Dez anos após a CPI que investigou o esquema conhecido como “Máfia das Próteses”, representantes da saúde suplementar, dos órgãos reguladores e da classe médica voltaram a discutir, na segunda-feira (24), em Brasília, medidas para ampliar o controle sobre a cadeia de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) e enfrentar fraudes, desperdícios e distorções que impactam pacientes e todo o sistema de saúde. Promovido pela FenaSaúde, o debate ocorreu durante mais uma edição do fórum Diálogos Executivos, realizado no Instituto Consenso, com o tema “Uma década após a CPI da Máfia das Próteses”.
O encontro reuniu representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Associação Paulista de Medicina (APM/AMB) e especialistas para discutir os avanços alcançados na última década e os desafios que ainda permanecem.
Na avaliação do diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, o enfrentamento das irregularidades depende da atuação coordenada de todos os envolvidos. “Acho imprescindível a articulação de todos os atores do sistema de saúde para combater as fraudes e os desperdícios. Este problema ainda não acabou e, possivelmente, está mais sofisticado. Por isso, não podemos conviver com esse cenário, nem tolerar ou permitir que aconteça o comprometimento da saúde do nosso país”, alerta Wadih Damous.
O diretor-executivo da FenaSaúde, Bruno Sobral, também destacou a necessidade de uma atuação conjunta para enfrentar o problema. “O enfrentamento de distorções e fraudes na utilização de OPME é uma prioridade que exige responsabilidade e cooperação de todos os agentes. O debate de hoje reforça que precisamos avançar de forma contínua na fiscalização, na transparência e no aprimoramento dos mecanismos de controle, para garantir que os recursos sejam utilizados de forma adequada e que o paciente esteja sempre no centro das decisões”, conclui Bruno Sobral.
Entre as propostas discutidas estão a implementação de rastreabilidade de ponta a ponta dos dispositivos médicos, desde a fabricação até a utilização no paciente, e o fortalecimento de critérios técnicos e científicos para decisões relacionadas ao fornecimento de OPME de alto custo. As medidas têm como objetivo preservar o acesso aos tratamentos necessários e reduzir situações de judicialização sem respaldo clínico ou regulatório adequado.
A rastreabilidade foi apontada como uma das principais ferramentas para ampliar a transparência, fortalecer a fiscalização e reduzir assimetrias de informação. Segundo o gerente de Tecnologia em Equipamentos da Anvisa, Anderson de Almeida Pereira, a agência já trabalha na implementação de um sistema de Identificação Única de Dispositivos (UDI).
“Hoje, a Anvisa dispõe de um sistema de UDI em fase de implementação gradual voluntária para dispositivos médicos adquiridos em âmbito nacional. No futuro, nossa expectativa é que exista um painel com todos os itens com a mesma identificação dos dispositivos para a rastreabilidade. Assim, será possível reduzir a assimetria de dados e dar mais transparência”, explica Pereira.
Em sua palestra, o economista e CEO da Universal Health Monitor André Médici defendeu a integração de informações e o fortalecimento da governança para rastreabilidade e transparência de dados. “Dez anos após a CPI, fica evidente que essa agenda permanece inacabada e exige convergência entre os setores público e privado. A padronização das informações e o aumento da transparência são passos importantes para corrigir incentivos inadequados e promover maior eficiência no uso dos recursos da saúde”, avalia o especialista.
A mesa de debates contou ainda com a participação do diretor de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina (APM/AMB), Marun David Cury, que afirmou que a classe médica apoia ações de combate a fraudes na saúde, reforçando que o desfecho positivo para os pacientes é uma prioridade. Ao longo do encontro, os participantes reforçaram a importância de integrar informações, aprimorar mecanismos de fiscalização e fortalecer critérios técnicos e científicos para o uso de dispositivos médicos e OPME.
O Diálogos FenaSaúde é uma série de eventos realizados pela entidade para manter uma agenda permanente de diálogos sobre temas essenciais para o setor.
InPress Porter Novelli
You may be interested

Lojacorr Seguros lança vertical de saúde para ampliar negócios dos corretores
Publicação - 26 de outubro de 2026A Lojacorr Seguros anunciou a criação de uma vertical especializada em saúde, com profissionais dedicados a apoiar os corretores na comercialização de planos e no desenvolvimento de…

Café CVG-SP mostra a evolução e o potencial do seguro de vida em grupo
Publicação - 26 de outubro de 2026O CVG-SP promoveu mais uma edição do Café CVG-SP para discutir o tema “Vida em Grupo – um mercado de oportunidades e transformação”, no dia 20 de…

Susep abre consultas públicas para atualizar regras do Open Insurance
Publicação - 26 de outubro de 2026A Superintendência de Seguros Privados (Susep) abriu duas consultas públicas para receber contribuições sobre propostas de atualização do arcabouço normativo do Sistema de Seguros Aberto (Open Insurance).…
Mais desta categoria

FenaSaúde promove workshop sobre saúde suplementar para assessores legislativos em Brasília
Publicação - 26 de outubro de 2026

Outubro Rosa: o que muda na vida financeira das famílias após um diagnóstico de câncer
Publicação - 26 de outubro de 2026









