00:00:00
06 Jun

Além de oferecer ‘falsa garantia’ proteção veicular não é seguro

29 de março de 2024
269 Visualizações

Recentemente a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de busca e apreensão durante a terceira fase da ‘Operação Seguro Fake’, cujo objetivo era combater a venda falsa de seguros para veículos por empresas que exploram ilegalmente o mercado sob a indevida denominação de Associações de Proteção Veicular (APVs). Três determinações judiciais foram executadas na região da Pampulha, em Belo Horizonte; uma em um condomínio de luxo, em Lagoa Santa, na Grande BH; e outra na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

De acordo com o presidente do Sindicato de Corretores de Seguros em Minas Gerais (SINCOR-MG), Gustavo Bentes (foto), apesar de as APVs não serem consideradas seguros, a falta de informação clara sobre o tema por parte da população causa bastante dor de cabeça para o setor. “O seguro se constitui, sobretudo, como uma relação de consumo prevista no Código Civil e amparada pelo Código de Defesa do Consumidor. Ao contratar uma apólice emitida por seguradora legalmente habilitada e supervisionada pelo órgão regulador, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) – ligada diretamente ao Ministério da Fazenda – o segurado transfere o risco predeterminado na apólice. Sendo assim, a empresa fica responsável pela indenização em caso de sinistro. Só que no caso da proteção veicular não há uma relação de consumo”. Nesse modelo, o associado, segundo Bentes, assina um contrato de responsabilidade mútua e divide o risco com os demais membros da associação, que não é fiscalizada por nenhuma autarquia. Em caso de prejuízo, é feito um rateio entre todos. “Nessas circunstâncias, o pagamento da indenização depende do caixa da associação, o que significa um futuro incerto — e por vezes oneroso — para os associados, que não possuem garantias objetivas e regulamentadas”, pontua.

Ainda conforme o porta-voz do SINCOR-MG, cada associação tem seu próprio estatuto e são dispensadas de constituir reservas técnicas, o que compromete a sua capacidade de honrar os pagamentos de indenizações de qualquer natureza. “Caso o usuário da associação recorra ao órgão de proteção de consumo, Procon, não terá sequer amparo protecional, nem poderá judicializar uma ação, pois como é parte integrante de uma associação, ou seja, associado, faz parte do grupo. Portanto não é visto como um contratante/consumidor”, explica.

Gustavo ressalta que as associações de proteção veicular que vendem seus produtos como sendo seguros, devem ser denunciadas ao Ministério Público. O órgão, por sua vez, irá encaminhar o caso a autarquia federal (Susep). “Esta, ao comprovar o ato ilícito, poderá multar e em seguida encerrar as atividades da associação”, afirma.

Apesar das fraudes constantes envolvendo as associações de proteção veicular, o executivo deixa claro que não é contra a atuação desses grupos, desde que, claro, eles se apresentem como tal. “Se a pessoa compra a proteção veicular sabendo do que se trata, dos riscos, que ela não terá amparo no judiciário ou amparo como consumidor e que ela não terá segurança e que pode eventualmente não receber a indenização ou ter que participar dos prejuízos de suas indenizações e de outros associados, tudo bem. O problema é comprar [a proteção veicular] achando se tratar de seguro e, ao buscar auxílio no judiciário e PROCONS para receber indenizações, descobrir que não possui direitos. Isso sem falar que a atuação negligente das APVs acaba contribuindo para manchar a reputação do mercado de seguros, além de criar um mito de que o setor é repleto de profissionais desonestos”, destaca.

Bentes, por fim, ressalta que o SINCOR-MG não defende o fim das associações, mas sim a devida regulamentação dessas classes. “A partir do momento que elas forem regulamentadas, terão que pagar impostos e constituir reservas. Com isso, a sociedade, com garantias jurídicas e apoio dos profissionais corretores, terão mais este produto. Queremos, portanto, que exista uma relação de consumo e não apenas de associativismo nas APVs. Se isso não mudar, consumidores e sociedade continuarão extremamente vulneráveis”.

Agenda Comunicação Integrada

You may be interested

Zurich será seguradora oficial da Parada SP
Zurich Seguros
138 Vizualizações
Zurich Seguros
138 Vizualizações

Zurich será seguradora oficial da Parada SP

Publicação - 3 de junho de 2026

A Zurich será, pelo quarto ano consecutivo, a seguradora oficial da Parada SP – maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo. Em sua 30ª edição, o evento reforça sua relevância…

Icatu é a melhor empresa em satisfação do cliente pelo Instituto MESC
Icatu Seguros
145 Vizualizações
Icatu Seguros
145 Vizualizações

Icatu é a melhor empresa em satisfação do cliente pelo Instituto MESC

Publicação - 3 de junho de 2026

A Icatu Seguros foi reconhecida pelo Instituto MESC como a melhor empresa em satisfação do cliente de 2026 nas categorias Previdência e Capitalização. O reconhecimento parte da…

Seguro do operador portuário no Brasil: evolução, estrutura de risco e desafios
IRB (Re)
127 Vizualizações
IRB (Re)
127 Vizualizações

Seguro do operador portuário no Brasil: evolução, estrutura de risco e desafios

Publicação - 3 de junho de 2026

O Brasil tem uma das maiores redes portuárias da América Latina, com mais de 40 portos públicos organizados e dezenas de terminais de uso privado distribuídos ao…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin