00:00:00
18 Apr

Negligência na amarração de cargas aumenta riscos nas estradas

15 de setembro de 2025
286 Visualizações

A negligência em relação à amarração de cargas no transporte rodoviário brasileiro tem sido um fator de risco permanente para a segurança nas estradas brasileiras, afirma Fernando Fuertes (foto), Engenheiro e Desenvolvedor de Novos Negócios da Acro Cabos, empresa especializada em equipamentos para elevação, amarração e movimentação de cargas.

Uma série de fatores tem contribuído para isso, como a falta de capacitação de motoristas, ausência de programas de inspeções periódicas de materiais e a cultura do improviso.

“O cenário no país é muito preocupante, porque são poucas as transportadoras que dão a devida atenção a esse aspecto do transporte de cargas”, explica Fuertes.

“É visível que falta desde conhecimento técnico até uma gestão mínima dos equipamentos de amarração e fixação, que muitas vezes estão completamente fora das normas de segurança. Isso inclui uso inadequado, desgaste excessivo e até remendos improvisados.”

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, em 2024 foram registrados 73.156 acidentes em rodovias federais, resultando em 6.160 mortes.

Veículos de carga estiveram envolvidos em 25,3% desses casos, mas concentraram 46,8% dos óbitos.

Embora não existam estudos locais sobre o quanto a amarração de carga contribui para esses números, o site da Comissão Europeia, em suas políticas de segurança rodoviária, estima que cerca de 25% dos acidentes com caminhões são causados pelo mau acondicionamento do volume transportado.

Transferência de responsabilidade

Fuertes afirma que em seus mais de 17 anos como especialista em amarração e elevação de cargas tem testemunhado todo tipo de erro no modo como cargas são acomodadas e fixadas para o transporte.

Ele explica que há uma transferência de responsabilidade para o condutor que, após o carregamento no embarcador, se torna o único responsável pela amarração da carga.

“Muitos desses profissionais não receberam a capacitação técnica adequada para aplicar princípios como distribuição de peso, inspeção dos equipamentos, planejamento e avaliação dos pontos de ancoragem na carroceria e programação de reaperto do tensionamento ao longo do trajeto”, exemplifica.

A cultura do improviso é um fator adicional, relata o engenheiro. Isso vai desde a utilização de equipamentos inadequados, fora do padrão, subdimensionados ou com avançados sinais de desgastes.

“Não é incomum vermos cintas rompidas reparadas com um nó, algo que, basicamente, reduz em mais de 50% sua capacidade de carga. Também é frequente cintas remendadas com costuras, um tipo de reparo que fere a norma e aumenta o risco de rompimento”, ilustra Fuertes, e revela:

“Já fizemos inspeções nas quais das 40 cintas de amarração que compunham o conjunto de um caminhão, 38 deveriam estar condenadas”.

O problema da normalização do desvio

Na visão do engenheiro, a alta rotatividade de motoristas nas transportadoras é um dos fatores que contribui para que não existam programas de treinamento.

Há também um desconhecimento sobre o grau de risco que isso pode representar, reforçado pelo que a ciência do comportamento de segurança chama de normalização do desvio.

Este é um tema muito estudado na aviação, que é quando uma decisão é tomada fora do procedimento e nada de grave acontece. Isso gera uma percepção errônea de que aquilo é seguro, fazendo com que o comportamento se repita, normalizando o desvio operacional.

Seguradoras e embarcadores já enxergam os riscos

Fuertes conta que, diferentemente do que se poderia pensar, quem mais tem procurado por treinamentos para amarração de carga e inspeção de equipamentos têm sido os grandes embarcadores e as seguradoras, e não as empresas de transporte.

“As seguradoras já têm uma visão clara dos riscos que a amarração de carga fora do padrão representa e, com o objetivo de prevenir perdas com sinistros, têm investido no desenvolvimento de ações para identificar melhorias em seus clientes”, revela o especialista.

“O mesmo tem acontecido com alguns embarcadores, que querem evitar prejuízos causados pelos danos que suas cargas podem sofrer.”

Entre as ações que buscam desenvolver está a avaliação de riscos na amarração feita pelos motoristas, treinamentos para capacitação e o desenvolvimento de documentação e manuais práticos.

Fuertes contextualiza que, apesar do cenário geral das transportadoras ser ruim, há muitas empresas do setor que levam esse aspecto da segurança a sério e investem na segurança do acondicionamento da carga, mas que ainda representam uma parcela minoritária do mercado.

Solução é adesão às normas e políticas de manutenção preventiva

A Resolução nº 945/2022 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) estabelece os requisitos de segurança para amarração de cargas. O texto diz que o uso de cintas têxteis, correntes ou cabos de aço devem atender a um fator de segurança mínimo de duas vezes o peso da carga, além de pontos de amarração adequados e proibição do uso de cordas, que só pode ser utilizada na fixação de lonas.

A norma também atribui ao condutor a verificação periódica e o reaperto do tensionamento durante o percurso.

Para Fuertes, uma operação verdadeiramente segura deve ir além da norma e incluir os equipamentos de amarração na programação de manutenção preventiva, com a mesma importância que se dá para pneus e freios, por exemplo.

“É preciso que se desenvolva uma cultura de segurança, de inspeções preventivas, de avaliação de riscos e de disseminação de conhecimento técnico básico. A amarração de cargas ineficiente tem sido por anos um risco ignorado, quase invisível, mas que com pouco investimento pode reduzir acidentes e perdas. Basta criar conscientização em toda a cadeia do transporte rodoviário”, conclui.

Intelligenzia

You may be interested

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1
Pasi
89 Vizualizações
Pasi
89 Vizualizações

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1

Publicação - 17 de abril de 2026

Pioneiro no mercado segurador em soluções para saúde mental no trabalho, o Seguro PASI, desde 2016 através da Central de Amparo, já oferece para os seus segurados…

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio
FenSeg
78 Vizualizações
FenSeg
78 Vizualizações

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio

Publicação - 17 de abril de 2026

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) participou do I Workshop de Fomento às Estatísticas de Incêndio 2026, realizado em São Paulo, a convite da Associação Brasileira…

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi
MDS Group
82 Vizualizações
MDS Group
82 Vizualizações

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi

Publicação - 17 de abril de 2026

O Grupo Ardonagh registrou em 2025 uma receita de 2,9 bilhões de dólares, com um EBITDA de 1,1 bilhão de dólares, consolidando sua posição entre os 15 maiores grupos…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin