Costumávamos dizer que o Brasil não tinha catástrofe e, agora, estamos vendo o quanto estávamos enganados. Com a cultura de seguro ainda pouco disseminada e insuficientes investimentos feitos por agentes do Estado, as perdas nesta lastimável tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul serão imensas. Segundo as análises da Gallagher, o impacto negativo da situação econômica do Rio Grande do Sul não se limita apenas ao Estado. De fato, repercute em todo o território nacional, com uma possível redução de 0,3 a 0,4% ponto percentual no crescimento econômico do Brasil para 2024, no PIB nacional. Em 2023, o estado gaúcho representou 5,9% do PIB nacional, somando R$ 640,23 bilhões.
Estamos falando de uma tragédia sem precedentes, mas que já era anunciada. No último ano, as catástrofes naturais resultaram em perdas econômicas de 280 milhões de dólares, no Brasil, e o mercado de seguros vem sendo confrontado com muitos desafios no contexto das avaliações deste tipo de risco. Quando acontecerão? Se tornaram mais intensas e com períodos menores? Com certeza, sim. Diante deste cenário, precisamos nos organizar e trabalhar as soluções, para que não seja preciso usar orçamento próprio quando a catástrofe ocorrer. Estima-se que a tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul, pela quantidade de recursos que serão empregados, pode impactar até mesmo o PIB brasileiro. As perdas econômicas, neste evento, mostram o quão necessário o seguro é para todos e o quanto pode ser diverso.
No Brasil, de forma mais macro, os estados deveriam comprar seguros para as suas escolas, hospitais, pontes e estruturas, evitando perdas em eventos similares. A iniciativa privada tem celeridade e, sem dúvida, já estaria pagando indenizações nesta tragédia atual, caso o estado tivesse seguro. Mas a solução, talvez, não esteja na forma de um seguro tradicional, mas por meio de um programa para grandes perdas, com uma franquia agregada, como fazem diversas cidades nos Estados Unidos. O próprio Governo Federal poderia comprar resseguro para um fundo de catástrofe – há várias formas de como estruturar, de forma firme, eficiente e funcional.
A iniciativa traz agilidade no momento mais importante dos sinistros e na hora das indenizações. Países como Estados Unidos, que convivem com os furacões na Flórida e o risco de terremoto na Califórnia, possuem alta penetração de seguros e, mesmo assim, os municípios e estados compram seguro e resseguro para um fundo de catástrofe. Na Flórida, o estado atua diretamente, segurando através da seguradora Citizens, comprando resseguro e ajudando a viabilizar uma proteção mais eficiente para todos. Hoje, se Miami se não tivesse esta intervenção do estado da Florida, não seria possível viabilizar uma apólice este porte.
Precisamos melhorar também o conhecimento das pessoas sobre o que já é oferecido no mercado e sua imensa possibilidade. Empresas grandes já compram seguros mais sofisticados, mas o mercado do médio empresário, muitas vezes por falta de informação, não tem uma apólice adequada ao seu risco. Tendo como base o cenário atual, por exemplo, muitos não terão uma grande cobertura para inundação ou alagamento e as perdas serão imensas. De acordo com um levantamento da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), feito junto as suas 140 associadas entre 28 de abril e 22 de maio de 2024, a população atingida pelas enchentes no Rio Grande do Sul já registrou 23.441 avisos de sinistros, somando R$1,673 bilhão em indenizações que serão pagas aos clientes. E quantas não serão pagas? Imagino que o número também será exorbitante.
Estamos diante de um evento muito triste, uma lástima, realmente. Espero que aumente a conscientização da população, dos segurados, das autoridades e das empresas para que se organizem e desenvolvam uma discussão séria, onde temos as ferramentas, tanto de análise preditiva atuarial, bem como de mapeamento, para termos soluções e mitigações para próximos eventos similares. A visão que temos é que vamos ver mais e mais catástrofes, e de maior intensidade, e o Brasil não vai ficar de fora deste impacto relacionado a mudanças climáticas.
Por Rodrigo Protasio, CEO de Retail da Gallagher Brasil
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