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10 Sep

6 tendências que devem transformar o mercado de seguros

10 de setembro de 2026
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O mercado de seguros está passando por uma transformação que vai além da adoção de novas tecnologias. Mudanças no comportamento dos consumidores, a consolidação das corretoras, o avanço de novos canais de distribuição e a entrada da inteligência artificial na rotina do setor começam a redesenhar também o papel do corretor.

Para Letícia Schettino, Head de Engenharia de Inteligência Artificial da Segura, um dos principais movimentos é justamente o fortalecimento desse profissional. A diferença é que ele passa a operar de uma maneira diferente, com mais especialização, tecnologia e participação em outros momentos da vida financeira do cliente.

O que estamos vendo não é o desaparecimento do corretor, mas uma transformação do papel que ele ocupa. À medida que produtos, canais e fluxos ficam mais complexos, cresce o valor de quem consegue entender o cliente, organizar essas possibilidades e transformar informação em orientação. A tecnologia entra para dar escala e inteligência a esse trabalho“, afirma Letícia.

A seguir, a executiva destaca seis tendências que devem ganhar força no mercado de seguros.

1. Corretores estão se especializando cada vez mais em nichos

A ideia de que uma corretora precisa dominar todos os ramos começa a perder espaço para um modelo de hiperespecialização. Em vez de tentar atender sozinho qualquer necessidade do cliente, o corretor pode concentrar sua atuação em segmentos específicos, como cyber, garantia ou rural, e construir uma rede de parceiros especializados para as demais demandas.

Nesse modelo, o profissional aprofunda seu conhecimento em um determinado mercado sem necessariamente abrir mão das oportunidades que aparecem fora dele. Ao encaminhar clientes para outros especialistas e participar economicamente dessa relação, redes de corretores conseguem ampliar o portfólio disponível sem exigir que cada participante domine todos os produtos.

A tendência é que o conhecimento específico tenha cada vez mais valor. Em seguros mais complexos, conhecer profundamente o risco, o cliente e a dinâmica de um determinado setor pode ser muito mais importante do que simplesmente ter um catálogo maior de produtos“, explica Letícia.

2. Corretores generalistas estão ampliando a atuação para além do seguro

Ao mesmo tempo em que parte do mercado se especializa, outro grupo segue por um caminho diferente: ampliar a relação financeira com o cliente.

Esse movimento ganha importância à medida que seguros passam a ser oferecidos cada vez mais dentro do próprio processo de compra de produtos e serviços. Os seguros incorporados à compra de outros produtos, modelo conhecido como embedded insurance, vêm avançando globalmente e podem reduzir o espaço de profissionais que entram na jornada apenas depois da compra do bem.

Uma resposta possível é antecipar essa relação. Em vez de esperar o cliente adquirir um carro ou imóvel para então oferecer uma proteção, o corretor pode participar da própria decisão patrimonial, incorporando produtos como consórcio e outras soluções financeiras ao portfólio.

Quanto mais cedo o corretor participa da decisão financeira do cliente, maior tende a ser sua capacidade de construir uma relação de longo prazo. O seguro deixa de ser uma conversa isolada e passa a fazer parte de uma discussão mais ampla sobre patrimônio e proteção“, diz Letícia.

3. A consolidação das corretoras acelera, mas tamanho não será suficiente para medir sucesso

O mercado brasileiro reúne mais de 150 mil corretoras cadastradas na Susep e começa a viver uma nova etapa de consolidação, com movimentos de fusões e aquisições e mudanças regulatórias que facilitam modelos de atuação em rede.

Mas, para Letícia, simplesmente analisar quantas corretoras fazem parte de determinado grupo pode esconder diferenças importantes entre as estratégias de crescimento.

De um lado, estão grupos cuja expansão acontece principalmente por meio da entrada constante de novos participantes. De outro, modelos que buscam aumentar a produtividade, a capacidade comercial e a oferta de produtos das corretoras que já fazem parte da rede.

Dois grupos podem chegar ao mesmo tamanho por caminhos completamente diferentes. Mais do que olhar para quantas corretoras um grupo reúne, será cada vez mais importante entender quanto essas corretoras conseguem crescer depois que passam a fazer parte dele“, pontua.

