Um incêndio de grandes proporções atingiu uma fábrica de tapetes higiênicos para pets, na madrugada da última quinta-feira (4), em Monte Mor, interior de São Paulo. O chamado ao Corpo de Bombeiros foi registrado por volta das 2h30. Equipes dos municípios de Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e Piracicaba foram mobilizadas para combater as chamas com apoio da Defesa Civil de Monte Mor. Apesar de grave, os funcionários deixaram o local em segurança. Não houve vítimas.
O incêndio se estendeu por mais de 11 horas e destruiu dois galpões do depósito de matérias-primas que abrigavam celulose, papel e plástico – materiais altamente inflamáveis que contribuíram para a propagação intensa do fogo. As causas da ocorrência serão investigadas.
Fragilidade na segurança contra incêndios nas indústrias
Embora a legislação para edificações comerciais e residenciais tenha evoluído bastante no Estado de São Paulo e no Brasil, os ambientes industriais ainda não têm obrigação legal de instalar sistemas completos para prevenção e combate a incêndios. Marcelo Lima, consultor do Instituto Sprinkler Brasil (ISB) e especialista em proteção e combate a incêndios, revela que as exigências impostas aos edifícios comerciais são robustas. Porém, quando se fala em indústrias, as exigências são insuficientes. “Nem todas as operações fabris são obrigadas a instalar sistemas de sprinklers, por exemplo. Só haverá proteção maior, se a companhia quiser investir ou se a seguradora exigir. E, para manter esses ambientes seguros, é fundamental que haja alteração nas classificações de risco, pois há fábricas de materiais altamente inflamáveis – como papelão, madeira, alimentos e outros insumos de alta combustão – que estão completamente desprotegidas”, detalha.
Segundo o especialista, é preciso que a adoção de sistemas contra incêndios completos e eficazes se torne compulsória nos ambientes industriais que lidam com materiais inflamáveis. “A falta dessa exigência na legislação abre espaço para ocorrências como o recente grande incêndio que ocorreu em Monte Mor. Felizmente, não houve mortes ou pessoas feridas, mas o prejuízo material, com certeza, foi enorme”, analisa Marcelo Lima.
Além de colocar patrimônios e, principalmente, vidas humanas em risco, essa lacuna regulatória também pode elevar o risco econômico não apenas às empresas, mas também às respectivas regiões. “Quando um grande incêndio atinge uma indústria que opera em um pequeno ou médio município, muitos empregos podem ser comprometidos pelo impacto monetário que, por consequência, afeta o comércio e a economia local – ciclo que afeta a saúde financeira regional.”
O episódio de Monte Mor revela a urgência para que o poder público e a sociedade civil discutam e definam como obrigatória a instalação de sistemas completos para a proteção contra incêndios a mais categorias industriais. “O incêndio de Monte Mor e outras centenas de ocorrências industriais que ocorrem no país evidenciam a necessidade urgente de uma legislação mais ampla para promover a segurança”, alerta o consultor do ISB.
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