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13 Jun

Há uma pesquisa do Sebrae bastante significativa quando o assunto é sucessão empresarial. No Brasil, cerca de 90% das organizações são familiares. Mas, nesse espectro, apenas 30 alcançam a segunda geração. Os corretores de seguros já manifestaram mais de uma vez a preocupação sobre esse tema. O Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), então, realizou uma live, batizada de “Sucessão Empresarial”, transmitida pelo canal da entidade no Youtube (foto).
Duplas de pai e filho foram os protagonistas – Jayme e Bruno Garfinkel (Porto Seguro) e Boris e Fernando Ber (Asteca Corretora), dois exemplos bem-sucedidos de sucessão empresarial. Eles contaram suas experiências e apresentaram dicas importantes para quem deseja entender o processo sucessório. A apresentação e mediação ficaram a cargo do mentor do CCS-SP, Evaldir Barboza de Paula, e da diretora Ivone Elise Gonoretske.
Jayme iniciou a live, lembrando que logo começou a refletir sobre o tema, pois o pai morreu cedo. “Esse foi um assunto que eu vivi e sempre pensei na perenidade da empresa. Mas também pensei sobre o futuro dos meus filhos”, disse. Boris, por sua vez, afirmou ter começado a despertar para o assunto ao perceber que os colegas corretores não conversavam sobre sucessão e “nem sequer pensavam a respeito”.
Ao ser indagado sobre em que ponto do processo de sucessão a Porto Seguro está, Jayme afirmou ter se afastado da empresa e passa todas as questões que chegam até ele para o Bruno. “Vejo apenas os relatórios”, emendou. Boris Ber ainda faz o processo na Asteca. “Identifiquei uma área dentro da corretora em que o Fernando pudesse se desenvolver e, por isso, ele foi estudar riscos financeiros”, revelou. “Ele participava das reuniões da diretoria apenas como ouvinte e, hoje, já tem voz ativa”, complementou.
Na visão de Bruno, o desafio do processo sucessório é tirar “o chapéu de filho e herdeiro”, dizendo se sentir incomodado quando pessoas tentar minimizar as suas conquistas. “Nunca tive uma via facilitada pela família”, ressalta. E acrescenta: “Os nossos acertos não são mais que obrigação e quando erramos cai uma pecha de ‘coitado do Jayme, olha que incompetente o filho dele’. Há vantagens? Claro! Eu tive oportunidade de estudar coisas que muitas pessoas não tiveram”.
Por seu turno, Fernando disse que existe uma grande pressão neste processo. “Empresas bem-sucedidas com uma história sólida, em um dado momento, a responsabilidade de levar adiante os negócios em outro patamar e mantê-las vivas recaem sobre nós”, admite. Fernando adverte: não adianta ter um sucessor – seja filho ou não – que não conheça o funcionamento da empresa. “É preciso entender as dificuldades, como funcionam as engrenagens e o dia a dia do negócio”.
Como conselho aos filhos em processo de sucessão, Jayme recorda que quando o pai era vivo, na empresa ele o tratava como senhor Garfinkel. “O que ele mandava eu obedecia, muitas vezes, chateado. No meu caso com o Bruno, ele reclamava muito para a mãe, mas sempre cumpriu com as tarefas”. Jayme conclui: “Ele respeitou a hierarquia”.

“Negócio não pode morrer”

A sucessão empresarial também foi um dos temas de uma live anterior promovida pelo Clube – “Distribuição de Seguros – Parcerias e Cooperação”. O debate virtual marcou a estreia da série “Prata da Casa”, reunindo três associados do CCS-SP que atuam em assessorias – Jorge Teixeira Barbosa (Valor-Ação), Nilson Barreto (NBA) e Roberto Benedito de Oliveira (Active), sob a mediação do mentor Evaldir.
Na ocasião, Evaldir narrou sua experiência bem-sucedida em termos de sucessão. Já Oliveira informou que as assessorias costumam alertar os corretores da necessidade de preparar a próxima geração. “O importante é não deixar o negócio morrer”, conclamou. Para o mentor, além de estimular os filhos, vale a pena aproveitar os programas oferecidos pelas seguradoras, que oferecem treinamentos e dinâmicas de grupo.
Para Barreto, às vezes, os corretores que não atingem as metas enfrentam restrições. Barbosa disse que esta é uma discussão antiga. “As assessorias atendem aos pequenos corretores, porque se fossem grandes trabalhariam direto com as seguradoras e com outras condições comerciais. Por isso, não adianta exigir do pequeno o que ele não pode cumprir”, disse.
Nesse aspecto, Oliveira chegou a discordar em relação à definição do porte dos corretores. “Às vezes é difícil mensurar, porque um corretor médio para a assessoria pode ser pequeno para a seguradora. Mas, de forma geral, as seguradoras agem de forma diplomática”, disse. Em seguida, o mentor expôs a opinião da internauta Regina: “Por que preterir o corretor pequeno se no futuro ele pode ser grande?”. Evaldir concordou: “A evolução do pequeno é de todo o mercado”.

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