À medida que escolas públicas e privadas se preparam para os desafios educacionais de 2026, a educação antirracista deixa definitivamente de ser uma pauta complementar e passa a ocupar um lugar central na agenda da gestão escolar. Para especialistas da Inaperê, consultoria educacional antirracista, o próximo ciclo exigirá das lideranças educacionais uma atuação mais estruturada, contínua e respaldada por políticas institucionais claras.
Segundo Leo Bento, sócio da Inaperê, o principal erro de algumas escolas ainda é tratar o antirracismo como um conjunto de ações pontuais. “Enquanto o combate ao racismo for visto como um projeto isolado ou restrito a datas comemorativas, ele não se sustenta. Em 2026, a gestão escolar precisa assumir que o antirracismo é critério de qualidade educacional e parte da identidade da instituição”, afirma.
Um dos primeiros pontos de atenção, de acordo com a consultoria, é a formação continuada das equipes. O letramento racial não pode depender exclusivamente da iniciativa individual de professores. “A escola precisa garantir que toda a comunidade escolar, da docência à equipe administrativa, tenha repertório para identificar o racismo estrutural e lidar com conflitos de forma ética e responsável”, explica Dedé Ladeira, sócia da Inaperê. “Quando a gestão assume esse compromisso, o professor deixa de se sentir exposto e passa a atuar com segurança pedagógica”, afirma.
Outro aspecto fundamental é a revisão dos documentos institucionais. O Projeto Político-Pedagógico (PPP), regimento escolar e códigos de conduta devem explicitar o compromisso com a educação das relações étnico-raciais, tipificando o racismo como infração grave e estabelecendo protocolos claros de prevenção e encaminhamento. Para Leo Bento, essa formalização é decisiva. “Documentos bem construídos protegem estudantes, famílias e educadores. Eles transformam a intervenção em casos de racismo em dever institucional, não em escolha pessoal”, salienta.
A Inaperê também destaca a importância de uma curadoria curricular consistente e da representatividade nos espaços de decisão. A história e a cultura afro-brasileira precisam atravessar todas as áreas do conhecimento, de forma transversal e contínua. “Além do currículo formal, existe o currículo vivo”, reforça Dedé Ladeira. “Quem ocupa cargos de liderança, quem é referência para os estudantes, também educa. A gestão precisa olhar para isso com intencionalidade”, pontua.
No relacionamento com as famílias, o desafio para 2026 será qualificar o diálogo em um contexto de resistências e polarização. A recomendação é ancorar a conversa na legislação vigente, nos direitos humanos e na excelência acadêmica. “Educação antirracista não é opinião, é lei e é ciência”, pontua Leo Bento. “Uma escola que ignora essa dimensão oferece uma formação incompleta e defasada”, destaca.
Para a Inaperê, gestores que se antecipam a esse debate não apenas cumprem a legislação, mas contribuem para a construção de ambientes escolares mais seguros, éticos e preparados para formar cidadãos críticos. “O antirracismo não é uma agenda do futuro. É uma urgência do presente”, conclui Dedé Ladeira.
Oficina de Relações Públicas
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