A transformação digital no setor jurídico deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade urgente. No último “Esquenta AB2L LEX 2025”, tive a oportunidade de integrar um painel sobre “IA no Jurídico: Como Aplicar, Benefícios Reais e Desafios na Prática”, em um debate que deixou clara a dimensão estratégicada inteligência artificial na rotina jurídica.
Vivemos um cenário em que a velocidade da informação e o volume de dados desafiam a eficiência dos departamentos jurídicos. A IA surge como resposta a esse desafio, oferecendo soluções que vão da automação de tarefas repetitivas, como análise de contratos e pesquisas jurisprudenciais, até a criação de copilotos jurídicos que auxiliam na tomada de decisões.
A resposta está na experimentação controlada. Testes em ambientes seguros, uso de dados anonimizados e envolvimento direto das áreas de segurança e TI são medidas fundamentais. Mas mesmo com a estrutura ideal, um obstáculo silencioso permanece: a resistência cultural. A inovação muitas vezes esbarra no medo do novo, no receio de errar, e em ambientes corporativos isso pode paralisar iniciativas antes mesmo de serem exploradas.
Criar uma cultura que permita o erro como parte do aprendizado é essencial. A IA precisa ser treinada e ajustada — e isso só acontece quando há espaço para tentativa e erro. A inovação exige investimento em capacitação, ambientes seguros para teste e, acima de tudo, liderança que estimule e proteja esse processo.
Tenho acompanhado iniciativas que demonstram na prática como a IA pode gerar ganhos reais em performance, desde automatizações na controladoria jurídica até a criação de soluções por colaboradores, em programas internos de inovação. Quando o conhecimento é compartilhado e a liderança incentiva o uso responsável da IA, novas ideias florescem com impacto concreto nos resultados.
O uso da inteligência artificial no Direito não é mais uma escolha, é uma necessidade estratégica. Mas sua aplicação efetiva depende de um equilíbrio entre conhecimento técnico, cultura organizacional e segurança. O caminho passa por identificar as dores reais do departamento, escolher as ferramentas adequadas e criar espaço para que as ideias sejam testadas, ajustadas e, finalmente, implementadas.
Se a IA parece complexa, devemos começar pelo básico: entender os princípios, estabelecer regras claras de segurança e fomentar uma cultura de uso ético e responsável. A inovação nasce da prática. E a prática, por sua vez, exige coragem para fazer diferente.
Lt Guimarães
*Por Renan Coelho, Gerente Jurídico na Allcare Gestora de Saúde, bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro, com especializações em Gestão de Departamentos Jurídicos (Intellijur), Finanças para Gestores (FGV), ChatGPT e AI Law (Future Law) e Inteligência Artificial para Negócios (StartSe – AI Academy).
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