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06 Nov

IESS aponta riscos e soluções para envelhecimento saudável

22 de setembro de 2025
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A expectativa de vida no Brasil deve alcançar 77,8 anos até 2030, segundo projeções do IBGE, mas os anos vividos com saúde não acompanham essa evolução, ampliando a lacuna entre longevidade e vida saudável (também conhecida como lacuna healthspan-lifespan) – diferença entre o tempo total de vida e o período vivido sem doenças incapacitantes. Essa disparidade crescente coloca em risco a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro. O alerta faz parte do novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que mostra ainda que, no cenário global, essa lacuna já é de 9,6 anos e pode chegar a 16 anos até 2035.

Intitulado “Vivendo mais, mas com mais doenças: Análise da lacuna entre longevidade e vida saudável na saúde suplementar“, o trabalho integra a série Caminhos da Saúde Suplementar:

Perspectivas 2035, um projeto desenvolvido pelo IESS e que conta com participação e contribuições de especialistas brasileiros do setor de saúde. Clique aqui e acesse a íntegra.

O levantamento revela que a obesidade, hoje responsável por quase 10% dos gastos da saúde suplementar, poderá atingir 46% dos beneficiários em 2030, consumindo mais da metade das despesas assistenciais. O custo médio por beneficiário, que era de R$ 2,2 mil em 2020, deve crescer para R$ 3,1 mil em 2030 – alta de 42% em uma década, muito acima do crescimento estimado do PIB per capita (7,7%). Por outro lado, intervenções preventivas poderiam gerar uma economia de até R$ 45 bilhões anuais até 2035.

Para o superintendente executivo do IESS, José Cechin, a economia da saúde suplementar dificilmente resistirá a uma prevalência crescente de obesidade sem que se mude o foco para prevenção e cuidado de longo prazo.

“A conta simplesmente não fecha. Por isso, temos que adotar iniciativas imediatamente“, sugere.

O estudo indica que a sustentabilidade do setor depende de uma transformação estrutural baseada em quatro pilares: medicina preventiva, inovação tecnológica, cuidado baseado em valor e sustentabilidade sistêmica. Esses elementos incluem desde a incorporação de telessaúde e inteligência artificial até a reorganização dos ambientes urbanos e novas políticas regulatórias.

Cechin acrescenta: “O sistema precisa mudar de lógica, prevalecendo menos volume de procedimentos e mais resultados concretos para os pacientes“.

Entre 2008 e 2023, os beneficiários da saúde suplementar apresentaram tendências preocupantes: obesidade subiu de 12,5% para 21,9%; diabetes, de 5,8% para 9,8%; e hipertensão se manteve em 26,3%. Além disso, o excesso de peso já atinge 60,9% da população com plano de saúde. Apesar da queda do tabagismo (de 12,4% para 6,8%, no período), o sedentarismo permanece elevado e hábitos alimentares protetores, como o consumo de feijão, vêm diminuindo.

O estudo também chama atenção para as desigualdades: mulheres concentram 60% dos custos com obesidade e vivem mais anos com morbidade; diferenças regionais chegam a 6 anos de expectativa de vida saudável nas regiões Sul/Sudeste em relação a Norte/Nordeste – diferença também observada entre alguns bairros vizinhos de uma mesma cidade; e mulheres negras estão entre as mais vulneráveis a doenças crônicas e mortalidade materna.

Esses números revelam que o modelo vigente, centrado em episódios e medicina curativa, mostra-se inadequado para o perfil epidemiológico atual. O predomínio da remuneração por procedimento (fee-for-service) perpetua fragmentação e altos custos no manejo das doenças crônicas.

“Se o Brasil não fizer agora a transição para um modelo proativo e baseado em valor, prevenção e promoção de saúde, corremos o risco de repetir a trajetória de países onde a longevidade aumentou, mas a qualidade de vida não acompanhou – e o sistema passou a viver sob a ameaça de entrar em colapso financeiro“, pondera.

LetraCerta

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