Empresas de diferentes setores passaram a operar sob uma lógica cada vez mais orientada por antecipação de risco. Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, pressão sobre margens, desaceleração econômica em mercados estratégicos e maior volatilidade nas cadeias globais de fornecimento, a capacidade de identificar sinais precoces de deterioração financeira vem ganhando espaço nas estratégias comerciais, de crédito e de expansão internacional das companhias.
Esse foi o principal tema debatido em webinar promovido pela Coface, que reuniu Andrew Share, Diretor Global de Engenharia de Soluções da Coface, e Carolina Almeida, Diretora para a América Latina da Coface Business Information. O mote do evento foi “Keeping Your World Open – Grandes Oportunidades Aparecem em Tempos Incertos”. Durante o encontro, os executivos defenderam o uso de inteligência preditiva, monitoramento contínuo e análise de comportamento de pagamento como ferramentas para apoiar decisões mais rápidas e seguras em ambientes de maior incerteza.
Segundo Share, a gestão de risco deixou de ocupar apenas uma função operacional e passou a ter papel estratégico dentro das organizações. “As oportunidades continuam existindo mesmo em cenários complexos, mas as empresas precisam cada vez mais de informações confiáveis e atualizadas para tomar decisões com segurança”, afirmou.
O executivo destacou que a Coface utiliza sua operação global de seguro de crédito — presente em mais de 200 países — para captar sinais relacionados a atrasos de pagamento, movimentações comerciais e exposição financeira de empresas em diferentes mercados. Essas informações alimentam modelos preditivos utilizados tanto pela própria seguradora quanto pelos clientes da companhia.
Durante o webinar, a empresa apresentou detalhes do Urba360, plataforma de análise de risco que reúne indicadores relacionados a risco-país, risco setorial, score de crédito, comportamento de pagamento, dados financeiros e recomendação de crédito em um único ambiente digital.
Carolina Almeida afirmou que um dos principais desafios das empresas atualmente é transformar excesso de informação em decisões práticas e consistentes. “Hoje o diferencial não está apenas no acesso ao dado, mas na capacidade de priorizar, interpretar e agir rapidamente”, disse.
Entre os casos apresentados no encontro esteve o de um exportador do setor têxtil que manteve operações na Argentina durante um período de forte instabilidade econômica. Segundo Carolina, a companhia utilizou relatórios e monitoramento contínuo da Coface para selecionar distribuidores com melhor perfil financeiro e atravessou o período sem registrar inadimplência relevante.
Outro exemplo citado foi o de uma grande companhia do agronegócio brasileiro. A Coface afirmou que começou a identificar sinais de deterioração financeira da empresa ainda em 2023, reduzindo gradualmente sua exposição e recomendações de crédito antes do pedido de recuperação judicial da companhia. O caso foi apresentado como exemplo da importância do monitoramento contínuo para antecipação de risco.
Os executivos também destacaram que ferramentas de análise de crédito vêm sendo utilizadas não apenas para redução de inadimplência, mas também para apoiar estratégias de expansão comercial, priorização de carteira e gestão de fornecedores globais. Um dos exemplos apresentados mostrou como uma fabricante global de veículos pesados utiliza o monitoramento da Coface para acompanhar fornecedores prioritários em diferentes países e agir preventivamente diante de alterações de score ou recomendação de crédito.
Tamer Comunicação
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