O uso de terapias imunobiológicas nos planos de saúde cresceu mais de 30 vezes na última década. Levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mostra que o número de procedimentos em ambiente ambulatorial passou de pouco mais de 11 mil registros, em 2015, para mais de 374 mil em 2024. No mesmo período, os procedimentos realizados em ambiente hospitalar também aumentaram, passando de 247 para mais de 5 mil registros anuais.
Clique aqui e obtenha a íntegra do estudo ou acesse www.iess.org.br.
“O crescimento dessas terapias mostra como a saúde suplementar tem incorporado tecnologias mais avançadas e ampliado as opções de tratamento para os pacientes”, afirma o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna.
As terapias imunobiológicas são medicamentos de alta complexidade produzidos a partir de organismos vivos, desenvolvidos para atuar de forma direcionada em mecanismos específicos do sistema imunológico. Diferentemente dos tratamentos convencionais, esses medicamentos conseguem bloquear ou modular processos inflamatórios e imunológicos com maior precisão.
Na prática clínica, são amplamente utilizadas no tratamento de doenças como artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais, além de diversas aplicações em oncologia, especialmente em terapias que estimulam o próprio sistema imunológico a combater tumores.
Segundo o estudo, a expansão acompanha a incorporação progressiva dessas tecnologias no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS e reflete o avanço da medicina de precisão, com ampliação do acesso a tratamentos mais modernos para pacientes com doenças crônicas e complexas.
Os dados também indicam mudanças na dinâmica de custos. No ambiente ambulatorial, o valor médio real dos procedimentos caiu cerca de 62% ao longo da série histórica, enquanto no ambiente hospitalar houve relativa estabilidade.
O estudo ressalta, no entanto, que os valores analisados consideram apenas o ato de aplicação das terapias, não incluindo o custo dos medicamentos imunobiológicos, que concentram a maior parte do impacto financeiro para as operadoras.
Outro ponto destacado é a diferença entre a utilização observada e o potencial de demanda. Usando como exemplo estimativas para artrite reumatoide, o IESS calcula que cerca de 56 mil beneficiários poderiam ser elegíveis ao uso dessas terapias, o que representaria um impacto econômico potencial de aproximadamente R$ 2,68 bilhões ao ano.
Na prática, porém, o volume de procedimentos registrados é significativamente inferior, o que pode indicar subdiagnóstico, barreiras de acesso ou critérios clínicos mais restritivos.
“Há uma diferença importante entre o potencial de utilização e o que aparece nos dados assistenciais. Isso sugere que ainda há espaço para ampliar o acesso, mas há também necessidade de gestão dos custos dessas tecnologias”, diz Vianna.
O estudo também mostra que a maior parte dos procedimentos ocorre entre mulheres, refletindo o perfil das doenças tratadas com imunobiológicos, como condições autoimunes e inflamatórias crônicas.
O crescimento dessas terapias ocorre em um contexto de inovação tecnológica contínua e aumento da prevalência de doenças crônicas, fatores que podem impactar sobre os custos do sistema de saúde suplementar. “O desafio é conciliar a ampliação do acesso a terapias inovadoras com a sustentabilidade financeira da saúde suplementar”, afirma Vianna.
LetraCerta
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