00:00:00
08 Oct

Mercado financeiro pede maior integração para financiar transição climática

29 de junho de 2026
247 Visualizações

A ampliação do financiamento privado, aliada à coordenação entre governos, instituições financeiras e organismos multilaterais, foi apontada como condição indispensável para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e cumprir as metas internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas. A avaliação foi compartilhada por representantes da UNEP Finance Initiative (UNEP FI), da ANBIMA, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e da Febraban durante o evento COP30 to COP31- Diálogos de Liderança: Escalando Finanças e Seguros para Impacto Global, realizado em Londres, no âmbito das agendas da London Climate Action Week.

Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, é necessária uma atuação coordenada entre seguradoras, bancos, mercado de capitais e setor público para ampliar a capacidade de financiamento da transição climática e transformar boas ideias em projetos efetivamente financiáveis. Segundo ele, as mudanças climáticas já são uma realidade e exigirão, nas próximas décadas, um esforço contínuo para reduzir seus impactos e aumentar a resiliência da sociedade.

Dyogo destacou que o setor segurador ocupa uma posição estratégica nesse processo por atuar tanto na proteção dos riscos quanto no financiamento de investimentos de longo prazo. “Somos a testemunha viva e o bolso vivo dos impactos imediatos das mudanças climáticas”, afirmou, ao lembrar que as seguradoras são as primeiras a absorver financeiramente os prejuízos provocados por eventos extremos.

O executivo ressaltou que o modelo tradicional de financiamento não será suficiente para atender ao volume de recursos necessário para a transição climática. Na sua avaliação, o desafio passa pela construção de um amplo portfólio de projetos financiáveis, capazes de atrair capital privado por meio da adequada identificação, precificação e gestão dos riscos ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos. Para isso, será necessário desenvolver novos instrumentos financeiros e fortalecer a integração entre o mercado segurador, o sistema financeiro e o mercado de capitais.

A necessidade de uma mudança estrutural também foi destacada pelo líder de Clima da UNEP Finance Initiative (UNEP FI), braço de finanças da ONU, Remco Fischer. Segundo ele, o principal desafio global é multiplicar a capacidade de financiamento climático destinada aos países em desenvolvimento, elevando os atuais cerca de US$ 200 bilhões anuais para US$ 1,3 trilhão ao longo da próxima década, conforme estabelece o roteiro Baku-Belém. Para Fischer, esse salto não será alcançado por meio de ajustes incrementais, mas, sim, por uma transformação profunda na forma como bancos, seguradoras e investidores direcionam seus recursos.

O representante da UNEP FI afirmou que o financiamento público continuará desempenhando papel essencial, especialmente para atender comunidades vulneráveis e remover barreiras estruturais que limitam a atuação do capital privado. No entanto, defendeu que o setor financeiro passe a incorporar os objetivos do Acordo de Paris em todas as suas decisões de crédito, seguros e investimentos. Também destacou o trabalho desenvolvido pela UNEP FI em conjunto com instituições financeiras públicas e privadas para criar uma visão comum sobre o que caracteriza um financiamento climático verdadeiramente transformador.

Representando a ANBIMA, o vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade, Cacá Takahashi, afirmou que o mercado de capitais brasileiro tem papel decisivo na mobilização dos recursos necessários para financiar infraestrutura sustentável, inovação e projetos alinhados aos compromissos climáticos. Segundo ele, o Brasil vem fortalecendo seu ambiente regulatório, ampliando o mercado de títulos sustentáveis e aprimorando padrões de transparência e governança, fatores que aumentam a confiança dos investidores e favorecem a expansão das finanças sustentáveis.

Takahashi ressaltou que iniciativas como o Plano de Transformação Ecológica criam condições para aproximar governo, reguladores e setor privado em torno de uma estratégia comum. Para ele, o desafio agora é ampliar a escala dos instrumentos financeiros disponíveis e aprofundar a cooperação entre instituições para acelerar investimentos em saneamento, logística, infraestrutura, agricultura sustentável e redução das emissões de carbono.

O presidente-executivo da Febraban, Isaac Sidney, reforçou que a agenda climática deixou de ser exclusivamente ambiental para se tornar também uma questão econômica, estratégica e de estabilidade financeira. Segundo ele, eventos climáticos extremos afetam diretamente empresas, famílias, cadeias produtivas e mercados, tornando indispensável que o sistema financeiro incorpore definitivamente os riscos climáticos à gestão de crédito, investimentos e governança.

Isaac destacou quatro prioridades para o avanço dessa agenda: o fortalecimento da gestão dos riscos climáticos, a consolidação de uma taxonomia sustentável, a implementação de um mercado de carbono íntegro e transparente e o combate ao desmatamento por meio da incorporação de critérios de sustentabilidade nas decisões de financiamento. Para o dirigente da Febraban, essas iniciativas dependerão de políticas públicas consistentes, segurança jurídica e cooperação internacional.

Ao longo do painel, os participantes convergiram na avaliação de que o período entre a COP30, realizada em Belém, e a COP31, que ocorrerá na Turquia, representa uma oportunidade para transformar os compromissos assumidos nas negociações internacionais em mecanismos concretos de financiamento. O consenso foi de que a transição climática somente ganhará a escala necessária se governos, seguradoras, bancos, investidores, organismos multilaterais e o mercado de capitais atuarem de forma integrada para ampliar o fluxo de recursos destinados à economia de baixo carbono e à adaptação climática.

Assessoria CNseg

You may be interested

Tokio Marine está entre as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em ranking do GPTW 2026
Tokio Marine
128 Vizualizações
Tokio Marine
128 Vizualizações

Tokio Marine está entre as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em ranking do GPTW 2026

Publicação - 7 de outubro de 2026

A Tokio Marine Seguradora figura entre as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil no ranking Great Place to Work (GPTW) 2026, ocupando a 3ª posição na classificação…

Últimos dias para inscrições em Certificação sobre Lei de Seguros
ENS
123 Vizualizações
ENS
123 Vizualizações

Últimos dias para inscrições em Certificação sobre Lei de Seguros

Publicação - 7 de outubro de 2026

A entrada em vigor da Lei nº 15.040/2024, que estabeleceu novas normas para os contratos de seguro, trouxe mudanças que alcançam diferentes áreas do mercado. Para profissionais…

eRA 2026 abre inscrições gratuitas para encontro atuarial internacional
IBA
121 Vizualizações
IBA
121 Vizualizações

eRA 2026 abre inscrições gratuitas para encontro atuarial internacional

Publicação - 7 de outubro de 2026

As inscrições para o eRA 2026 – Evento Regional Atuarial já estão abertas. A quarta edição da iniciativa acontece nos dias 15 e 16 de outubro, em…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin