“Não há mais espaço para o negacionismo climático.” A afirmação marcou a participação do presidente da CNseg, no Fórum Econômico Brasil-França, realizado nesta sexta-feira (4), em Paris. Para Dyogo Oliveira, o setor de seguros está entre os mais diretamente impactados pelo avanço dos eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e com consequências mais graves.
Em 2024, as perdas globais associadas a fenômenos naturais somaram US$ 368 bilhões. Desse total, US$ 145 bilhões foram pagos em indenizações pelo setor de seguros. No Brasil, as enchentes no Rio Grande do Sul resultaram em R$ 6 bilhões pagos em indenizações, além de R$ 4 bilhões cobertos pelo Seguro Rural.
Dados da CNseg mostram que, nos últimos dez anos, 94% dos municípios brasileiros decretaram emergência ou calamidade por conta de desastres naturais. Para Oliveira, essa nova realidade climática compromete os modelos tradicionais de precificação de risco, tornando-os menos confiáveis. “As séries históricas já não servem como parâmetro. É preciso ajustar os modelos atuariais para incorporar os eventos extremos”, afirmou.
Ele também defendeu que o setor tem um papel a cumprir não apenas na reparação de danos, mas na adaptação às mudanças do clima. “Mesmo com esforços de mitigação, parte das transformações já ocorreu. Precisamos estar preparados”, disse.
A baixa penetração do seguro no Brasil foi outro ponto abordado. Enquanto na França cerca de 97% dos imóveis residenciais têm cobertura contra danos climáticos, no Brasil esse índice é de apenas 15%.
Entre as propostas da CNseg para ampliar o acesso e a resiliência da sociedade, estão: a criação de um seguro social contra catástrofes voltado às famílias vulneráveis; e a emissão de títulos verdes (green bonds) pelo Tesouro Nacional, que poderiam ser utilizados por seguradoras para financiar infraestrutura resiliente.
A CNseg também prepara sua participação na COP30, em Belém, com a “Casa do Seguro”, onde será lançado um hub de dados climáticos do setor. A iniciativa visa melhorar o entendimento sobre os impactos das mudanças climáticas e contribuir para decisões técnicas e políticas mais eficazes.
Oliveira destacou ainda a importância de ampliar a cobertura do Seguro Rural, que hoje protege apenas 6% da área plantada no país. Uma proposta em debate com o Governo Federal prevê a criação de um fundo de estabilização para expandir o acesso ao seguro no campo.
Hub dados climáticos
Oliveira anunciou a criação de um hub de dados climáticos do setor de seguros, na COP30. A iniciativa busca aprimorar a compreensão dos eventos climáticos e seus impactos, permitindo uma precificação mais precisa dos riscos. “Com dados mais robustos, o setor pode avaliar melhor os danos e reduzir o gap de proteção”, afirmou.
Ele destacou ainda a urgência de ampliar o seguro rural, que hoje cobre apenas 6% da área plantada no país. Segundo Oliveira, está em discussão com o Governo e o Congresso a criação de um fundo de estabilização e o aumento dos subsídios para produtores. O presidente da CNseg também reforçou a importância da emissão de green bonds pelo Tesouro Nacional, denominados em reais, como forma de atrair investimentos do setor segurador em projetos sustentáveis.
O painel no Fórum Econômico Brasil-França foi moderado por Ana Paula Repezza, diretora de negócios da ApexBrasil, e contou com a participação de Ricardo Mussa (presidente da Sustainable Business COP), Ana Costa (vice-presidente da Natura), Walmir Soller (vice-presidente da Braskem para América do Norte, Europa e Ásia), Rémy Rioux (CEO da Agence Française de Développement – AFD) e Guy Sidos (CEO da VICAT e vice-presidente do MEDEF International).
Assessoria de Imprensa CNseg
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