Durante muito tempo, o tema da saúde mental foi tratado como um tabu dentro das organizações. Falava-se em produtividade, metas, desempenho, mas raramente em exaustão, ansiedade ou sofrimento emocional. Só que o mundo do trabalho mudou. A velocidade das transformações, o aumento da pressão por resultados e a hiperconectividade têm cobrado um preço silencioso. Hoje, o esgotamento não é exceção; é sintoma de um modelo que precisa ser repensado.
Os números deixam isso evidente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade geram a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, o que representa um impacto de aproximadamente US$ 1 trilhão na economia global, grande parte em perda de produtividade. No Brasil, entre 2003 e 2019, os transtornos mentais relacionados ao trabalho quase dobraram, conforme estudo publicado pelo PubMed Central (PMC, 2024). E, segundo dados recentes da Secretaria de Previdência, os transtornos mentais já estão entre as três principais causas de afastamento laboral no país.
O impacto, no entanto, vai muito além dos números. Cada colaborador afastado representa uma equipe sobrecarregada, um projeto que atrasa, um cliente que se frustra. É o tipo de custo que raramente aparece em planilhas, mas que pesa sobre os resultados de forma crescente. A saúde mental, portanto, não é apenas uma questão de bem-estar, é uma questão de sustentabilidade empresarial.
E é justamente aqui que a assistência médica corporativa ganha nova relevância. Por muito tempo, ele foi visto apenas como um benefício das empresas. Mas esse modelo está se transformando. As empresas mais maduras já compreendem que o benefício saúde e os programas de qualidade de vida e bem-estar podem e devem ser aliados estratégicos na prevenção, ajudando a reduzir afastamentos, apoiar colaboradores, além de proteger a continuidade dos negócios.
Na Lockton, temos acompanhado esse movimento de perto. Cada vez mais, empresas buscam estruturar programas de benefícios que integrem o cuidado com a saúde mental à sua estratégia de capital humano e ESG. Isso significa redesenhar planos de saúde e seguros para incluir triagens psicológicas, programas de acompanhamento e suporte contínuo, transformando o benefício saúde em um instrumento de gestão e não apenas de proteção.
Esse olhar preventivo transforma a lógica do seguro saúde: ele deixa de ser um custo e passa a ser um investimento em longevidade corporativa. Afinal, colaboradores saudáveis produzem mais, permanecem mais tempo na empresa e constroem relações de confiança.
O cuidado com a saúde mental também é uma mensagem poderosa sobre cultura e liderança. Quando a empresa decide investir nesse tema, ela sinaliza que reconhece a vulnerabilidade humana e entende que resultados sustentáveis dependem de pessoas em equilíbrio.
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*Por Leandro Romani, Diretor Médico da Lockton Brasil
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