Em um cenário em que apenas 17% dos colaboradores se sentem financeiramente seguros e 81% demonstram preocupação com o custo de vida, a saúde financeira passou a ocupar um papel central na gestão corporativa. É o que revela a 10ª Pesquisa de Benefícios da Lockton, que reuniu mais de 620 empresas e aponta uma mudança relevante na forma como as organizações vêm estruturando suas estratégias de benefícios.
O estudo mostra que o comportamento financeiro dos colaboradores passou a ser tratado como uma variável relevante na gestão de riscos, impulsionando a adoção de iniciativas voltadas à educação financeira, ao planejamento de longo prazo e ao estímulo à previdência corporativa. Ainda assim, o desafio é significativo: mais de 90% das empresas não possuem levantamento estruturado sobre o grau de endividamento de seus colaboradores.
Esse movimento ocorre em paralelo a um contexto econômico mais amplo. Dados do Banco Central do Brasil indicam que as apostas esportivas online movimentaram cerca de R$ 120 bilhões em 2024. Já levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que mais de 77% das famílias brasileiras estavam endividadas em 2025, evidenciando a pressão contínua sobre o orçamento doméstico.
Atenta a esse cenário, a pesquisa da Lockton também identificou o avanço da previdência corporativa e a ampliação de programas de educação financeira, com crescimento de quase 10% nos últimos dez anos. O dado indica uma evolução consistente na preocupação das empresas com o planejamento de longo prazo e a sustentabilidade financeira dos colaboradores.
Ao mesmo tempo, o avanço das apostas online surge como um novo ponto de atenção. O fácil acesso às plataformas e a lógica de ganhos imediatos têm influenciado o comportamento financeiro, elevando o risco de endividamento e seus impactos no ambiente de trabalho.
“Não se trata de controlar escolhas individuais, mas de reconhecer que esse novo contexto exige uma resposta mais estruturada das empresas. Programas de educação financeira, apoio psicológico e benefícios bem desenhados passam a funcionar como instrumentos de gestão, ajudando a reduzir impactos e aumentar a previsibilidade dos custos”, afirma Bruno Cerboncini, Superintendente de Benefícios da Lockton.
Para a Lockton, o cenário reforça uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com benefícios corporativos e gestão de pessoas, com maior integração entre comportamento financeiro, saúde e estratégia de negócio. Em um ambiente de maior complexidade econômica, a tendência é que a agenda de saúde financeira e previdência corporativa ganhe ainda mais relevância, exigindo das companhias uma atuação mais preventiva, orientada por dados e alinhada à sustentabilidade de longo prazo.
4in Comunicação
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