O mercado global de seguros paramétricos passa por uma transformação sem precedentes. Originalmente adotado por instituições públicas internacionais como o Banco Mundial e grandes corporações para cobrir catástrofes climáticas como furacões e terremotos, o produto expandiu fronteiras e começa a se consolidar como uma ferramenta estratégica de gestão do risco. Além dos ativos cobertos, ele permite proteger a continuidade das operações, segurando fluxos de caixa ou protegendo cadeias de suprimentos complexas, por exemplo.
Com projeções globais apontando que este mercado superará a marca de US$ 46 bilhões até 2035, a XS Global – uma das maiores MGUs (Managing General Underwriter) do mundo – avalia que o seguro paramétrico avança a passos largos pelas linhas comerciais e rurais, mas em breve baterá à porta do mercado de pessoas físicas também.
Como o seguro paramétrico paga uma indenização pré-definida quando um gatilho objetivo e mensurável é atingido, proporciona uma agilidade no momento do sinistro e reduz custos porque não exige uma perícia para avaliar os danos. Nas questões envolvendo riscos climáticos, por exemplo, fatores como a velocidade do vento ou volume de chuva já são o suficiente para a liberação dos recursos.
De acordo com Stéphane Godier, Senior Originator Parametrics para as Americas, o grande motor dessa escala não são necessariamente os smart contracts — cujos benefícios de automação já são intrínsecos à natureza do seguro paramétrico — mas a eficiência operacional que eles oferecem.
“É importante destacar que a evolução dos riscos climáticos vem impulsionando o desenvolvimento de novas soluções, que complementam os programas tradicionais de seguros e ampliam as possibilidades de proteção. Logo, como os custos operacionais do modelo paramétrico são significativamente menores do que os do seguro tradicional, deixa de ser necessário trabalhar apenas com grandes riscos ou prêmios elevados”.
Segundo o especialista, os setores mais propensos à adoção dessas soluções são aqueles mais vulneráveis aos riscos catastróficos e/ou climáticos. “Isso envolve praticamente todos os setores, porque essa vulnerabilidade engloba tanto as exposições diretas, relacionadas aos danos físicos aos ativos; quanto as exposições indiretas, como interrupções na cadeia de suprimentos e perdas financeiras decorrentes da redução das atividades provocada por eventos climáticos ou catastróficos”.
Essa versatilidade abre frentes promissoras em novos ecossistemas, como o setor de turismo e consumo, por exemplo, onde operadoras podem oferecer reembolsos automáticos aos viajantes diante de imprevistos climáticos – como a ausência de sol ou excesso de algas nas praias – transformando a experiência do cliente final.
“Ainda assim, é evidente que segmentos como o agronegócio e as energias renováveis estão na linha de frente dessa transformação. No caso específico da XS Global, que possui uma vasta base de dados climáticos construída ao longo de 15 anos de atuação nesse segmento, a companhia consegue estender essa proteção para empresas de médio e pequeno porte, pequenos negócios e diversos segmentos do mercado comercial, ampliando significativamente o acesso a esse tipo de proteção”.
Para Stéphane Godier, o seguro paramétrico no agronegócio surge como o elo que falta para destravar o crédito rural sustentável, blindando as carteiras das instituições financeiras contra riscos climáticos sistêmicos, como secas prolongadas. “Acredito que essas soluções sejam plenamente elegíveis aos programas de subvenção pública. Mais do que um produto financeiro, trata-se de uma decisão estratégica de política agrícola para garantir a estabilidade das receitas e do abastecimento”, concluiu.
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