A transformação no mercado segurador tem sido marcada pelo importante movimento de crescimento da liderança feminina. Esse avanço representa a ampliação de perspectivas no processo decisório, o fortalecimento da diversidade como ativo estratégico e a incorporação de diferentes trajetórias e experiências no centro do negócio.
A presença crescente de mulheres em cargos executivos tem demonstrado que competência, visão estratégica e capacidade de gerar resultados não têm gênero. A liderança feminina, assim como a masculina, é plural e se define por características individuais, experiências acumuladas e pela forma como cada pessoa interpreta seu papel dentro da organização. Mulheres líderes vêm contribuindo de maneira decisiva para a evolução do setor e colaborando com mais pluralidade nas decisões, o que favorece a inovação e fortalece o vínculo com diferentes perfis de clientes, parceiros e colaboradores.
Os avanços são visíveis, mas desafios permanecem. No Brasil, para cada dois diretores do setor de seguros, há uma diretora mulher, ainda que 55% da força de trabalho no mercado seja feminina. Persiste também a desigualdade salarial, dado que a remuneração média das mulheres corresponde a apenas 70% da média salarial dos masculina. Os dados são da última pesquisa sobre Mulheres no Mercado de Seguros realizada pela Escola de Negócios e Seguros, disponibilizada em junho de 2025.
Os números demonstram como é necessário que empresas invistam em políticas robustas de inclusão, desenvolvimento de talentos femininos e combate a barreiras invisíveis que ainda limitam o crescimento profissional de muitas profissionais.
A igualdade de oportunidades não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia inteligente de negócios. Pesquisa realizada pela McKinsey, por exemplo, percebeu que a probabilidade de maior ganho financeiro em empresas com mais de 14% de mulheres em postos executivos é 31% maior. Para a consultoria, Empresas percebidas pelos funcionários como diversas em termos de gênero têm 93% mais chances de superar financeiramente suas concorrentes do setor. Uma companhia mais diversa toma decisões melhores e tem maior capacidade de inovação, o que se reflete no balanço financeiro.
Além disso, fomentar a equidade de gênero nas organizações também contribui para fortalecer a reputação corporativa, tornando as empresas mais atrativas para talentos, investidores e consumidores cada vez mais atentos ao compromisso das marcas com responsabilidade social e ambiental. A construção de um ambiente mais inclusivo é uma demanda contemporânea, não apenas ética, mas estratégica.
É fundamental compreender que a diversidade de gênero na liderança não se limita à presença feminina em cargos altos, mas se estende à criação de culturas organizacionais mais acolhedoras, onde diferentes perfis de profissionais possam se desenvolver com liberdade, segurança e protagonismo. Esse processo exige um esforço contínuo de mudança estrutural, envolvendo líderes, políticas de RH, comunicação interna e educação corporativa.
Equipes diversas são mais preparadas para enfrentar os desafios de um setor em transformação. Homens e mulheres, em suas múltiplas identidades, têm muito a contribuir para um mercado mais dinâmico, ético e conectado com as demandas da sociedade. Não é coincidência que empresas com maior diversidade de gênero em cargos executivos apresentem melhores resultados financeiros e maior engajamento de equipes.
A construção de um setor mais inclusivo e representativo depende de ações intencionais, metas claras e compromisso das lideranças. Isso inclui desde o fortalecimento de programas de mentoria e capacitação até a promoção de ambientes que estimulem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, possibilitando que mais mulheres avancem em suas carreiras sem precisar renunciar a outras dimensões da vida.
O futuro do mercado de seguros será construído por lideranças múltiplas, complexas e complementares. A presença feminina nesse futuro é essencial para que o mercado continue evoluindo com solidez, relevância e responsabilidade.
Agência Virta
*Por Livia Prata, diretora de Frotas da Allianz Seguros
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