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Encontro de Resseguros no RJ acontece abordando temas emergentes

22 de maio de 2026
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O 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro reuniu este ano, mais de 4.300 participantes. Organizado pela CNseg em parceria com a Fenaber, aconteceu no Hotel Windsor, Barra da Tijuca, nos dias 19 e 20 de maio. Contou com a presença de executivos, reguladores, especialistas e representantes do mercado nacional e internacional para dialogar sobre os principais desafios e oportunidades do setor diante de um cenário marcado por tantas mudanças, entre elas, climáticas, riscos cibernéticos, transformação regulatória, reforma tributária e instabilidade geopolítica global. O acontecimento é um dos principais fóruns estratégicos da indústria seguradora e resseguradora do país.

A abertura do evento foi liderada por Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, Rafaela Barreda, presidente da Fenaber e pelo superintendente da Susep, Alessandro Octaviani.,que foram unanimes em seus discursos, pois destacaram a necessidade de integração entre seguradoras, resseguradoras, governo e grandes empresas para enfrentar riscos cada vez mais complexos e desafiadores.

Dyogo Oliveira destacou que o ambiente econômico e climático exige uma atuação mais estratégica do setor e para ele, a parceria entre seguradoras e resseguradoras será decisiva para ampliar a capacidade de absorção de perdas e garantir estabilidade financeira diante da crescente frequência de eventos extremos.

“O setor segurador e ressegurador tem um papel fundamental na construção da resiliência econômica e social do país”, destacou Dyogo. Ele também alertou para a necessidade de acelerar investimentos em prevenção, inteligência de dados e modelagem de riscos climáticos, além de reforçar o diálogo regulatório para modernizar o ambiente de knegócios brasileiro.

Rafaela Barreda ressaltou que o mercado vive “uma nova fase”, impulsionada por mudanças regulatórias e pela necessidade de ampliar a proteção securitária no país e destacou que o resseguro exerce papel essencial para garantir estabilidade econômica e viabilizar investimentos em infraestrutura, energia, agronegócio e inovação.

“O resseguro é a engrenagem silenciosa da resiliência”, afirmou Rafaela, ao destacar que eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos e tensões geopolíticas passaram a exigir novas soluções de proteção e gestão de riscos. A executiva também defendeu maior aproximação entre o mercado brasileiro e os grandes centros globais de resseguros, além da ampliação da diversidade e da inovação no setor.

Alessandro Octaviani chamou atenção para os impactos das mudanças climáticas e afirmou que o Brasil precisará desenvolver estratégias mais amplas e profundas de compartilhamento de riscos, envolvendo mercado privado e poder público. Ele afirmou que a Susep trabalha em iniciativas voltadas à resiliência climática, infraestrutura e fortalecimento do mercado de seguros e resseguros. Como também, ressaltou que o atual volume do mercado brasileiro é pequeno diante do seu potencial. E que o avanço regulatório será fundamental para ampliar a confiança e expandir a capacidade de proteção securitária no país.

A reforma tributária também ocupou espaço importante nas discussões. Executivos e tributaristas demonstraram preocupação com possíveis impactos da CBS e do IBS sobre produtos securitários e operações de resseguro. O setor avalia que mudanças na tributação podem afetar custos operacionais, precificação de produtos e competitividade das companhias.

Durante os debates, representantes do mercado defenderam diálogo constante com o governo federal para evitar aumento da carga tributária sobre seguros, principalmente em um momento em que o país precisa ampliar a proteção da população e incentivar investimentos em infraestrutura e inovação.

Outro tema que despertou forte atenção foi a escalada dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seus reflexos sobre o mercado global de seguros e resseguros. Especialistas alertaram que guerras, ataques a rotas comerciais e instabilidade internacional podem pressionar custos de resseguro, elevar volatilidade financeira e impactar cadeias logísticas globais.

Os executivos presentes destacaram que tensões envolvendo Irã, Israel e regiões estratégicas para o comércio marítimo internacional aumentam o risco de interrupções no transporte de cargas, energia e commodities. Como consequência, segmentos como seguro marítimo, aeronáutico, energético e patrimonial podem sofrer aumento de custos e restrições de capacidade.

No painel “Ambiente de negócios e perspectivas para o mercado de resseguros no Brasil”, representantes da Munich Re, Lloyd’s e Austral Re analisaram justamente como inflação global, juros elevados e instabilidade geopolítica vêm influenciando decisões de investimento e apetite ao risco das resseguradoras internacionais.

Apesar do cenário desafiador, os executivos avaliaram que o Brasil permanece atrativo para investimentos em seguros e resseguros, especialmente em segmentos ligados à infraestrutura, energia renovável, agronegócio e riscos patrimoniais complexos. Também defenderam avanços regulatórios para aumentar a competitividade do país frente a outros mercados internacionais.

Outro destaque da programação foi a plenária dedicada às mudanças climáticas e ao papel do resseguro. O debate reuniu especialistas da CNseg, Susep, Cemaden, IRB(Re), Itaú Unibanco e representantes do governo federal. Os participantes alertaram que os eventos climáticos severos passaram a representar um dos maiores desafios para o setor segurador em escala global.

O climatologista José Marengo jogou luz e destaque para o aumento da intensidade de secas, enchentes e ondas de calor, enquanto executivos do mercado defenderam a criação de mecanismos de compartilhamento de riscos capazes de ampliar a proteção da população e das empresas. A discussão também abordou sustentabilidade, taxonomia verde, seguros paramétricos e financiamento climático.

Os debates evidenciaram ainda preocupação crescente com os riscos cibernéticos. Especialistas destacaram que ataques digitais têm se tornado mais sofisticados e frequentes, exigindo novas soluções de cobertura e maior integração entre tecnologia, prevenção e análise de dados. A inteligência artificial e o uso de analytics também apareceram como temas recorrentes, especialmente no desenvolvimento de produtos mais personalizados e na precificação de riscos complexos.

Outro painel relevante abordou o futuro da gestão de riscos em um mundo em transição. Executivos da Swiss Re, Aon, Vale e Braskem discutiram como grandes corporações vêm reformulando suas estratégias de proteção diante das transformações ambientais, tecnológicas e econômicas. O consenso entre os participantes foi que a gestão de riscos deixou de ser apenas operacional e passou a ocupar posição central nas decisões estratégicas das empresas.

Ao longo do encontro, o mercado também debateu a necessidade de ampliar a cultura do seguro no Brasil. Os participantes destacaram que o país ainda possui baixa penetração securitária em comparação com economias desenvolvidas, especialmente em áreas relacionadas a riscos climáticos, pequenas empresas e proteção patrimonial.

Ao final do evento, prevaleceu a percepção de que o setor entra em um novo ciclo de transformação. Mais do que discutir proteção financeira, o encontro reforçou a visão de que seguros e resseguros terão papel estratégico na estabilidade econômica, na adaptação climática e no financiamento do desenvolvimento sustentável. As lideranças encerraram a programação defendendo maior integração entre mercado, reguladores e sociedade para preparar o país para riscos cada vez mais complexos, imprevisíveis e globais.

*Por Márcia Kovacs

Foto: CNseg

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