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05 Oct

IA deixa de ser diferencial e se torna o alicerce da operação das seguradoras

24 de agosto de 2026
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A inteligência artificial já faz parte da rotina das seguradoras brasileiras e a discussão do setor começa a mudar de foco. Nos últimos anos, houve uma grande adesão para implementar o uso da IA a qualquer custo. Agora, o que vemos é a necessidade de identificar onde a IA pode gerar crescimento de receita e vantagem competitiva, sem estourar custos.

Na avaliação de Marcos Bonas, vice-presidente de Engenharia, Arquitetura e Vendas da Zup, empresa de tecnologia do grupo Itaú Unibanco, esse movimento marca uma nova fase da maturidade do mercado. “A IA deixou de ser um experimento isolado para fazer parte da operação das seguradoras. O desafio agora não é apenas colocar a tecnologia para funcionar, mas decidir onde ela realmente cria valor para o negócio. As empresas que vão capturar mais resultados serão justamente aquelas que fizerem escolhas mais criteriosas sobre sua aplicação”, afirma.

Essa percepção é reforçada por um levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Segundo o estudo, cerca de 80% das seguradoras brasileiras já utilizam inteligência artificial em suas operações. O uso, inicialmente concentrado em tarefas repetitivas e processos internos, hoje também influencia a velocidade e a qualidade do atendimento ao consumidor final.

Apesar da ampla adoção, os resultados ainda permanecem concentrados no ganho de produtividade individual. A pesquisa mostra que 77% das seguradoras classificam os ganhos obtidos com IA como incrementais, ou seja, voltados ao aperfeiçoamento de processos já existentes. O levantamento também aponta que 84% das empresas não esperam, por enquanto, um aumento superior a 1% na receita decorrente da tecnologia.

Entretanto, quando a inteligência artificial é implementada em escala, de forma integrada aos processos empresariais e com governança, os resultados são transformadores. Estudos da McKinsey & Company mostram que seguradoras que conseguiram escalar iniciativas de inteligência artificial registraram uma melhoria de até cinco pontos percentuais no controle de perdas de suas carteiras, crescimento entre 10% e 15% nos prêmios de novos negócios e aumento de até dez pontos percentuais na retenção de clientes em segmentos mais rentáveis. Os resultados indicam que, quando aplicada de forma estruturada, a tecnologia pode ir além do ganho de produtividade individual e gerar impacto direto nos indicadores de negócio.

Bonas avalia que o principal diferencial competitivo das seguradoras já está dentro das próprias empresas: os dados acumulados ao longo de anos de operação. “Históricos de subscrição, sinistros e processos judiciais representam um patrimônio enorme de informação. O problema não é a falta de dados, mas a capacidade de organizá-los, conectá-los e transformá-los em decisões melhores. Hoje, dados deixaram de ser um tema exclusivo da área de tecnologia e passaram a ser um ativo estratégico do negócio”, afirma.

Segundo o executivo, boa parte dos projetos de inteligência artificial não encontra dificuldades por limitações da tecnologia, mas pela forma como as informações são estruturadas nas organizações. “A ferramenta, sozinha, entrega pouco. O resultado aparece quando existe um trabalho consistente e estruturado de governança, entendimento da origem e da qualidade dos dados e alinhamento entre tecnologia e estratégia da companhia”, diz.

Para Bonas, o mercado de seguros entra agora em uma fase mais estratégica da inteligência artificial. “Durante muito tempo a pergunta era como adotar IA. Agora a questão passa a ser onde ela realmente faz sentido. O retorno financeiro depende de integrar a tecnologia aos sistemas, fortalecer a governança e priorizar os casos de uso que geram impacto no negócio. O gargalo deixou de ser o acesso à inteligência artificial e passou a ser a capacidade de fazer boas escolhas”, conclui.

Agência PUB

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