As operadoras de planos médico-hospitalares encerraram o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 6 bilhões, o segundo melhor resultado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2018, em valores corrigidos pelo IPCA, com data-base em março de 2026. O desempenho, entretanto, veio acompanhado de perda de ritmo da atividade operacional. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado operacional recuou 26,5%, enquanto o lucro líquido caiu 16,3%.
Os dados são do relatório Resultados Econômico-Financeiros das Operadoras Médico-Hospitalares no 1º Trimestre de 2026: uma análise em valores reais, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Clique aqui para fazer o download ou acesse www.iess.org.br.
“O primeiro trimestre confirma que o setor se manteve na rota de resultados positivos, mas a composição desse resultado mudou. A redução do desempenho operacional reforça a importância de acompanhar como os resultados serão sustentados ao longo do ano”, afirma o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna.
O relatório mostra que o resultado operacional das operadoras somou R$ 3,4 bilhões no trimestre, enquanto o resultado financeiro atingiu R$ 3,6 bilhões. Sem a contribuição das aplicações financeiras, a margem líquida cairia de 6,1% para 2,8%, evidenciando o peso crescente do componente financeiro na composição do lucro.
As aplicações financeiras das operadoras alcançaram R$ 140,5 bilhões ao final de março, o maior estoque real da série histórica analisada pelo IESS e 75% superior ao registrado em 2018. As grandes operadoras concentram 72,2% desse montante, ante 54,2% no início da série, enquanto as médias são o único grupo com estoque real inferior ao observado em 2018.
“O resultado financeiro contribuiu para o desempenho do trimestre, mas a sustentabilidade econômica, financeira e assistencial do setor depende da capacidade das operadoras de manter o equilíbrio da atividade operacional. É essa trajetória que indicará a consistência dos resultados nos próximos períodos”, avalia.
A sinistralidade ficou em 81% no primeiro trimestre, o segundo menor nível para o período desde 2020. A análise por porte mostra comportamentos distintos: enquanto as grandes operadoras registraram aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2025, as pequenas reduziram o indicador em 4,5 pontos percentuais, atingindo o menor nível da série histórica.
O relatório também aponta que 502 operadoras encerraram o trimestre com resultado líquido positivo, o equivalente a 78,3% do total analisado. Outras 139 registraram prejuízo, mantendo o percentual de operadoras lucrativas acima da média histórica dos primeiros trimestres.
A evolução dos próximos resultados dependerá tanto do desempenho operacional quanto do cenário macroeconômico. Com a redução gradual da taxa Selic, a contribuição do resultado financeiro tende a diminuir caso o ciclo de cortes dos juros prossiga.
“Os resultados mostram um setor em situação diferente daquela observada entre 2021 e 2023, mas os próximos trimestres serão importantes para avaliar a capacidade das operadoras de ampliar a participação do resultado operacional na formação do lucro”, observa Vianna.
LetraCerta Inteligência em Comunicação
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