Evento realizado pela Federação Nacional da Saúde Suplementar (FenaSaúde) reuniu mais de 100 profissionais em São Paulo para debater atenção primária à saúde na Saúde Suplementar. Entre os presentes estavam jornalistas da grande imprensa e do trade de seguros, assessores de imprensa, representantes de instituições do setor e de operadoras de planos de saúde associadas à Federação. Na abertura do evento, João Alceu Amoroso Lima, presidente da FenaSaúde, ressaltou a importância da Atenção Primária à Saúde (APS), como instrumento de promoção à saúde e melhoria na qualidade do atendimento ofertado ao beneficiário. “Há 20 anos, quando a saúde privada começou a falar sobre atenção primária, tendo a figura do médico de família como o elo entre o paciente e seu tratamento, houve críticas relacionadas à restrição de acesso. Não houve o entendimento de que queremos usar a APS, como ferramenta para melhorar a qualidade do atendimento ao beneficiário”, assinalou.
Para Gustavo Gusso, professor de Clínica Médica e Propedêutica da Universidade de São Paulo (USP), a essência da APS pressupõe quatro requisitos: acesso, coordenação, longivitude e cuidado abrangente. Gusso, ressaltou que a atenção primária visa principalmente facilitar e qualificar o acesso do paciente. “A secundária praticamente não existe porque a jornada já passa pelo especialista. A APS deve ter um médico generalista e um especialista, no chamado atendimento compartilhada. A vantagem do médico de família é justamente conhecer o paciente”, ressaltou.
Rodrigo Aguiar, diretor de Desenvolvimento Setorial da agência, destacou o trabalho de mais de um ano da ANS para incentivar a adoção da Atenção Primaria à Saúde por parte das operadoras de planos. “O objetivo com a coordenação do cuidado é promover a qualidade em saúde, fazendo com que seja seguro, efetivo e focado no paciente”.
José Cechin, diretor executivo da FenaSaúde, reconheceu haver algumas barreiras para a adoção desse modelo assistencial. “A prática da APS passa pela mudança de cultura em todos os níveis”, frisou. De acordo com ele, nas empresas que desenvolvem atenção primária, o índice de resolutividade é de 90%, enquanto a retenção de beneficiários também ultrapassa os 90%. Nessas operadoras, houve queda de 20% no número de internações em relação às que não têm programas desse tipo. Além disso, entre os idosos, houve redução de 67% dos pacientes crônicos e 65% nas internações. Na área de oncologia, informou que a adesão ao tratamento cresceu 44% e o índice de satisfação está em 98%.
Direito do Consumidor
O painel “Defesa do Consumidor”, foi dividido entre Ricardo Morishita, professor de Direito do Consumidor e presidente do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP Pesquisas), e Juliana Pereira, diretora executiva de Clientes da Qualicorp. Morishita destacou que, se o momento é de transição de modelos – assistencial e de remuneração –, é fundamental que o consumidor seja informado com qualidade para que possa decidir sobre em qual modelo deseja estar. “Precisamos dar confianças às pessoas com a coragem moral de enfrentar essa desconfiança, com comunicação de qualidade que permita ao consumidor a liberdade de escolha”, sublinhou.
Juliana lembrou que o sistema vigente, com a carteirinha que facilita o acesso e o livro que liga o beneficiário à rede, permite que o consumidor tenha acesso ao cuidado, mas não resolve a necessidade dos pacientes, por causa do fato de o cuidado ser fragmentado, o que faz com que as pessoas fiquem perdidas no sistema de saúde. “Esse cuidado precisa ser mais integrado e coordenado. O quarto elemento desse processo é o engajamento. Não podemos tratar o beneficiário com mero pagador de boleto”, enfatizou.
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