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19 Apr

Mulher no volante, perigo constante? Os dados discordam

5 de março de 2026
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Todo 8 de março, o mundo para para celebrar conquistas e debater desigualdades. Mas existe um território onde as mulheres já venceram e onde ainda assim precisam provar seu valor diariamente: o trânsito. Uma pesquisa conduzida pela Justos, insurtech brasileira que recompensa motoristas conscientes, revela em detalhes os comportamentos que tornam as mulheres estatisticamente mais seguras atrás do volante. Os dados são claros. A resistência cultural, também.

O contexto nacional só reforça o que o levantamento aponta. Segundo dados do Detran-DF divulgados em março de 2025, os homens respondem por 85,6% das mortes no trânsito da capital federal contra 14,4% das mulheres. Isso significa que acidentes fatais no DF matam homens em uma proporção quase seis vezes maior do que mulheres. Em Goiás, o Detran-GO registrou padrão semelhante ao longo de 2025: 68,1% das vítimas fatais nas vias eram do sexo masculino. A pergunta que a Justos foi investigar é: o que, concretamente, as mulheres fazem diferente?

“Queríamos entender, de forma objetiva, quais comportamentos fazem a diferença no trânsito. O que encontramos reforça algo que estudos já apontam há tempos: a direção das mulheres tende a ser mais cautelosa, com menos tomadas de risco desnecessárias”, afirma Dhaval Chadha, CEO e cofundador da Justos.

Os números que contam a história

Entre os principais hábitos identificados pela pesquisa com 324 motoristas, destacam-se:

  • 87% prestam atenção constante à sinalização e aos pedestres
  • 80% evitam ultrapassagens arriscadas
  • 77% evitam o uso do celular ao volante
  • 76% garantem que todos os passageiros usem o cinto de segurança
  • 57% verificam freios, pneus e luzes antes de sair

O dado sobre o celular merece atenção especial. Em 2025, pesquisa da Sem Parar revelou que 76% dos motoristas brasileiros consideram o smartphone o maior risco nas ruas acima até da criminalidade. A Abramet confirma: o uso do celular ao volante já é a terceira maior causa de mortes no trânsito no Brasil, gerando em média 14 acidentes por hora nas rodovias. Digitar uma mensagem enquanto se dirige a 80 km/h equivale a percorrer quase 100 metros de olhos vendados. Entre as motoristas pesquisadas pela Justos, 37% afirmam nunca usar o aparelho ao dirigir, e outras 42% dizem fazê-lo apenas em emergências.

O cinto de segurança é outro ponto crítico. A Abramet estima que seu uso reduz em até 60% o risco de morte para ocupantes dos bancos da frente e em até 44% para os passageiros de trás. Ainda assim, o descuido com esse item simples continua custando vidas. As motoristas da pesquisa saem bem nesse quesito: 76% garantem que todo mundo no carro esteja protegido antes de dar a partida.

“Os dados mostram que as mulheres não só dirigem com mais cautela, mas se preocupam com a segurança de todos dentro e fora do carro. Precisamos valorizar esse tipo de comportamento e usá-lo como referência para uma cultura de trânsito mais segura e responsável”, destaca Dhaval.

Boas motoristas — e ainda alvo de preconceito

Apesar de todos esses indicadores positivos, o preconceito segue presente no cotidiano das motoristas brasileiras. Do total de respondentes, 32% disseram já ter sofrido
comentários depreciativos por estar ao volante algumas vezes, e 23% afirmam que esse tipo de situação acontece com frequência.

A autoconfiança das motoristas, no entanto, é alta: 61% se consideram boas motoristas, e 34% avaliam seu desempenho positivamente, mas acreditam que podem melhorar. Quando o tema é a comparação com os homens, 64% das entrevistadas afirmam que as mulheres são, de forma geral, mais prudentes no trânsito.

“O fato de tantas mulheres ainda enfrentarem julgamentos ao volante mostra como estereótipos ultrapassados continuam enraizados na sociedade e isso precisa mudar. A competência no trânsito deve ser medida pelo comportamento responsável, não pelo gênero”, analisa Dhaval.

O que torna o trânsito inseguro? As mulheres respondem

Quando questionadas sobre os principais fatores de risco nas vias, as respondentes foram diretas. O consumo de álcool ou drogas antes de dirigir foi apontado por 83% como o maior problema. Em seguida: excesso de velocidade (79%), comportamento agressivo do motorista (77%), falta de atenção (76%), uso do celular ao volante (73%), más condições das vias (64%) e dirigir com sono ou fadiga (60%).

O diagnóstico das motoristas bate com o que os especialistas apontam. Segundo o Detran-GO, excesso de velocidade, álcool ao volante, uso de celular e ultrapassagens proibidas estão entre as principais causas de acidentes com vítimas no país, comportamentos que, segundo as próprias pesquisadas, estão muito mais associados ao perfil masculino de direção.

“Quando analisamos esses fatores, fica evidente que as condutas de maior risco estão predominantemente associadas ao comportamento masculino no trânsito. As mulheres, por sua vez, adotam uma postura mais defensiva e isso salva vidas. Se quisermos reduzir acidentes e mortes nas estradas brasileiras, precisamos incentivar esse tipo de direção e combater a cultura da imprudência”, conclui Dhaval.

Assessoria de Imprensa Justos

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