No dia 26 de agosto, aconteceu em Brasília na Câmara dos Deputados, a sessão solene aberta pelo deputado Evair Vieria de Melo (PP-ES) e os convidados Aloiso Lopes, Secretário Nacional de Mudanças de Clima (MMA), Cristina Fróes, Subscretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda (MF), Alessandro Octaviani, Superintendente de Seguros Privados (Susep), Dyogo Oliveira, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), João Rabelo, Diretor do IRB Re, Pedro Farme d’Amoed, CEO da Guy Carpenter.
João Rabelo, explanou algumas informações baseadas no Atlas Digital de Desastres e apontou o crescimento significativo dos eventos climáticos adversos, especialmente os hidrológicos. Destacou que a função do seguro é proteger famílias e o resseguro potencializar a capacidade das seguradoras de absorver perdas. Sugeriu reduzir o “gap de proteção”, conhecimento, cooperação e estruturas robustas de diluição de risco.
Pedro Farme d’Amoed, salientou a continuidade da pauta climática em diferentes fóruns e observou que a percepção de que o Brasil seria “protegido” de catástrofes naturais já não corresponde à realidade. Apresentou números das enchentes do RS, que causou perdas de RS 100 bilhões. Concluiu que o Brasil já está exposto de forma significativa a perdas catastróficas, mas tem cobertura extremamente baixa.
Aloísio Lopes, comentou que o Brasil está dentro do contexto de emergência climática, com impactos visíveis e o setor de seguros tem papel de traduzir o novo perfil de riscos climáticos em instrumentos práticos e ampliar cobertura patrimonial e agrícola, especialmente para populações em maior risco social e climático. E finalizou que é fundamental criar mecanismos do seguro ser acessível para famílias afetadas por desastres.
Cristina Fróes, apresentou a Transformação Ecológica, plano de médio e longo prazo do governo para integrar economia, clima e sustentabilidade. O plano atua por meio de instrumentos financeiros, regulatórios, tributários e de monitoramento. Ressaltou que o setor de seguros é estratégico na agenda de mitigação e adaptação, com destaque para a presença na COP30 em Belém do Pará, com a “Casa do Seguro”.
Alessandro Octaviani, afirmou a importância do seguro como instrumento de resiliência frente a desastres climáticos, mas apontou o gap securitário como das enchentes do RS (2024) que custaram R$ 100 bi, enquanto o setor de seguros indenizou apenas R$ 6 bi. E só 7% das terras agricultáveis do Brasil têm cobertura de seguro. E fez coro aos demais presentes, que o papel do setor como investidor institucional, 17% do PIB, reforça a necessidade de qualidade e segurança nas provisões técnicas. E reconheceu que o artigo 56 é vigente até decisão contrária do STF, e que a SUSEP trabalhará para implementar com cautela, priorizando qualidade dos ativos e fiscalização rigorosa.
Dyogo Oliveira, relatou que o setor de seguros nunca esteve tão presente na pauta de sustentabilidade, apresentando dados alarmantes, entre 2013 e 2024, 94% dos municípios brasileiros decretaram emergência ou calamidade. E em 2024, foram 1.690 desastres naturais (4 por dia). Somente as enchentes no RS (2024) causaram R$ 100 bi em perdas; no Brasil, de 2014 a 2024, foram R$ 327 bi. Na agricultura, as perdas climáticas em 10 anos equivalem a um ano inteiro de produção de soja (114 milhões de toneladas). E alertou que o setor de seguros foi o primeiro a sentir os efeitos das mudanças climáticas, junto às vítimas diretas e a necessidade de conscientização sobre e a importância de contratação do seguro, não só de acessibilidade.
“O setor ser apresenta como instrumento fundamental à disponibilidade da sociedade e busca diálogo com o governo, congresso e sociedade civil”, finalizou.
Márcia Kovacs
Foto: Dyogo Oliveira
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