Um novo relatório publicado nesta quarta-feira (30) pelo time de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, revela que o Brasil e as economias emergentes enfrentarão uma necessidade de investimento substancial em infraestrutura na próxima década, ao mesmo tempo em que a alocação de capital privado para o setor tem crescido exponencialmente.
O estudo 3.5% to 2035: Bridging the global infrastructure gap (3,5% até 2035: Preenchendo a lacuna global de infraestrutura) estima que a economia global precisará investir anualmente cerca de 3,5% do PIB (US$ 4,2 trilhões) até 2035 para modernizar a infraestrutura social, de transporte, energia e digital, impulsionada por megatendências como urbanização, interrupções na cadeia de suprimentos e digitalização via Inteligência Artificial.
Cenário brasileiro
Segundo Luca Moneta, Economista Sênior para Mercados Emergentes da Allianz Trade e um dos autores do relatório, o setor de construção civil do Brasil deve crescer +2,5% em 2025, com o ritmo se acelerando para um crescimento anual de +4% de 2026 a 2029, impulsionado pela crescente demanda em energia, logística e habitação.
Mesmo assim, os autores apontam que o Brasil se destaca com uma das maiores lacunas de investimento em infraestrutura, representando 2,1% do PIB de 2020, um valor significativamente acima da média global de 0,6%, o que corrobora a necessidade de um investimento significativo, alinhado com outras grandes economias emergentes como a África do Sul e o México. A América Latina, como um todo, exemplifica a dinâmica de uma região com necessidades distintas de infraestrutura impulsionadas pela reorientação, “friendshoring” e diversificação comercial, mas que precisa navegar por níveis de risco elevados.
A fragilidade financeira no setor privado também está emergindo como uma preocupação sistêmica, o que reduz o crescimento do emprego no setor, apesar de as taxas de utilização da capacidade de produção já estarem acima das médias históricas.
“Com as condições financeiras previstas para se estabilizarem moderadamente até o final do ano e as medidas de consolidação fiscal visando a redução de gastos discricionários, a capacidade do Brasil de sustentar seu ímpeto em infraestrutura dependerá cada vez mais da mobilização de capital privado. As bases estão prontas, mas manter o ritmo exigirá clareza regulatória contínua, mecanismos de compartilhamento de risco e disciplina na execução dos projetos”, afirma Moneta.
América Latina
O relatório também mostra que o investimento anual necessário para a América Latina e o Caribe (LAC) atingir as Metas de Desenvolvimento Sustentável até 2030 seria de aproximadamente US$ 2,2 trilhões, o que representa 3,1% do PIB anualmente para a região.
“A América Latina está em um momento crucial, com um potencial de crescimento significativo impulsionado pela infraestrutura, mas também com profundas restrições fiscais e políticas que são difíceis de superar”, afirma Luca Moneta. Ele acrescenta que “a necessidade de investimento é substancial, e embora os governos na região apresentem taxas de investimento público mais baixas, de cerca de 2,1% do PIB, o capital privado está emergindo como a espinha dorsal para preencher essa lacuna”.
Investimento privado
O relatório destaca justamente que o capital privado tem se tornado fundamental para o avanço do financiamento de infraestrutura, com ativos sob gestão não listados saltando de menos de US$ 25 bilhões em 2005 para mais de US$ 1,5 trilhão em 2024. Na América Latina, o transporte é o setor que mais atraiu financiamento de projetos em 2024, com US$ 15,6 bilhões, seguido por energias renováveis (US$ 12,6 bilhões) e petróleo e gás (US$ 10,6 bilhões).
Apesar dos desafios como incerteza regulatória, cancelamentos de projetos e instabilidade política, o relatório enfatiza que investimentos em infraestrutura bem gerenciados geram retornos econômicos significativos. Para cada milhão de dólares alocado em infraestrutura, podem ser criados 36.000 empregos e um aumento de 1,5 vez no PIB ao longo de cinco anos pode ser previsto.
Para os investidores interessados na região, a Allianz Research ressalta a importância de uma governança robusta e transparência nos contratos. Projetos bem estruturados, apoiados por bancos multilaterais de desenvolvimento ou seguros contra riscos políticos, podem servir como um escudo contra a potencial volatilidade das mudanças políticas e os custos exorbitantes associados à arbitragem.
Acesse o relatório na íntegra, em inglês, aqui.
Race Comunicação
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