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Amamentação e sono: como enfrentar os desafios do pós-parto

8 de agosto de 2025
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A privação e a má qualidade do sono durante o pós-parto e no período de amamentação podem afetar a saúde física, emocional e cognitiva das mães. Segundo a ginecologista Ana Beatriz Melo(foto), da unidade Porto Alegre (RS) da rede de clínicas Meu Doutor Novamed, da Bradesco Seguros, os primeiros sinais costumam ser emocionais, como ansiedade e sintomas depressivos.

Fadiga intensa e desafios na amamentação

A médica destaca que a fadiga intensa, diretamente relacionada à redução do tempo de sono, é um sintoma precoce e recorrente. “Níveis elevados de cansaço e privação de sono estão associados à menor duração do aleitamento materno, maior probabilidade de dificuldades na amamentação e risco aumentado de desmame precoce. A fadiga pode comprometer a disposição e a capacidade da mãe de manter a frequência e a eficácia das mamadas, essenciais para a produção de leite”, explica.

Além disso, o cansaço pode levar à percepção equivocada de baixa produção de leite, mesmo quando a produção é adequada, o que pode resultar na introdução precoce de fórmulas ou na interrupção do aleitamento exclusivo. Segundo a Dra. Ana Beatriz, o estresse físico e emocional — muitas vezes agravado pela privação de sono — também pode atrasar a descida do leite e reduzir o volume nos primeiros dias, especialmente em mães de primeira viagem ou que passaram por partos difíceis.

Dormir pouco ou dormir mal: ambos são prejudiciais

Estudos indicam que dormir poucas horas seguidas pode prejudicar a recuperação física, desorganizar o ciclo natural do sono e aumentar o risco de problemas cardíacos. Já o sono fragmentado, mesmo com o mesmo número total de horas, compromete a qualidade do descanso, reduz os estágios profundos do sono e afeta a concentração e a memória.

“No pós-parto, o sono interrompido é comum devido aos cuidados com o bebê. Quando isso se prolonga por semanas, os efeitos se acumulam: piora da atenção, redução da energia cerebral e processos inflamatórios que afetam o funcionamento mental. Dormir mal por várias semanas seguidas traz prejuízos contínuos e sérios para o bem-estar e a saúde emocional”, alerta a médica.

Conciliar amamentação e sono: é possível

Para minimizar os impactos, a Dra. Ana Beatriz recomenda garantir ao menos 4 a 5 horas de sono ininterrupto por noite. Uma estratégia eficaz é contar com o apoio de outro adulto para assumir uma ou duas mamadas noturnas, utilizando leite previamente extraído. “Estudos mostram que isso alivia o cansaço sem afetar o vínculo com o bebê ou seu desenvolvimento”, afirma.

Terapias como a cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) também têm mostrado bons resultados. Hábitos simples, como manter horários regulares para dormir, evitar cafeína e telas à noite, criar um ambiente confortável e adotar técnicas de relaxamento, também são recomendados. Práticas como massagem, exercícios leves e áudios guiados de relaxamento podem ajudar.

Culpa materna e o direito ao descanso

Muitas mães sentem culpa ao descansar enquanto outra pessoa cuida do bebê. “Aceitar ajuda, pedir ajuda, dividir tarefas e reconhecer que o descanso é uma necessidade, não um luxo, são atitudes fundamentais. Uma mãe descansada está mais preparada para cuidar, amar e se conectar com seu bebê”, conclui a Dra. Ana Beatriz.

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