O Brasil ainda enfrenta uma realidade desafiadora no combate à violência contra a mulher. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 8 em cada 10 casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros, evidenciando que o maior risco para muitas mulheres ainda está dentro de casa. Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, alta de 4,7% em relação ao ano anterior, além de um cenário em que milhões de brasileiras convivem com diferentes formas de violência doméstica e familiar.
Diante desse contexto, iniciativas que promovem a valorização, a escuta e o fortalecimento do protagonismo feminino tornam-se ainda mais relevantes, inclusive dentro do ambiente corporativo. Foi com esse propósito que a APVS Brasil, associação de proteção patrimonial, promoveu, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, uma ação interna que propôs um novo olhar sobre o papel feminino na sociedade e dentro da organização.
Intitulada “Ela”, a iniciativa teve como objetivo desenvolver um jornal impresso com base em mais de 100 relatos de colaboradoras, trazendo à tona histórias reais sobre suas trajetórias, desafios e conquistas. A proposta partiu da inversão de uma lógica recorrente nas manchetes atuais, substituindo narrativas de violência por conteúdos que valorizam o protagonismo das mulheres e ampliam o espaço para suas vozes.
Para Arthur Silva, gerente de Marketing da APVS, a ação reforça o compromisso da instituição em construir uma cultura mais consciente e representativa. “Mais do que uma campanha, o ‘Ela’ nasce como um posicionamento. Buscamos criar um espaço onde essas mulheres pudessem ser vistas e ouvidas, reconhecendo a importância das suas histórias dentro e fora da organização”, destaca. A iniciativa também reflete um movimento contínuo da APVS Brasil em fortalecer práticas internas alinhadas ao respeito, à valorização e ao protagonismo feminino.
A escolha pelo formato impresso foi um dos diferenciais da iniciativa. Em um contexto cada vez mais digital e imediato, o jornal “Ela” ganha o valor simbólico de um documento pensado para ser folheado, compartilhado e guardado. A materialidade da peça reforça o propósito do projeto: transformar histórias em algo concreto e duradouro.
“A gente quis ir na contramão do que é rápido e descartável hoje. O jornal impresso tem um peso diferente. Ele cria conexão. Quando você segura, folheia e se reconhece ali, a experiência se torna mais significativa”, explica Silva. Para o profissional, o “Ela” não é apenas uma peça de comunicação, mas um registro de histórias compartilhadas que permanecem vivas ao longo do tempo.
O próximo passo, de acordo com o gerente de Marketing, é garantir que a iniciativa tenha continuidade e impacto real no dia a dia. “Não queremos que isso fique restrito a uma data. O desafio agora é transformar esse movimento em algo constante, criando cada vez mais espaços de escuta e ampliando o protagonismo feminino dentro da APVS”. Para Arthur, o fortalecimento dessa cultura passa tanto por novas iniciativas quanto pela evolução de práticas internas já existentes.
Grupo Mostra de Ideias
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