4. IA entra como ferramenta do corretor, e não como sua substituta

Apesar do avanço da inteligência artificial em diferentes mercados e em diferentes etapas da cadeia de seguros, a distribuição continua fortemente dependente de relações humanas. Nos Estados Unidos, por exemplo, corretores e agentes ainda participam da distribuição de 85% do valor movimentado em seguros patrimoniais e de responsabilidade e de 95% dos prêmios de vida.

Ao mesmo tempo, consumidores também indicam preferência por uma experiência híbrida. Segundo dados da Capgemini, 67% das pessoas com menos de 40 anos querem acesso a canais digitais combinado ao suporte de um consultor.

É nesse espaço que a IA começa a ganhar força: como uma camada capaz de organizar informações, automatizar tarefas operacionais, consultar documentos, apoiar comparações e identificar oportunidades, enquanto o corretor permanece responsável pelo relacionamento e pelas decisões que exigem contexto e confiança.

Existe uma diferença importante entre automatizar uma tarefa e substituir uma relação. No mercado de seguros, boa parte do potencial da IA está justamente em tirar trabalho operacional da frente para que o corretor consiga dedicar mais tempo àquilo em que ele gera mais valor“, explica Letícia.

5. Seguro de vida ganha espaço com produtos mais flexíveis e conectados às diferentes fases da vida

Enquanto grande parte das discussões sobre inovação no setor se concentra em novos canais e tecnologia, um segmento tradicional começa a chamar atenção pelo potencial de expansão: o seguro de vida individual.

Globalmente, o segmento de vida deve crescer 2,3% em termos reais em 2026, segundo a Swiss Re, enquanto os demais produtos devem avançar apenas 0,6%. No Brasil, os seguros de pessoas movimentaram R$ 13,1 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026, crescimento de 6,8%, com o seguro de vida respondendo por quase metade desse volume.

Esse avanço vem acompanhado de uma mudança de comportamento, especialmente entre os consumidores mais jovens. Dados da Capgemini mostram que mais de 40% das pessoas com menos de 40 anos buscam benefícios que possam ser utilizados ainda em vida, como acesso a recursos em momentos importantes ou serviços relacionados à saúde e bem-estar. Além disso, 60% afirmam aceitar compartilhar dados pessoais em troca de coberturas mais personalizadas.

Na prática, isso abre espaço para produtos mais modulares, flexíveis e conectados a diferentes momentos da vida financeira do cliente, aproximando o seguro de uma conversa mais ampla sobre patrimônio, planejamento e proteção.

Vida é uma categoria que combina duas oportunidades importantes: ainda tem muito espaço para crescer dentro das carteiras e, ao mesmo tempo, está mudando para responder a expectativas diferentes dos consumidores. Para o corretor, isso abre uma oportunidade de construir uma relação mais contínua com o cliente, acompanhando diferentes fases da vida e não apenas um momento específico de contratação“, afirma Letícia.

6. Entregar valor no dia a dia passa a fazer parte da experiência do seguro

Historicamente, a percepção de valor do seguro esteve muito associada ao momento do sinistro. Esse modelo começa a mudar.

Segundo a Deloitte, mudanças nas expectativas dos consumidores estão entre os principais fatores que remodelam o setor em 2026, ao lado da consolidação das corretoras e da modernização tecnológica. Conveniência, confiança, personalização e integração entre diferentes pontos da jornada passam a influenciar a experiência tanto quanto a própria cobertura.

Isso significa oferecer utilidade também quando nenhum problema aconteceu. Serviços de assistência, prevenção, conteúdos educativos e orientações ao longo da experiência podem reduzir dúvidas antes da contratação e melhorar o relacionamento depois da venda.

Os próprios canais também mudam. Formatos como vídeos curtos e WhatsApp ganham importância para explicar produtos, comparar opções e manter contato com clientes.

O seguro começa a disputar atenção não apenas pela promessa de proteção futura, mas pelo valor que consegue entregar durante toda a relação. Quanto mais presente e útil a experiência for, menor tende a ser a percepção de que o produto só serve para um momento que o cliente espera nunca viver“, conclui Letícia.

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