O Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) promoveu o 1º Fórum de Longevidade, no dia 27 de novembro, em São Paulo. As plenárias focaram nos desafios e oportunidades da longevidade na saúde, no setor de seguros, na economia e na estruturação de novos mercados. O evento reuniu atuários, professores e especialistas, promovendo aprendizado ao abordar temas essenciais para garantir um futuro longevo para a sociedade.
Os dados do IBGE confirmam a urgência em debater a longevidade. O Brasil está vivendo uma das transições demográficas mais aceleradas do mundo. Se em 1980, a população de idosos, acima de 65 anos, representava apenas 4% do total, hoje esse índice já ultrapassa os 11%. A velocidade da mudança é dramática: em menos de 15 anos, por volta de 2040, o número de idosos vai superar o número de crianças e adolescentes. Projeções indicam que até 2050, um em cada quatro brasileiros terá mais de 60 anos.
Durante a abertura, o presidente do IBA, Giancarlo Germany, relacionou que os desafios ao desenvolver produtos financeiros e apoiar o financiamento dos países não é um problema novo. “Na realidade, o que enfrentamos no século XXI mantém similaridades com o passado, mas com uma complexidade ampliada, dado a velocidade com que o aumento da longevidade nos afeta. Como Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), temos o compromisso de aprofundar a compreensão sobre os problemas sociais e auxiliar no desenvolvimento de produtos financeiros para a população. No âmbito atuarial, a busca pelo equilíbrio é uma constante em nossa relação com o mercado e a sociedade”.
Germany ainda apontou a relevância da discussão transcendendo o mercado financeiro e o meio acadêmico, tornando-se central na agenda social brasileira. “Tivemos um acontecimento relevante em novembro, com o tema da redação do Enem trazendo a longevidade ao âmbito de discussão de jovens e adolescentes. O envelhecimento populacional nos impõe a necessidade de viver mais e com saúde, aproveitando a vida, mas com um custo financeiro para o qual talvez não estejamos totalmente preparados”.
O 1º Fórum de Longevidade promovido pelo IBA contou com debates sobre “Saúde na Longevidade”, com o Dr. Luiz Roberto Ramos, professor e diretor Fundador do Centro de Estudos de Envelhecimento da Unifesp (Universidade Estadual de São Paulo), “Longevidade no Mercado Securitário”, com Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade da MAG Seguros, e Eduardo Lamers, Superintendente Geral da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), “Saúde Suplementar na Longevidade”, com Martha Oliveira, CEO do Grupo Laços, especialista em envelhecimento, e Cátia Mantini, Gerente Geral Regulatória da Estrutura de Produtos da ANS – Agência Nacional de Saúde, “Economia e Mercado de Trabalho”, com Mórris Utvak, CEO e fundador da Maturi, e Clea Klouri, xxxx, e o “Desafio na estruturação de novos mercados”, com Hélio Zylberstajn, economista, professor da faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP) e de membros do GT de Longevidade do IBA.
Os palestrantes destacaram os impactos na falta de planejamento para viver mais, ressaltando a necessidade de proteção em transições demográficas como o Brasil está vivenciando, revisando a visão sobre o conceito de aposentadoria e perda de renda, a educação financeira, o impacto direto sobre a saúde e o bem-estar e a equidade na longevidade.
No final das palestras, foram anunciados os artigos vencedores do 9º Prêmio Ricardo Frischtak: “Seguros de vida inteira e análise de persistência: uma abordagem com modelos de sobrevivência com fração de cura”, das atuárias Yasmin Santana da Silva e Milena Duarte da Rocha, ficou em primeiro lugar. O segundo lugar foi para o texto sobre a “Proposta de fundo assistencial para cobertura de eventos extremos em operadoras de planos de saúde”, do atuário Luanvir Luna da Silva. E o terceiro lugar foi da atuária Beatriz Pimenta Nora, que abordou o tema “Modelos de precificação atuarial de letra de risco e seguro para catástrofe climática no Brasil”.
A premiação visa desenvolver e promover o conhecimento do estudo atuarial no Brasil e em homenagem (in memoriam) ao professor Ricardo Frischtak. Participaram do concurso os atuários e os estudantes do Curso de Graduação em Ciências Atuariais associados ao IBA.
KS Comunicação
Foto: Giancarlo Germany – Presidente do IBA
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