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11 Sep

Super El Niño aumenta alerta para o agro brasileiro e reforça importância do Seguro Rural

11 de setembro de 2026
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O avanço do fenômeno El Niño, com possibilidade de configuração como um dos eventos mais intensos já registrados, coloca o agronegócio brasileiro diante de um cenário de maior atenção aos riscos climáticos. As previsões mais recentes dos órgãos oficiais indicam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno apresente intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro, com permanência prevista pelo menos até o início de 2027.

Os efeitos, no entanto, não devem ser iguais em todo o País. Enquanto a Região Sul tem maior probabilidade de registrar chuvas acima da média, áreas do Norte, Nordeste e parte do Brasil Central devem enfrentar um cenário mais seco, acompanhado de temperaturas acima da média. A combinação pode aumentar o déficit hídrico, afetar pastagens e culturas agrícolas e elevar o risco de queimadas e incêndios.

Para o setor agropecuário, a perspectiva reforça a necessidade de planejamento e de instrumentos capazes de reduzir os impactos financeiros provocados por eventos climáticos adversos. Entre eles está o Seguro Rural, que permite ao produtor proteger parte do investimento realizado na atividade e ter maior previsibilidade diante de perdas provocadas por fenômenos como seca, excesso de chuva, granizo e outros eventos previstos nas diferentes modalidades de cobertura.

O produtor rural trabalha com uma variável que não está sob seu controle: o clima. Ele pode planejar o plantio, investir em tecnologia, melhorar a produtividade e adotar medidas de prevenção, mas não consegue controlar uma seca prolongada ou um excesso de chuva. Por isso, o Seguro Rural precisa ser encarado como uma ferramenta de gestão de risco e de sustentabilidade da própria atividade“, afirma Juliano Patiu, representante do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne).

Segundo Patiu, em um cenário de maior frequência e intensidade dos eventos climáticos, ampliar a proteção securitária é importante não apenas para o produtor individualmente, mas para toda a cadeia do agronegócio. “Quando uma perda climática acontece, o impacto não fica restrito à propriedade. Ele pode comprometer a renda do produtor, sua capacidade de honrar compromissos financeiros e o planejamento da próxima safra, além de gerar reflexos em toda a cadeia. O seguro ajuda a criar uma camada de proteção financeira para que o produtor consiga atravessar esses momentos e retomar sua atividade“, explica.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante do comportamento regional esperado para os próximos meses. De acordo com o Painel El Niño 2026-2027, coordenado por órgãos como INMET, INPE, ANA e Cemaden, a previsão para setembro, outubro e novembro aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Já o Norte e o Nordeste, além de áreas do Brasil Central e do Sudeste, apresentam maior probabilidade de chuvas abaixo da média. As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o País.

No Nordeste, o cenário merece atenção especial. A previsão de menor volume de chuvas e temperaturas elevadas pode comprometer cultivos em desenvolvimento e reduzir a disponibilidade hídrica para pastagens e pecuária. A combinação entre calor e menor precipitação também aumenta a necessidade de planejamento para o próximo ciclo agrícola.

Seguro Rural movimenta milhões nos estados do Norte e Nordeste

Os dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), referentes ao primeiro semestre de 2026, mostram que o Seguro Rural já possui participação relevante na economia dos estados do Norte e Nordeste. Em Pernambuco, a arrecadação chegou a R$ 21,25 milhões no período, crescimento de 11,2% em relação ao mesmo período anterior. As indenizações somaram R$ 1,32 milhão.

No Pará, a arrecadação alcançou R$ 80,86 milhões, mesmo com uma retração de 17,8%. O estado registrou R$ 6,63 milhões em indenizações, alta de 8,1%. Em Rondônia, foram R$ 80,59 milhões arrecadados, com R$ 16,40 milhões em indenizações, crescimento de 47,5%.

Entre os estados que apresentaram aumento expressivo nas indenizações está o Amazonas, onde o valor chegou a R$ 820 mil, alta de 79,5%, enquanto a arrecadação cresceu 13,6%, alcançando R$ 2,06 milhões. Em Roraima, as indenizações somaram R$ 770 mil, avanço de 73,5%, enquanto a arrecadação chegou a R$ 6,96 milhões.

O Amapá apresentou o maior crescimento proporcional da arrecadação entre os estados analisados, de 337,8%, chegando a R$ 1,78 milhão. As indenizações ficaram em R$ 80 mil no primeiro semestre. No Ceará, a arrecadação do Seguro Rural alcançou R$ 16,87 milhões, crescimento de 9,5%. Já Alagoas registrou R$ 9,20 milhões em arrecadação e R$ 510 mil em indenizações, com aumento de 177,6% no valor indenizado.

Para o representante do Sindsegnne, os números reforçam que o Seguro Rural precisa ser tratado como parte da estratégia de proteção do agronegócio, especialmente diante da maior imprevisibilidade climática.

O volume de indenizações observado em alguns mercados demonstra que estamos diante de riscos que efetivamente podem produzir impactos financeiros relevantes. Esses números, quando analisados em conjunto com a evolução da arrecadação e da exposição segurada, reforçam a importância de mecanismos de proteção financeira para a atividade rural“, afirma Patiu.

Na avaliação de Patiu, o cenário climático reforça a necessidade de mudar a percepção sobre o Seguro Rural. “Mais do que uma despesa, o seguro deve ser visto como uma ferramenta de planejamento. Em uma atividade tão dependente das condições climáticas, proteger o investimento realizado na produção significa também proteger a continuidade do negócio e a capacidade de o produtor permanecer produzindo depois de um evento adverso“, completa.

Patiu alerta ainda que a proteção securitária não se resume à contratação de uma apólice. “O produtor precisa compreender quais riscos estão efetivamente cobertos, quais são os limites de indenização, franquias, períodos de cobertura e demais condições do contrato. Em um cenário de eventos climáticos mais severos, a adequação da cobertura ao perfil da atividade econômica que está sendo desenvolvida e à exposição ao risco de cada região torna-se ainda mais relevante. O seguro não substitui as medidas de prevenção e de gestão adotadas pelo produtor rural, mas é um instrumento complementar. Quanto melhor o produtor conhecer sua exposição e adotar medidas para mitigá-la, mais estruturada tende a ser sua estratégia de proteção junto ao seguro contratado“, finaliza.

VOZ

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