2023 (397 bilhões de dólares) e 20222 (365 bilhões de dólares). A maior parte veio de eventos de menor intensidade, mas mais recorrentes, os chamados “riscos secundários”, como granizo, vendavais e enchentes, que são fenômenos da natureza comuns no Brasil.

Brecha maior em países pobres

A chamada lacuna de proteção, que é a diferença entre o total de perdas econômicas causadas pelas catástrofes e a quantia efetivamente coberta pelos seguros, é mais profunda nos países em desenvolvimento. Na Ásia, apenas 17% das perdas estão seguradas, e na América Latina a proporção é de 19%.

Em países como o Brasil, o relatório aponta que o crescimento urbano desordenado, a ocupação de áreas vulneráveis e a falta de infraestrutura de prevenção ampliam o impacto das catástrofes. Mesmo na Europa, onde o mercado é mais consolidado, quase 70% dos prejuízos ainda ocorrem sem cobertura. Já a América do Norte e a Oceania apresentam as menores lacunas de proteção do mundo, com 43% e 41% das perdas permanecendo descobertas, respectivamente.

Para os especialistas da MAPFRE, o avanço do aquecimento global pressiona o setor de seguros de duas formas: eleva o custo das indenizações e torna mais difícil precificar os riscos futuros.”O seguro é um amortecedor importante, mas precisa estar conectado a políticas de adaptação e prevenção para poder ter estabilidade“, explica Fátima, da MAPFRE.

Ações para reduzir riscos

O relatório da MAPFRE Economics recomenda que governos e empresas adotem medidas conjuntas para ampliar a cobertura e reduzir vulnerabilidades. Entre as propostas estão parcerias público-privadas, uso de seguros paramétricos, que pagam indenizações automáticas com base em índices climáticos, melhoria dos dados de risco e incentivos à prevenção.

O estudo também cita o potencial de instrumentos como títulos catastróficos e bônus verdes para financiar ações de adaptação climática e fortalecer a resiliência econômica. “O seguro é uma das principais ferramentas de proteção econômica diante das mudanças climáticas, mas ele precisa fazer parte de uma estratégia integrada“, alerta Fátima.

A apresentação do estudo na ‘Casa do Seguro’, espaço da CNSeg (Confederação Nacional de Seguros) dentro da COP30, reunirá representantes do setor financeiro, autoridades e especialistas em sustentabilidade, como Ricardo González García, diretor de análise e estudos setoriais da MAPFRE Economics Espanha e coautor do estudo; Vinicius Brand, subsecretário do Ministério da Fazenda; o físico Paulo Artaxo, professor da USP e membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática); Carlos “Cacá” Takahashi, chairman da BlackRock Brasil e vice-presidente da ANBIMA, além da moderadora Mónica Zuleta, diretora corporativa de sustentabilidade da MAPFRE.

Baixe a íntegra do estudo aqui.

InPress Porter Novelli

Foto: Fátima Lima – Diretora de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil

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