00:00:00
19 Apr

Mulheres e o Mercado Segurador

12 de março de 2021
518 Visualizações

Um tsunami de proporções inéditas tem arrastado o mundo para mudanças complexas em todos os países e em todas as camadas da sociedade. A pandemia nos tem trazido muitas lições e grandes indagações sobre o presente e o futuro. As mulheres, que historicamente sempre foram as maiores responsáveis pelos cuidados com a casa e com os filhos, viram sua situação se alterar e se agravar de forma surpreendente.

O primeiro resultado disso, consequência nefasta desse ano tão difícil, é que a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro atingiu seu nível mais baixo desde 1990: perdemos 30 anos de avanços, que farão necessários muitos mais anos para recuperá-los.

Não é difícil reconhecer os problemas. A pandemia foi inesperada, mas a estrutura do trabalho doméstico, ainda carente de renovação, atingiu muito mais as mulheres. Como consequência, elas viram desmoronar projetos profissionais, na impossibilidade de conciliar as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos confinados, e sem poder contar com nenhuma ajuda.

Tradicionalmente, a divisão das tarefas ainda tende a seguir o modelo segundo o qual o homem é o responsável pelo provento da família e a mulher pelos seus cuidados. Assim, se alguma carreira tem que ser sacrificada no momento de uma demanda extrema, normalmente é a da mulher que será imolada.

Muitas empresas, felizmente, já discutem ambientes de trabalho mais inclusivos, mas não havia como imaginar um cenário tão adverso como o que tivemos em 2020. Escolas e creches fechadas, idosos isolados e as mulheres tendo que encarar a tripla jornada de labor.
Não foram raros os registros de crianças interrompendo as reuniões ou choros e birras ao fundo da tela de computador, na tentativa de atrair a atenção de mães, que tentavam manter alguma racionalidade e serenidade na sequência interminável de reuniões pelos mais diversos aplicativos que se tornaram moda.

Nesse cenário adverso, a resiliência das mulheres foi testada ao limite – principalmente para as mulheres com trabalho habitualmente fora de casa e com filhos pequenos. Tudo se confundiu no espaço das residências e não são poucos os analistas antecipando que movimentos como o do home office vieram para ficar. Além disso, o confinamento doméstico produziu estatísticas preocupantes, relativas aos índices de violência doméstica e incidência de doenças mentais entre as mulheres.

Os números, publicados recentemente pela Susep, demonstram a resiliência do mercado segurador, que segue crescendo em muitos segmentos, apesar das circunstâncias desfavoráveis. É muito animador perceber a pujança de nosso setor, e poder associá-lo também aos cuidados com as carreiras femininas.

As discussões entre as seguradoras foram extensas e detalhadas, no sentido de oferecer a todos os funcionários as melhores condições de trabalho durante a pandemia. O cuidado com o tripé saúde financeira, emocional e física permeou a busca de soluções, o que nos leva a acreditar que sairemos, como setor, ainda mais fortalecidos, quando pudermos comemorar o fim desses tempos sombrios.

Nós, da Escola de Negócios e Seguros, há dez anos trabalhamos em prol das carreiras femininas. Através de pesquisas, palestras e publicações temos procurado acompanhar a evolução da participação das mulheres no mercado de seguros. E ela tem sido crescente. É muito gratificante perceber que há outras instituições criadas no mercado especialmente para apoiar a causa da diversidade – caso da AMMS (Associação das Mulheres no Mercado de Seguros) e do IDIS (Instituto pela Diversidade e Inclusão no Setor de Seguros). A CNseg considera esse assunto como prioritário. Todos sabemos que um mercado mais diverso e inclusivo será mais capaz de captar tendências e apresentar melhores resultados.

Em março, comemoramos o Dia da Mulher – e nossa homenagem tem que ir para todas as mulheres que têm se desdobrado tanto nessa pandemia, garantindo o funcionamento das casas, os cuidados com os idosos, a educação das crianças, a consistência nas carreiras e, sobretudo, a esperança no futuro. Torcendo para que o grande aprendizado desse ano de pandemia seja a ampliação do compartilhamento e o desenvolvimento de homens mais participativos, aptos a apoiar, em futuro breve, mulheres menos atarefadas e mais felizes.

  • por Maria Helena MonteiroDiretora de Ensino Técnico da
    Escola de Negócios e Seguros (ENS)-Boletim Acontece nº 742

You may be interested

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1
Pasi
115 Vizualizações
Pasi
115 Vizualizações

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1

Publicação - 17 de abril de 2026

Pioneiro no mercado segurador em soluções para saúde mental no trabalho, o Seguro PASI, desde 2016 através da Central de Amparo, já oferece para os seus segurados…

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio
FenSeg
96 Vizualizações
FenSeg
96 Vizualizações

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio

Publicação - 17 de abril de 2026

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) participou do I Workshop de Fomento às Estatísticas de Incêndio 2026, realizado em São Paulo, a convite da Associação Brasileira…

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi
MDS Group
101 Vizualizações
MDS Group
101 Vizualizações

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi

Publicação - 17 de abril de 2026

O Grupo Ardonagh registrou em 2025 uma receita de 2,9 bilhões de dólares, com um EBITDA de 1,1 bilhão de dólares, consolidando sua posição entre os 15 maiores grupos…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin