Os mercados imobiliário e comercial têm migrado, há alguns anos, para um novo caminho no Brasil. Chamados de multiuso, locais que reúnem em um mesmo espaço compartilhado prédios residenciais, de escritórios e o ambiente voltado aos consumidores nos shoppings estão formando um espaço integrado no qual diferentes empreendimentos se complementam e facilitam a vida dos seus moradores, de seus clientes e das pessoas que trabalham dentro deste complexo.
Além de promover comodidade, o grande diferencial desse perfil de local, que aponta para uma nova tendência, é a segurança. Com a alta taxa de criminalidade em grandes cidades, aliada a trânsitos cada vez mais caóticos, os shoppings estavam perdendo público e começaram a buscar uma solução para o seguinte questionamento: Como aproximar a casa de seus frequentadores ao maior número de serviços possível e que podem ser acessados por meio de deslocamentos mais curtos e seguros?
Surgiram então os centros multiusos que estão sendo construídos em diversas partes do país e devem tomar conta dos lançamentos nos próximos anos. Em meio a essa perspectiva, o desafio para o futuro da segurança eletrônica privada é criar sistemas integrados que delimitam qual será o acesso liberado para cada um dentro desses locais.
Vamos a um exemplo prático. Um software poderá receber um cadastro e liberar a entrada de um indivíduo desde a cancela do estacionamento até a sala onde ocorrerá a única reunião da qual essa pessoa irá participar, sendo que esse encontro pode acontecer em um setor do shopping ou dentro de um prédio residencial que faz parte deste mesmo complexo. Com isso, o cidadão poderá passar por catraca, elevador e portas corretas sem ter acesso a outros andares ou áreas que compõem o empreendimento onde estão abrigados centros de compras e empresas que disponibilizam diferentes serviços. E todo esse trajeto percorrido será acompanhado de perto pelo sistema de câmeras. Com isso, qualquer tentativa de desvio de rota não será possível. Nem decidir pela escada que gostaria de utilizar o usuário poderá se esse não for o caminho definido.
Esse futuro está bem próximo com o aperfeiçoamento da Inteligência Artificial. As grandes empresas do setor de segurança eletrônica estão apostando cada vez mais em sistemas que possam gerir de forma integrada todas as tecnologias que um local possa contar, como catracas, cancelas, portões e portas automáticas, para poder oferecer espaços seguros e funcionais. A tendência é a de que os softwares por trás dos hardwares se tornem cada vez mais sofisticados, personalizados e inteligentes. E, com a IA, o céu é o limite.
Além disso, esses locais poderão ser integrados a bancos policiais, por exemplo. Ao se identificar na entrada da cancela de um shopping ou na portaria residencial do complexo, uma pessoa pode ter todos os seus dados acessados, fato que ajudaria a diminuir o grau de vulnerabilidade destes espaços monitorados.
Esses cenários devem começar a ser muito comuns nos próximos anos, mudando assim a forma como as pessoas se movimentam, consomem ou moram dentro das grandes cidades. A segurança e a gestão de acesso dos locais que frequentarmos terão um papel cada vez mais central na nossa vida, integrando de forma definitiva as nossas rotinas.
WGO Comunicação
*Por Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil
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