00:00:00
07 Nov

Setor de seguros tem papel importante na resiliência no País

28 de agosto de 2025
296 Visualizações

A Câmara dos Deputados foi palco de uma audiência pública nesta terça-feira (26/8) que destacou o papel do setor segurador frente aos impactos das mudanças climáticas. A audiência, realizada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, confirmou não só a centralidade do mercado segurador na equação climática, como destacou o setor como parceiro estratégico na construção da resiliência econômica e social do País perante os danos de eventos climáticos.

Além do presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, participaram da audiência o diretor do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), João Rabelo, o Superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani, o Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Aloisio Melo, a Subsecretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda (MF), Cristina Fróes, e o CEO Brasil da Guy Carpenter, Pedro Farme D’Amoed.

Para o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, o setor de seguros vive um momento inédito de protagonismo na pauta da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Na audiência, ele destacou que “poucas vezes na história o setor esteve tão presente nessa agenda e tão reconhecido pelas autoridades”. Sua declaração foi reforçada pelo secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Aloisio Melo. Segundo ele, o setor de seguros é o mais capacitado para “traduzir o risco climático em variáveis objetivas”, orientando políticas públicas e o desenvolvimento de novos produtos, tanto para a população mais vulnerável quanto para projetos inovadores de descarbonização.

Os números comprovam a dimensão da emergência climática e a relevância do mercado segurador. Segundo Dyogo Oliveira, entre 2013 e 2024, 94% dos municípios brasileiros decretaram estado de emergência ou calamidade. Só em 2024 foram registrados 1.690 desastres naturais no Brasil — uma média de quatro por dia. No Rio Grande do Sul, as enchentes provocaram R$ 100 bilhões em prejuízos, e nos últimos dez anos, o país acumula R$ 327 bilhões em perdas, principalmente no agronegócio. “A perda da agricultura brasileira nesses dez anos representa 114 milhões de toneladas de soja, ou seja, a produção inteira de um ano”, exemplificou.

A seu ver, afirmou o presidente da CNseg, “toda vez que tem uma enchente ou um vendaval, a segunda linha afetada é o seguro, depois das famílias. O setor vem percebendo essa crise acontecer cada vez mais”, alertou. Ele citou o caso da Califórnia, onde áreas inteiras já não conseguem contratar seguros devido ao risco elevado.

Oliveira também ressaltou a necessidade de enfrentar o gap de proteção no país. “Muitas pessoas poderiam ter seguro, mas não compram. Não é só questão de acessibilidade, é de convencimento e motivação”, afirmou, acrescentando que o setor público tampouco protege sua infraestrutura.

No evento, Dyogo Oliveira se queixou da obrigatoriedade imposta ao setor de comprar créditos de carbono. Para ele, a medida é “claramente discriminatória”, além de arriscada para os segurados. “O mercado de carbono no Brasil ainda não é maduro, não tem padronização nem certificação consolidada. Não podemos colocar em risco o patrimônio dos segurados”, afirmou. Como alternativa, propôs que o governo viabilize emissões domésticas de Green Bonds, além de criar instrumentos como letras de desenvolvimento sustentável via bancos públicos.

O presidente da CNseg ainda destacou três frentes de contribuição do setor para mitigar danos e aumentar a resiliência: o seguro social de catástrofe, voltado para o atendimento emergencial de toda a população, sobretudo da parcela mais vulnerável, por meio de uma parceria público-privada. Acrescentou à lista o Hub de Dados Climáticos, com investimentos em informação e prevenção de riscos; e o maior alcance do Seguro Rural, para reduzir a dependência de renegociações de dívidas em períodos de seca ou de enxurradas severas. “O setor de seguros se apresenta como um instrumento à disposição da sociedade. Não acreditamos que soluções surjam magicamente. Estamos ativamente buscando diálogo com o Executivo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. Não tenhamos a menor dúvida de que a inação será severamente punida. O setor de seguros não está praticando inação, pelo contrário, estamos agindo ativamente em busca de soluções”, declarou.

Em sua apresentação, a subsecretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda, Cristina Fróes, informou que foram aprovados os primeiros cadernos da Taxonomia Sustentável Brasileira, que serão publicados em breve. A ferramenta, segundo ela, será crucial para padronizar e orientar o mercado financeiro, incluindo a precificação de apólices e os requisitos de solvência para seguradoras.

Já o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, também anunciou a criação de um grupo de trabalho focado em desenvolver o “ecossistema do seguro catástrofe” no Brasil. A iniciativa busca ampliar o debate para além das seguradoras, envolvendo contratantes, poder público e a academia para estruturar soluções de proteção em larga escala.

Ao final, a audiência consolidou um ambiente de colaboração, com o setor de seguros se posicionando de forma proativa, não apenas como uma testemunha dos impactos climáticos, mas como um agente fundamental e indispensável na construção de soluções para um futuro mais resiliente.

Assessoria de Imprensa CNseg

Foto: Da esquerda para a direita: diretor do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), João Rabelo, o Superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani, o Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Aloisio Melo, o deputado federal Evair de Melo (PP/ES), a Subsecretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda (MF), Cristina Fróes, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, e o CEO Brasil da Guy Carpenter, Pedro Farme D’Amoed.

You may be interested

A edição especial da revista do CVG-RJ com a cerimônia de entrega do Oscar de Seguro já está no site: cvgrj.com.br
CVG-RJ
109 Vizualizações
CVG-RJ
109 Vizualizações

A edição especial da revista do CVG-RJ com a cerimônia de entrega do Oscar de Seguro já está no site: cvgrj.com.br

Publicação - 6 de novembro de 2026

A 50ª edição do tradicional prêmio "Destaques do Ano" de 2025/26, considerado o "Oscar do Seguro", um evento organizado pelo Clube Vida em Grupo do Rio de…

Ibracor alerta sobre mudanças na jornada de trabalho
IBRACOR
114 Vizualizações
IBRACOR
114 Vizualizações

Ibracor alerta sobre mudanças na jornada de trabalho

Publicação - 6 de novembro de 2026

O Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros (Ibracor) orienta as empresas associadas a se prepararem para as mudanças nas regras de jornada de…

Estudo sobre a participação feminina no mercado de seguros revela maior força de trabalho das mulheres no segmento e oportunidades de negócios
Ezze Seguros
119 Vizualizações
Ezze Seguros
119 Vizualizações

Estudo sobre a participação feminina no mercado de seguros revela maior força de trabalho das mulheres no segmento e oportunidades de negócios

Publicação - 6 de novembro de 2026

Resultados da primeira pesquisa FeMa Meter, promovida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostram o crescimento da presença das mulheres como profissionais e consumidoras de seguros e…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Mais desta categoria