00:00:00
26 Feb

CNseg mostra como o seguro impulsiona a transição para uma economia verde

12 de novembro de 2025
304 Visualizações

“Meu desejo político, de uma perspectiva de adaptação, é que paremos de construir coisas que sabemos que não serão o que precisamos nos próximos 20, 30, 40 anos.” A afirmação de Amy Barnes, líder global de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, deu o tom do painel “Showcasing the Role of Insurance in Unlocking and Accelerating Climate Finance”, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela City of London, nesta terça-feira (11), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA).

A sessão reuniu representantes de seguradoras globais e liderança do governo do Reino Unido para discutir como o seguro pode se consolidar como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono, destravando o financiamento climático por meio da redução de riscos e da mobilização de capital privado.

Na abertura do painel, Luciana Dall’Agnol, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, destacou que a realização da COP30 no Brasil, no coração da Amazônia, reforça o papel estratégico do setor de seguros na construção de um futuro sustentável. “O seguro não se trata apenas de cobrir perdas e prejuízos. Nós viabilizamos transformações na sociedade. O seguro é uma peça fundamental para destravar o financiamento sustentável, reduzindo riscos, atraindo capital privado e transformando ambição climática em oportunidades de investimento”, afirmou.

Ela ressaltou que, em todo o mundo, cresce o reconhecimento de que o seguro deve se tornar o terceiro pilar do sistema de financiamento climático, ao lado do crédito e do investimento, por oferecer estabilidade e mecanismos de transferência de risco que tornam a transição verdadeiramente financiável. No Brasil, acrescentou, esse papel ganha relevância especial em setores estratégicos como soluções baseadas na natureza, bioeconomia, energia renovável e combustíveis de baixa emissão.

Moderado por Simi Shah, diretora de Política e Inovação da City of London Corporation, o painel reuniu experiências concretas de inovação em seguros que estão contribuindo para viabilizar projetos de transição e ampliar a adaptação climática.

Barnes apresentou uma estrutura desenvolvida em parceria com a Iniciativa de Mercados Sustentáveis, criada em 2019 pelo então Príncipe Charles, que mapeia riscos enfrentados por projetos de transição desde a fase de planejamento até o descomissionamento. Segundo Barnes, muitos investimentos não chegam à decisão final por não estarem suficientemente “desarriscados”.

A proposta é identificar, de forma prática, em que etapas o seguro pode atuar para mitigar riscos estratégicos, financeiros, operacionais e geopolíticos, e quando outras ferramentas, como contratos, parcerias públicas ou filantropia, podem ser mais adequadas. Entre os exemplos citados, estão soluções paramétricas que garantem receitas de projetos de energia solar e eólica e seguros de crédito adaptados para veículos de propósito específico, viabilizando a capacidade de financiamentos de projetos de transição.

Em seguida, Rachel Delhaise, chefe de Sustentabilidade da Convex Insurance, apresentou uma solução, desenvolvida no Reino Unido, de seguro para projetos de captura e armazenamento de carbono. A cobertura foi determinante para viabilizar dois grandes empreendimentos de infraestrutura de carbono, um no nordeste e outro no noroeste do país.

O contrato, desenvolvido em colaboração com outras seguradoras e um corretor, incluiu proteção contra riscos físicos, responsabilidade civil, perda de receita e um componente de contenção de vazamento de carbono com duração de dez anos, o que permitiu a emissão de licenças e decisões finais de investimento. O projeto, resultado de uma parceria público-privada, tornou-se referência internacional em inovação e colaboração entre setor público, setor privado e mercado segurador.

Tobias Grimm, cientista-chefe de Clima e líder de Consultoria Climática da Munich Re, destacou que o crescimento das perdas por desastres naturais é impulsionado, sobretudo, pela ocupação de áreas de alto risco, e defendeu políticas de zoneamento público que orientem o desenvolvimento urbano e reduzam a vulnerabilidade. Já a conselheira científica-chefe do governo do Reino Unido, Dame Angela McLean, reforçou a importância da colaboração entre governos, seguradoras e centros de pesquisa climática.

Segundo McLean, a integração entre a expertise do setor segurador em análise de risco e a capacidade do sistema científico em modelagem climática pode resultar em previsões mais precisas, melhor precificação e políticas públicas mais efetivas. Ela defendeu que a adaptação climática seja vista não somente como um custo, mas como uma oportunidade de geração de prosperidade, inovação e crescimento econômico.

Durante o debate, os participantes convergiram em torno de uma mensagem: a adaptação climática depende de coerência regulatória, inovação em seguros e estabilidade de compromissos governamentais. Delhaise defendeu que os governos mantenham e ampliem suas metas climáticas, oferecendo segurança aos investidores e estabelecendo limites de carbono na construção civil. Grimm destacou a importância de arranjos de compartilhamento de risco entre o setor público e o privado, por meio de mecanismos em que governos e bancos multilaterais assumam a primeira parcela de perdas, permitindo que o mercado privado amplie sua atuação em regiões mais vulneráveis.

O painel evidenciou que, mais do que um instrumento de proteção, o seguro é um agente ativo na construção de resiliência climática e na mobilização de capital verde. Ao integrar ciência, inovação financeira e políticas públicas, o setor tem se posicionado como um vetor de confiança e viabilidade para a economia de baixo carbono. Essa convergência de propósitos, expressa na Casa do Seguro durante a COP30, reforça o protagonismo do mercado segurador na agenda global de adaptação e financiamento climático, um papel que o Brasil, por sua relevância ambiental e econômica, está cada vez mais preparado para exercer.

Assessoria de Imprensa CNseg

Foto: Da esq. Para dir: Simi Shah, Amy Barnes, Dame Angela MacLean, Rachel Dehaise e Tobias Grimm

You may be interested

BB Seguros reforça compromisso com a cultura
BB Seguros
84 Vizualizações
BB Seguros
84 Vizualizações

BB Seguros reforça compromisso com a cultura

Publicação - 25 de fevereiro de 2026

Anualmente, a BB Seguros apoia projetos incentivados como ferramenta de transformação social e visando fortalecer o relacionamento com a comunidade. Em 2025, foram 41 projetos apoiados pela…

Desafio agora é transformar adoção em resultado concreto
Interesse Mercado
84 Vizualizações
Interesse Mercado
84 Vizualizações

Desafio agora é transformar adoção em resultado concreto

Publicação - 25 de fevereiro de 2026

A inteligência artificial (IA) já ocupa espaço definitivo na rotina das seguradoras, mas o setor ainda enfrenta dificuldades para transformar experimentação em resultado concreto. De acordo com…

Longevos ampliam presença no ambiente digital
Instituto Longevidade MAG
85 Vizualizações
Instituto Longevidade MAG
85 Vizualizações

Longevos ampliam presença no ambiente digital

Publicação - 25 de fevereiro de 2026

De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi registrada uma evolução histórica acelerada no uso da internet pelos 60+, saindo de 24,7%…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

‘Tom Jobim Musical’ percorre oito capitais
Mapfre
80 Vizualizações
80 Vizualizações

‘Tom Jobim Musical’ percorre oito capitais

Publicação - 25 de fevereiro de 2026
Loovi junta Neymar e influenciadores para lançar campanha
Diversos
93 Vizualizações
93 Vizualizações
Susep publica normativo sobre envio de documentos
Susep
77 Vizualizações
77 Vizualizações

Susep publica normativo sobre envio de documentos

Publicação - 25 de fevereiro de 2026
WordPress Video Lightbox Plugin