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25 Feb

Bolha das empresas não vê sustentabilidade da vida real

4 de novembro de 2024
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As métricas de combate ao racismo e a todas as formas de discriminação dentro do ambiente corporativo nem sempre são claras. Apesar de serem ações que vão além do ESG, os números ainda apontam baixa representatividade de pessoas negras, sobretudo mulheres, em posições de liderança nas grandes corporações brasileiras.

A Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial é o maior movimento para a promoção da equidade da América Latina e conta com o mais preciso indicador de mercado para avaliar de maneira objetiva a ação das companhias com relação à temática racial. No Brasil, já são mais de 60 grandes empresas signatárias e que utilizam esse índice para suas tomadas de decisão.

“Há um movimento de mudança em andamento e empresas engajadas em realizar sua transformação. Entretanto, o tema é complexo e somente boa vontade não basta. É importante apontar que ESG não é apenas meio ambiente. E sustentabilidade não é só carbono. Temos pessoas que estão diretamente envolvidas”, diz Raphael Vicente, diretor geral da organização e professor convidado da Fundação Dom Cabral.

Ecoa: Você acha que existem distorções no conceito de sustentabilidade no Brasil?

Raphael Vicente: Sim. Tratamos temas como direitos humanos, justiça social, justiça climática, racismo ambiental e sustentabilidade como se fossem realidades paralelas. A sustentabilidade não é só o C do carbono. Estamos falando de uma conta que sempre termina nas pessoas.

Ecoa: E como as empresas tratam disso?

Raphael Vicente: Fizemos um estudo com todas as nossas empresas associadas e todas listadas na B3. Aproximadamente 500 das maiores empresas do Brasil. Descobrimos que nenhuma delas leva em consideração o tempo de deslocamento do colaborador de casa ao trabalho e vice-versa. Estamos falando de pessoas que moram em regiões afetadas pelos eventos climáticos extremos, de periferias. Se a empresa não sabe nem onde o colaborador mora, como ela vai cruzar o risco da área e se preparar para eventualidades? Que sustentabilidade é essa?

Ecoa: Seria uma interdisciplinaridade entre as três letras do ESG.

Raphael Vicente: Sim. Precisamos preparar as empresas brasileiras para essa discussão. Vou te dar um exemplo: 70% das moradias irregulares que estão nas regiões de mananciais de São Paulo são ocupadas por pessoas negras. É disso que trata o racismo ambiental, mas o Brasil pouco sabe.

Ecoa: Vocês mostram este caminho das pedras para as corporações?

Raphael Vicente: Não somos prestadores de serviço. Estamos nas empresas para construir junto algo disruptivo, criar algo novo. Criamos o Índice de Equidade Racial que foi construído em 2019 e hoje é uma referência nacional. A gestão dos programas de diversidade e inclusão racial nas empresas passaram a ter uma ferramenta que lhes confere não só objetividade como a possibilidade de mensuração e gerenciamento, tornando possível observar a conjuntura da empresa, por meio, inclusive, do histórico e da referência do mercado. Acreditamos em pedra, cimento e areia. Demora pra construir, mas chegamos lá.

Ecoa Negócios Sustentáveis

Foto: Raphael Vicente, diretor geral da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial.

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