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08 Jan

Olhar atento é o diferencial na prática da medicina

24 de outubro de 2025
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A reflexão sobre a relevância da formação e do exercício da medicina segue essencial em nossa sociedade. É fundamental que a atuação médica mantenha o ser humano no centro de um cuidado integral, com um olhar atento à promoção da saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida.

Nossa profissão não pode ser meramente escolhida em um menu de ofícios, levando em conta somente aspectos como renda e possibilidade de sucesso. Até porque enfrentamos, diariamente, grandes desafios: desde questões estruturais e bioéticas até a complexa e necessária compreensão do processo saúde-doença.

Para abordar esses temas com excelência, todos os médicos e médicas exigem e merecem: conhecimento, treinamento de ponta e acesso contínuo às tecnologias que aprimoram o cuidado. Mas isso está longe de ser suficiente. Medicina se exerce com o cérebro e com o coração. Com boa formação, residência, experiências e oportunidades, a partir da vocação, do desejo inquebrantável de dedicar sua vida para melhorar a saúde das pessoas.

Os princípios da qualidade em saúde consolidados pelo médico libanês Avedis Donabedian (1919–2000) continuam sendo referência mundial na avaliação de sistemas e práticas médicas: eficácia, efetividade, eficiência, otimização, aceitabilidade, legitimidade e equidade. A relação médico-paciente, nesse contexto, é expressão concreta de ética, empatia e responsabilidade.

Em nossa formação universitária, recebemos as bases da medicina. Com elas, inicia-se uma trajetória de prática e de aprendizado contínuo que acompanham os avanços da ciência e tecnologia. É o caso, por exemplo, da inteligência artificial (IA), já há algum tempo instrumento inestimável de suporte à atividade médica no consultório, no hospital, na academia e na gestão de empresas e cooperativas de saúde.

O Brasil tem grandes expoentes na medicina e na pesquisa médica, hospitais que são centros de excelência, o maior sistema do cooperativismo médico mundial e o Sistema Único de Saúde (SUS), maior rede pública de atendimento do mundo.

Contudo, a disparidade no atendimento médico é uma realidade. Pesquisa Demografia Médica no Brasil, feita pela Associação Médica Brasileira (AMB), pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pelo Ministério da Saúde, mostra a desigualdade. Em 2024, o Sudeste contava com 3,77 médicos por mil habitantes, contra 2,21 no Nordeste e 1,70 no Norte. A distância é ainda maior quando se comparam as capitais, que têm em média 6,97 médicos por mil habitantes, com o interior, onde a média cai para 1,9, chegando a apenas 0,13 no interior de Roraima. Não é apenas estatística: é o acesso que muda conforme o CEP.

Isso não se resolve, contudo, com a abertura de novos cursos de medicina. Sob diversos aspectos, a proliferação de faculdades de medicina mais nos preocupa do que nos tranquiliza. Em menos de dois anos, o Ministério da Educação aprovou 77 novos cursos de medicina. Atualmente, há quase 500 cursos em funcionamento, 80% deles em instituições de ensino privadas.

A proliferação de cursos reacende o debate sobre a precarização do ofício, sobretudo porque o país ainda não superou desafios elementares de infraestrutura para que esses novos profissionais possam exercer, na prática, a medicina. A ampliação dos cursos de medicina sem o aumento proporcional de vagas de residência cria defasagem preocupante. A residência é essencial para a especialização. Sem essa base prática e ética, multiplicam-se formações distantes das realidades em que os médicos atuarão, das responsabilidades que a profissão impõe e do papel que devem exercer na construção e no aperfeiçoamento do próprio sistema de saúde.

Para que os médicos possam atuar além dos grandes centros, é fundamental oferecer carreiras com remuneração adequada e infraestrutura, a fim de que exerçam plenamente sua função social e assegurem um cuidado resolutivo e equitativo em todas as regiões do país.

Com a IA e os demais avanços da tecnologia, abre-se a nós, médicos, a possibilidade de sermos cada vez mais empáticos e humanos. Quanto mais evoluem os instrumentos, mais essencial se torna o olhar que acolhe, interpreta e cuida. O olhar atento do médico continua e continuará sendo o maior diferencial da medicina.

FSB Comunicação

*Por Helton Freitas, médico sanitarista e presidente da Seguros Unimed

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