As empresas estão buscando a transição energética, adotando energias limpas, contudo, ainda existem diversas barreiras e preocupações para que essa migração aconteça. Isso é o que mostra a mais recente pesquisa Global Clean Energy Survey 2025, da WTW, uma das maiores corretoras de seguros e consultora de riscos do mundo, em parceria com a Coleman Parkes Research.
Foram ouvidos 450 tomadores de decisões dos setores de risco, sustentabilidade e corporativo, de segmentos de energia renovável; petróleo, gás e produtos químicos; mineração e metais; e energia e serviços públicos.
De acordo com a pesquisa, 63% enxergam a transição para energia limpa como oportunidade de crescimento. Tanto que o investimento em tecnologias e infraestrutura de energias limpas aumentará, em média, de 34% no próximo ano fiscal, passando de uma média de US$ 185 milhões em 2024-25 para US$ 249 milhões.
Contudo, ao olharmos por setor, o percentual muda. No segmento de petróleo e gás, os investimentos serão de 29% enquanto o de mineração e metais chegará até 51%.
Regionalmente, o investimento será maior na América do Norte, onde 20% das empresas planejam investir entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, e menor no Oriente Médio, onde apenas 5% planejam investir nesse nível.
“A análise indica que há o interesse das empresas em investir em energias renováveis e menos agressivas ao planeta, mas o movimento exige cautela, principalmente por conta dos riscos e desafios“, explica Paulo Mantovani, diretor de Recursos Naturais da WTW no Brasil.
Preocupações e riscos
Para 79% dos ouvidos, a quebra na cadeia de suprimentos como o principal risco, seguido por riscos geopolíticos (78%).
Além disso, 61% dos entrevistados se preocupam com as interferências relacionadas às condições climáticas – questões como falta de vento, luz solar ou chuva podem interferir nos modelos de energias eólica, solar e hídrica, gerando perdas financeiras. Os riscos climáticos físicos também foram mencionados como uma das maiores apreensões, por 50% dos entrevistados.
Foco no futuro
Segundo a pesquisa, 100% das empresas de recursos naturais possuem uma estratégia de energia limpa, mas com diferentes níveis de maturidade.
Como esperado, 71% das empresas de energias renováveis estão em fase de implementação ou totalmente implementadas; em comparação com 63% das empresas de energia, 43% das empresas de mineração e metais e 36% das empresas de petróleo e gás.
Também há mudanças no foco dos investimentos. Para os respondentes, 51% afirmaram que a energia solar é prioridade a curto e médio prazo; 61% priorizarão soluções de armazenamento de baterias e captura e armazenamento de carbono no médio e longo prazo; já em um prazo de 10 anos à frente, as fontes geotermais e hidrogênio foram listadas como alta prioridade.
“A transição energética é algo urgente, mas já ficou visível que os grandes projetos de engenharia ficaram em segundo plano, com as empresas apostando em algo mais ‘simples’ e rápido. Além disso, formas de armazenamento também é um móvito de preocupação, o que requer investimentos e pesquisas“, finaliza Mantovani.
Mercado segurador
O mercado segurador terá um protagonismo muito grande na transição energética, mas, para isso, também precisará superar desafios.
O Global Clean Energy Survey 2025 aponta que os maiores obstáculos para a transferência de riscos ao mercado de seguros são: exclusões amplas ou excessivas (53%); duração limitada ou inflexibilidade dos seguros (48%); falta de produtos de seguro adequados (47%); franquias elevadas/período de carência (46%); exigências de engenharia de risco (46%).
Agência Virta
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