00:00:00
20 Apr

Atenção primária: quem conhece gosta

15 de janeiro de 2019
950 Visualizações

“Fui a tantos médicos nos últimos meses. Preciso de um que junte tudo”. A queixa ouvida de um paciente em uma sala de emergência e registrada, em 2002, pela médica Barbara Starfield, uma das principais estudiosas do modelo de Atenção Primária à Saúde (APS), representa o sentimento atual de grande parte dos beneficiários da saúde suplementar no Brasil.

Todos os anos, milhões de brasileiros seguem um roteiro que aumenta o desperdício de recursos. E, o pior: sem que o investimento gere ganhos expressivos de saúde. Por que nosso modelo assistencial funciona assim? É preciso reconhecer que, nas últimas décadas, o mercado privado reforçou a cultura do livre acesso a especialistas e tecnologias.

Não é razoável, portanto, esperar que mude da noite para o dia. A valorização da APS na saúde suplementar é uma construção coletiva que precisa começar a acontecer e a ser compreendida. É um processo de mudança cultural de todos os envolvidos (beneficiários, operadoras, prestadores e empregadores). O sucesso das iniciativas das operadoras depende do engajamento dos beneficiários e de toda a cadeia produtiva da saúde.

A estratégia elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1978 é um modelo vencedor em vários países, inclusive no Brasil por meio do SUS. Com ele, 80% dos problemas de saúde são resolvidos sem que o paciente precise ser encaminhado a serviços especializados. A procura por unidades de urgência e emergência cai 29%. Há redução de 17% das demandas por internação. A porta de entrada no sistema de saúde se dá por meio de uma equipe multidisciplinar, com um médico de família à frente, que assume a coordenação do cuidado. A experiência tem demonstrado que quem conhece gosta. A qualidade de vida melhora a partir das mudanças de comportamento induzidas pela APS. Com uma força de trabalho mais saudável, as empresas observam ganhos de produtividade. É bom para todos.

No Brasil, no entanto, as pessoas ainda estão acostumadas a priorizar o modelo fragmentado. Essa é uma cultura que precisa mudar, como salientou o médico Lewis Sandy, vice-presidente da UnitedHealth Group. Nações desenvolvidas como Inglaterra, Dinamarca e Noruega têm em comum o fortalecimento da APS.

Curioso para saber o que vem primeiro (o desenvolvimento econômico e social ou a valorização da APS), o professor Gustavo Gusso, da Universidade de Saúde (USP), disse ter feito essa pergunta, certa vez, a Barbara Starfield. A resposta dá a dimensão do desafio que o Brasil e a saúde suplementar têm pela frente: “As duas coisas devem andar juntas”.

Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde

  • publicado em 9/1 no Jornal O Dia

You may be interested

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1
Pasi
115 Vizualizações
Pasi
115 Vizualizações

Com foco em inovação, PASI lança produto NR-1

Publicação - 17 de abril de 2026

Pioneiro no mercado segurador em soluções para saúde mental no trabalho, o Seguro PASI, desde 2016 através da Central de Amparo, já oferece para os seus segurados…

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio
FenSeg
97 Vizualizações
FenSeg
97 Vizualizações

FenSeg participa de workshop sobre estatísticas de incêndio

Publicação - 17 de abril de 2026

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) participou do I Workshop de Fomento às Estatísticas de Incêndio 2026, realizado em São Paulo, a convite da Associação Brasileira…

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi
MDS Group
103 Vizualizações
MDS Group
103 Vizualizações

Receita de acionista do Grupo MDS supera US$ 2,9 bi

Publicação - 17 de abril de 2026

O Grupo Ardonagh registrou em 2025 uma receita de 2,9 bilhões de dólares, com um EBITDA de 1,1 bilhão de dólares, consolidando sua posição entre os 15 maiores grupos…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin