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21 May

Abertura do Encontro de Resseguro destaca papel estratégico

21 de maio de 2026
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Rafaela Barreda: resseguro é a “engrenagem silenciosa da resiliência”

A presidente da Fenaber, Rafaela Barreda, afirmou que o setor atravessa “uma nova fase”, na qual seguros e resseguros passam a ocupar posição cada vez mais central na economia brasileira. Segundo ela, as recentes atualizações regulatórias criam condições concretas para ampliar o alcance da proteção securitária, com soluções mais modernas, eficientes e alinhadas às necessidades da sociedade.

Ao contextualizar os desafios atuais, Rafaela destacou que “o resseguro é a engrenagem silenciosa da resiliência”, por sua capacidade de sustentar empresas, economias e projetos diante de cenários de instabilidade crescente.

Ela lembrou que o mundo vive um período marcado por eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos sem precedentes e tensões geopolíticas que afetam a economia global. Nesse ambiente, a absorção e o compartilhamento de riscos tornam-se essenciais para preservar investimentos, cadeias produtivas e estabilidade social.

Para Rafaela, o encontro acontece “no lugar certo e na hora exata”, em um momento em que o mercado precisa discutir soluções capazes de responder à velocidade das mudanças. A programação do fórum, afirmou, pretende fazer um “raio-x” das responsabilidades do setor diante das transformações econômicas e sociais em curso.

Dyogo Oliveira: seguros e resseguros são atividades indissociáveis

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, reforçou a necessidade de maior integração entre os mercados de seguros e resseguros. Para ele, essa articulação será essencial para ampliar a proteção da economia brasileira diante de riscos climáticos, da transformação digital e da necessidade de expansão da cobertura securitária no país.

Dyogo afirmou que seguros e resseguros são “atividades indissociáveis” e que o fortalecimento institucional entre seguradoras, resseguradoras e reguladores será decisivo para enfrentar os novos desafios econômicos e sociais.

“O mundo não vai se adaptar a nós. Nós é que teremos de nos adaptar a um ambiente cada vez mais complexo, mais desafiador e mais imprevisível.”

Segundo o presidente da CNseg, os riscos climáticos exigirão soluções cada vez mais globais, especialmente diante do aumento de eventos extremos, enchentes urbanas e perdas no agronegócio. Ele destacou que será necessário ampliar a capacidade de redistribuição internacional de riscos para absorver impactos mais frequentes e severos.

Dyogo também chamou atenção para o baixo alcance do seguro no Brasil. Segundo ele, ainda há um espaço “imenso” a ser ocupado pelo mercado de proteção financeira. Esse desafio envolve a criação de produtos mais acessíveis para uma população de baixa renda e a adaptação da comunicação do setor a uma sociedade digitalizada, mas com menor disposição para consumir conteúdos complexos.

“Temos uma sociedade com muita informação, mas pouca formação. Hoje, muitas vezes, existem apenas alguns segundos para explicar produtos complexos, com inúmeras nuances, para consumidores que têm cada vez menos tempo e paciência para absorver esse tipo de conteúdo.”

O presidente da CNseg lembrou ainda que cerca de 67% da população brasileira recebe menos de dois salários-mínimos, o que exige soluções mais inclusivas e aderentes à realidade econômica do país.

Apesar dos desafios, Dyogo afirmou ver grandes oportunidades para o setor. Para ele, a capacidade de inovação, adaptação e atuação conjunta será determinante para ampliar a proteção econômica e social no Brasil.

Alessandro Octaviani: seguros e resseguros são instrumentos de desenvolvimento nacional

O superintendente da Superintendência de Seguros Privados, Alessandro Octaviani, defendeu uma visão estratégica do mercado de seguros e resseguros como instrumento de desenvolvimento nacional. Para ele, o fortalecimento do setor será decisivo para ampliar a capacidade de investimento, enfrentar os impactos das mudanças climáticas e elevar a resiliência da economia brasileira.

Octaviani afirmou que seguros e resseguros não podem ser tratados apenas como negócios, mas como pilares estruturantes da economia moderna.

“Sem o resseguro, o sistema de seguros opera com uma perna quebrada. E sem um sistema de seguros sólido, a própria economia perde capacidade de resiliência.”

Segundo ele, o setor cumpre uma função dupla: reduz riscos econômicos e, ao mesmo tempo, fortalece a confiança necessária para atrair investimentos e expandir a atividade produtiva.

“Estamos falando, evidentemente, de negócios, de empresas e de prosperidade econômica. Mas estamos falando também de uma verdadeira política de desenvolvimento nacional.”

O superintendente também defendeu a preservação de um mercado plural, com espaço para diferentes perfis de resseguradores — locais, admitidos e eventuais —, cada um com funções complementares dentro do sistema.

Octaviani apontou como um dos principais desafios a expansão do mercado ressegurador brasileiro, ainda reduzido diante do potencial da economia nacional. Segundo ele, um mercado da ordem de R$ 30 bilhões é pequeno para as necessidades do país.

Entre as iniciativas recentes, citou mudanças legislativas como a Lei nº 15.040 e a Lei Complementar nº 223, que, segundo ele, contribuem para ampliar a confiança no mercado segurador e aumentar a capacidade de oferta de seguros privados.

O superintendente também destacou as discussões sobre o seguro de vida universal, uma das principais agendas regulatórias atuais da Susep. De acordo com Octaviani, a etapa regulatória infralegal já foi concluída e agora estão em curso negociações com a Receita Federal para viabilizar o modelo.

Mudanças climáticas, infraestrutura e proteção da sociedade no centro do debate

A crise climática foi um dos temas mais presentes na abertura do evento. Para os participantes, os impactos de eventos extremos já impõem ao setor a necessidade de novas estratégias de compartilhamento de riscos, inovação regulatória e cooperação entre mercado privado e poder público.

Octaviani afirmou que o país precisa construir uma estratégia ampla de resiliência climática, reconhecendo que o mercado privado tem papel essencial, mas não conseguirá absorver sozinho toda a complexidade dos riscos envolvidos.

Ele informou ainda que um grupo de trabalho da Susep deverá concluir, ainda neste semestre, documento que servirá de base para novas discussões sobre mecanismos de compartilhamento de riscos e fortalecimento da proteção securitária no país.

Na sequência, a autarquia deverá criar um grupo de trabalho voltado à relação entre seguros, resseguros e infraestrutura. A proposta, segundo Octaviani, é fazer com que o setor funcione como “infraestrutura da infraestrutura brasileira”, ajudando a destravar investimentos, ampliar garantias e fortalecer a segurança econômica dos projetos.

Setor busca respostas conjuntas para riscos mais complexos

A abertura do Encontro de Resseguro deixou uma mensagem clara: diante de um mundo mais instável, digitalizado e exposto a riscos sistêmicos, seguros e resseguros passam a ter papel ainda mais estratégico para a economia brasileira.

A cooperação entre seguradoras, resseguradoras, reguladores, governo e iniciativa privada foi apontada como condição essencial para ampliar a proteção da sociedade, desenvolver soluções inclusivas, fortalecer a segurança jurídica e criar mecanismos capazes de sustentar grandes projetos nacionais.

Com debates sobre clima, infraestrutura, agronegócio, regulação, inovação e inclusão securitária, o Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro se consolida como um dos principais fóruns latino-americanos dedicados ao futuro do setor e à construção de uma economia mais resiliente.

Assessoria de Imprensa CNseg

Foto: Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, Rafaela Barreda, presidente da Fenaber e Alessandro Octaviani, Superintendente de Seguros Privados

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