00:00:00
06 Feb

Como seguradoras estão redesenhando seu futuro digital

6 de fevereiro de 2026
89 Visualizações

A modernização de sistemas legados complexos tornou-se um dos maiores desafios estratégicos para bancos e seguradoras na América Latina. Em um setor onde estabilidade, segurança e conformidade regulatória são inegociáveis, o core tecnológico – muitas vezes baseado em mainframes com décadas de operação – sustenta operações críticas que movimentam bilhões de transações diariamente. Ao mesmo tempo, a pressão por eficiência, escalabilidade e inovação digital cresce de forma exponencial, impulsionada por novos entrantes, clientes mais exigentes e margens cada vez mais estreitas.

Estudos de mercado indicam que sistemas baseados em mainframe ainda processam a maior parte das transações bancárias globais, especialmente em operações de missão crítica, como liquidação financeira, crédito e seguros. Além disso, dados do setor mostram que o custo de manutenção de sistemas mainframe pode consumir até 75% do orçamento de TI de grandes instituições financeiras, deixando recursos limitados para inovação. Isso ajuda a explicar por que a migração do mainframe para ambientes de cloud, sejam públicos, privados ou híbridos, deixou de ser uma discussão puramente tecnológica e passou a ocupar o centro das decisões de negócio. Não se trata apenas de migrar sistemas, mas de garantir continuidade operacional, resiliência e governança enquanto se prepara a base para o futuro.

Nesse contexto, a modernização de sistemas core exige uma abordagem pragmática e incremental. Bancos e seguradoras não podem se dar ao luxo de “desligar e religar” seus sistemas. O desafio está em modernizar sem interromper, desacoplar funcionalidades críticas, reescrever aplicações de forma inteligente e, sobretudo, acelerar esse processo sem comprometer a segurança ou a experiência do cliente. É aqui que a combinação entre cloud, arquitetura orientada a serviços e automação avançada ganha protagonismo.

O caminho desejado já é desenhado, paralelamente, por fintechs e neobancos construídos nativamente em cloud, que demonstram capacidade de lançar novos produtos em semanas, enquanto instituições tradicionais levam meses ou anos. Esta disparidade na velocidade de inovação não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas de sobrevivência competitiva. Entretanto, a migração destes sistemas não pode ser tratada como um projeto tecnológico convencional: cada linha de código COBOL em produção representa décadas de regras de negócio, conformidade regulatória e conhecimento institucional cristalizado em lógicas que frequentemente não estão completamente documentadas.

A Inteligência Artificial (IA) Generativa e os agentes inteligentes emergem como aceleradores decisivos dessa jornada. Essas tecnologias já demonstram capacidade de analisar grandes volumes de código legado, identificar dependências, sugerir refatorações e até gerar novos componentes compatíveis com arquiteturas modernas. Mais do que eficiência técnica, a IA permite ganhos expressivos de produtividade e velocidade, reduzindo riscos humanos e encurtando ciclos que antes levavam anos. Para o mercado financeiro, isso representa modernização com previsibilidade – um ativo tão valioso quanto a inovação em si.

Do ponto de vista do modelo comercial, essa evolução tecnológica viabiliza uma mudança estrutural na forma como projetos de modernização são contratados e entregues. Em vez da tradicional precificação baseada em alocação de pessoas, ganha força um modelo orientado à entrega, produtividade e aceleração, sustentado por ferramentas, plataformas de IA e agentes especializados. Esse movimento não apenas aumenta a transparência e a eficiência dos projetos, como também cria condições mais sólidas para garantia de margem e compartilhamento real de ganhos com os clientes.

Para CEOs que atuam globalmente e mantêm parcerias estratégicas com as principais Big Techs, o desafio adicional é orquestrar esse ecossistema de forma coerente. A escolha da tecnologia certa é importante, mas a capacidade de integrá-la a uma visão de negócio clara é o verdadeiro diferencial. Modernizar legados, nesse cenário, é menos sobre ferramentas isoladas e mais sobre governança, arquitetura e decisões estratégicas bem alinhadas ao contexto regulatório e operacional de cada país.

Equilibrar inovação, segurança, eficiência operacional e continuidade de negócio é, desta forma, o grande exercício de liderança no setor financeiro e de seguros. Os clientes querem – e precisam – reduzir custos, aumentar eficiência e ganhar agilidade, sem renunciar à confiabilidade que sustenta sua reputação. Companhias de tecnologia que assumem esse compromisso, apoiadas por IA, automação e modelos comerciais mais inteligentes, deixam de ser fornecedoras e passam a atuar como parceiras estratégicas na construção do futuro digital do mercado financeiro.

A modernização de legados não é apenas um projeto de tecnologia, mas uma decisão de longo prazo sobre competitividade, sustentabilidade e relevância. Para bancos e seguradoras da América Latina, o futuro já começou – e ele exige coragem para transformar, disciplina para proteger o core e visão estratégica para extrair valor real da inovação.

ads Comunicação

*Por Alessandro Buonopane, CEO Latam e Brasil da GFT Technologies

You may be interested

Encontro de Resseguro: reta final para ingressos de 1º lote
Resseguro
87 Vizualizações
Resseguro
87 Vizualizações

Encontro de Resseguro: reta final para ingressos de 1º lote

Publicação - 6 de fevereiro de 2026

O prazo está se esgotando para quem deseja participar do 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro com condições especiais. As inscrições do primeiro lote, com valor promocional,…

Alliadoz: Allianz promove lançamento da edição 2026
Allianz
84 Vizualizações
Allianz
84 Vizualizações

Alliadoz: Allianz promove lançamento da edição 2026

Publicação - 6 de fevereiro de 2026

Com o objetivo de divulgar as novidades do programa Alliadoz 2026, a Allianz Seguros iniciou um tour por diferentes cidades de Minas Gerais e da região Centro-Oeste do país. A…

Profissionais do Carnaval precisam redobrar cuidados para proteger equipamentos caros
Sindsegnne
76 Vizualizações
Sindsegnne
76 Vizualizações

Profissionais do Carnaval precisam redobrar cuidados para proteger equipamentos caros

Publicação - 6 de fevereiro de 2026

Enquanto milhões de foliões tomam as ruas em busca de alegria, música e tradição, um grupo de profissionais vive o Carnaval de forma muito diferente: com olhos…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin