A valorização da educação como motor de transformação social, a contribuição dos países tropicais e o acesso a meios sustentáveis, com atenção às desigualdades, estão entre os temas esperados nos debates da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que acontece em novembro deste ano, em Belém, no estado do Pará. As expectativas para a discussão dos temas foram apontadas pelos especialistas e embaixadores do Movimento Circular durante a live “Circular Talks Embaixadores”, que abordou o tema “Policrise e a pegada ambiental”, na última quarta-feira (25/06).
Flavio Ribeiro, doutor em Ciências Ambientais pela USP, aponta a necessidade de avançar no reconhecimento da economia circular como ferramenta eficaz na gestão de carbono, além de fortalecer a participação dos países. “Isso já tem acontecido, é factível. Cito, ainda, sobre o reconhecimento da importância da contribuição dos países tropicais para além da conservação florestal nas mudanças climáticas. Temos tantas práticas e saberes que podem servir de exemplo para o mundo e que precisam ser visibilizados”, afirma.
Na mesma linha, ele destaca a importância do Plano Nacional de Economia Circular, promulgado em maio de 2025, especialmente no contexto da conferência. Colaborador na revisão do documento, Flavio defende maior envolvimento da sociedade para que o plano se torne um instrumento de mudança. “Cria-se junto com o plano também uma ideia de governança. A gente precisa lembrar que o consumo é um privilégio, consome quem pode, e falar de consumo sustentável é falar de consumo para quem pode escolher o que consome. Diversas escolhas, então, estarão atreladas à inclusão social e redução das desigualdades”, reforça. Para ele, a educação, ao lado da inovação e da cultura, deve orientar comportamentos e valores no cotidiano em vista da circularidade.
A necessidade de reconhecer os esforços do Brasil nesse cenário é reforçada por Isabela Bonatto, com doutorado e mestrado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em Gestão de Resíduos. “O Brasil tem que ser valorizado, uma vez que está tentando, ainda mais que a COP será no país”, comenta. Para ela, é essencial que o evento contemple a pluralidade de contextos e saiba equilibrar pressões de diferentes origens, incluindo o capitalismo, as grandes corporações e as realidades locais. “Acredito que a ONU vai ter que balancear diferentes pressões e redistribuir o poder de como fazer para mitigar a pegada ambiental”, ressalta.
Nesse sentido, a mobilização da sociedade civil também surge como fator essencial. Para a professora Sueli Angelo Furlan, pós-doutora e especialista em Educação Socioambiental pela Universidade de Cádiz, na Espanha, e professora assistente da USP, a participação popular pode impulsionar compromissos mais ousados por parte dos governos. “As conferências da ONU são para o mundo. Será muito positivo se as movimentações sociais, que sempre empurraram a questão ambiental, ocorram, porque vai empurrar os governantes. O contraste poderá ser visto pelo mundo todo, e que isso não termine com a COP”, destaca.
Completando as expectativas, Christian Ullmann, Design Industrial, pela Universidade de Buenos Aires – Argentina, e consultor em Design para Economia Circular, enfatiza o simbolismo de a COP30 acontecer em Belém. Para ele, a escolha da Amazônia como sede carrega um peso único no debate climático global. “É importante que a COP aconteça na Amazônia, porque é um dos poucos lugares do mundo onde existem grupos sustentáveis, grupos circulares, com povos originários”, conclui.
Betini Comunicação
Foto: Especialistas e embaixadores do Movimento Circular
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