O Brasil pretende chegar à COP30, em Belém, não apenas como anfitrião, mas como um país capaz de oferecer soluções concretas de mitigação, adaptação e financiamento climático. A afirmação foi feita por Aloisio Melo, secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), durante participação online no 3º Workshop de Seguros para Jornalistas, promovido pela CNseg, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto.
Segundo Melo, o contexto geopolítico global, marcado por conflitos, medidas comerciais unilaterais e pelo ressurgimento do negacionismo climático, torna a COP30 ainda mais desafiadora. “É uma conferência que precisa reafirmar a urgência da ação e o papel da cooperação multilateral. Não é uma COP de novos acordos, mas de implementação e soluções”, ressaltou.
Entre as prioridades, o secretário destacou compromissos já assumidos no balanço global da ação climática, como zerar o desmatamento até 2030, triplicar o uso de fontes renováveis, duplicar a eficiência energética e avançar na transição para longe dos combustíveis fósseis.
O papel do Brasil
Melo enfatizou que o país chega à COP30 com avanços estruturais, como a atualização da NDC (meta nacional de descarbonização), o desenvolvimento do Plano Clima, que reúne cerca de 900 ações públicas e privadas, e mecanismos de financiamento inovadores. Entre eles, citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que pretende remunerar povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores pela conservação da floresta.
“O Brasil tem condições de mostrar que floresta é ativo, não passivo. Esse é um ponto de virada na forma como o mundo deve enxergar a Amazônia”, afirmou. Ele também lembrou que iniciativas de bioeconomia e restauração florestal vêm ganhando protagonismo, especialmente no Pará, estado-sede da conferência.
Adaptação e resiliência
Outro eixo central será a adaptação climática. De acordo com o secretário, o país avançou em planos setoriais e em ferramentas como o Adapta Cidades, que busca capacitar municípios a identificar riscos climáticos, priorizar investimentos e transformar diagnósticos em projetos de resiliência.
Para Melo, o setor de seguros tem papel estratégico nesse processo. Além de proteger infraestrutura, transportes e ativos públicos e privados, o seguro pode viabilizar investimentos na transição ecológica. Ele defendeu, inclusive, a criação de mecanismos de seguro social para famílias de baixa renda expostas a desastres, desde que acompanhados de contrapartidas dos governos locais para evitar acomodação.
Financiamento climático
Na frente de recursos, o Brasil pretende apresentar à COP30 sua experiência em mobilizar capital público e privado. Melo citou a emissão de títulos soberanos sustentáveis, a capitalização do Fundo Clima, que já aprovou mais de R$ 10 bilhões em projetos no BNDES, e o programa Eco Invest, que combina recursos públicos e privados para alavancar investimentos.
“Há um apetite crescente do setor privado por projetos de descarbonização e resiliência. Nossa estratégia é mostrar ao mundo que temos mecanismos robustos, escaláveis e inclusivos”, explicou.
Uma COP com rosto amazônico
Para o secretário, a COP30 terá um diferencial fundamental: ocorrerá em um país democrático, na região amazônica, com forte mobilização social. “Não será uma conferência restrita a governos e setores econômicos. A sociedade civil terá voz, e isso é essencial para dar legitimidade às decisões”, concluiu.
Assessoria de Imprensa CNseg
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